Rádio Web Armazém da Saudade

Programação musical de qualidade, sob a batuta do meu grande amigo e radialista HUGUINHU K.

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Waldir Calmon e Seu Conjunto – Feito para dançar 10 (LongPlay Rádio – 1958).

 

Feito para Dançar 10

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      Na última postagem musical do ano de 2011 do  Blog Cultura Cabesound, venho com mais um LP maravilhoso do grande Waldir Calmon: FEITO PARA DANÇAR vol 10, que com certeza embalou e ainda embalará boas festas.

     Aproveito para mais uma vez deixar meu sincero agradecimento à toda a família Calmon, em especial a minha amiga Marcia Calmon, que me autorizou a fazer cada uma das postagens relacionadas a esse que sem dúvida foi um dos maiores músicos do mundo. Aproveito também para mais uma vez divulgar o lindo trabalho que Marcia vem fazendo no site sobre seu pai, um dos melhores trabalhos de pesquisa e de memória da cultura da música popular brasileira que alguém já colocou na rede, vale muito a pena visitar: http://waldircalmon.com.

     Esse foi o décimo volume da série FEITO PARA DANÇAR, na época a gravadora Rádio estava prestes a comemorar a marca de 400.000 cópias vendidas de toda a série até então, uma marca histórica se pensarmos que a indústria dos discos LongPlays ainda estava engatinhando no país. Um texto na contra-capa desse LP mostrava toda a alegria com o feito de Waldir Calmon, esse texto reproduzo aqui agora:

     “ A maior glória que uma fábrica pôde obter no Brasil, em sucesso e vendagem de disco, é incontestávelmente da “Rádio”. Não há necessidade de se escrever muito sobre a série FEITO PARA DANÇAR. Lançado o primeiro em 1953, foi o primeiro disco popular editado em 12 polegadas, além de ser o único LP, na época, especialmente para dançar. Naquele seu estilo gostoso tendo numa face 7 músicas ligadas, sem a interrupção de faixas, foi o FEITO PARA DANÇAR N° 1 o início do grande sucesso que tornaria hoje famoso WALDIR CALMON. O nome desse notável artista dispensa comentários em contra-capas. Estes estão nos 40 LPs editados pelas fábricas com quem ele trabalha.

     FEITO PARA DANÇAR n° 10 marca o máximo até aqui atingido por uma fábrica ou por um artista. É de se notar que foram 10 discos editados em 5 anos. Dez discos do seu estilo, pelo mesmo condutor. Foram 5 anos de vendagem maior que qualquer outra série! FEITO PARA DANÇAR atingirá dentro de poucos meses a casa de 400 mil discos vendidos. É uma glória que não podemos deixar de registrar. É o profundo reconhecimento ao imenso público desse fabuloso WALDIR CALMON.

     Viemos desde 1952 editando discos de dança, sem muita divulgação, sem alarde. Sempre fomos recompensados. Aqui está a prova! Aqui está o FEITO PARA DANÇAR n° 10, com WALDIR CALMON e seu Conjunto, mantendo o recorde de vendas. O público foi quem pediu! O público não quiz os imitadores, o público quer o artista que criou, por que se assim não fosse não estaria aqui este prêmio, nosso e do WALDIR CALMON.”

     Bom, então fechando de forma especialíssima o ano de 2011 do Blog Cultura Cabesound está WALDIR CALMON e toda a sua categoria de grande pianista. Aproveito assim para desejar à todos os amigos do Blog um maravilhoso 2012. Muito mais vem pela frente!!!

 

Músicas

Lado 1:

01- Samba do Teleco-Teco (João Roberto Kelly)

02- Cabecinha no ombro (Paulo Borges)

03- É luxo só (Ari Barroso)

04- Este é o samba (Getulio Macedo – Almeida Batista)

05- Cachito (Consuelo Velasquez)

06- Mineirinho (Paulo Nunes – Baden Powell)

 

Lado 2:

01- Ay! Cosita linda (P. Galan – Francisco J. Garcia)

02- Nel blu, dipinto di blu (D. Modugno – F. Migliacci)

03- Eu não existo sem você (Antonio C. Jobim – Vinicius de Morais)

04- Gondolier (Marcucci – De Angelis)

05- Tequila (Chuck Rio)

domingo, 25 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

Milton Banana Trio – O Trio (IEM/Odeon – 1968).

O trio 1968

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     Preparativos natalinos a pleno vapor e eis que me vem a inspiração para uma postagem de um LP de um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos e um dos responsáveis pelo sucesso de nossa música mundo a fora  e que pela primeira vez tem seu espaço no Blog Cultura Cabesound: Milton Banana.

Milton Banana        Nascido Antonio de Souza, no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1935, o “Rei do Ritmo”, assim como é considerado até hoje, começou a se interessar pela música muito jovem ainda, principalmente pela percussão, aprendendo logo a tocar bateria sozinho. Em 1955 iniciou carreira artística no conjunto de Waldir Calmon, se apresentando na Boate Arpége, já rebatizado artisticamente como Milton Banana. Logo ingressaria no Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira, passando a se apresentar na Boate Drink. No ano seguinte passou a trabalhar com Luiz Eça na Boate do Hotel Plaza. Em 1958 faz sua primeira participação como baterista em disco, gravando nada mais nada menos que o 78RPM CHEGA DE SAUDADE, de João Gilberto, primeiro grande marco da Bossa Nova. Milton, desde então, passou a ser considerado o inventor da batida da Bossa Nova para bateria.

     Em 1962 participou do antológico espetáculo “Encontro”, produzido por Aloysio de Oliveira, na boate Au Bon Gourmet, no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Morais e Os Cariocas. Nesse mesmo ano acompanhou João Gilberto em sua turnê por Buenos Aires na boate 676 e ainda foi um dos músicos participantes do histórico show da Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York.

     Ainda nos Estados Unidos, no ano seguinte participou como baterista de outro álbum antológico: “Getz-Gilberto”. Trabalhou também com Astrud Gilberto e outros grandes nomes da música mundial. Nesse mesmo ano saiu em turnê por países da Europa,  como Itália e França, ao lado de João Gilberto, João Donato e Tião Neto.

     Na volta ao Brasil em 1965, cria o Milton Banana Trio, que se tornou um grupo ímpar na música brasileira exatamente porque nunca até então um baterista conduzira seu próprio grupo musical. O grupo teve várias formações em sua trajetória musical e lançou vários discos, primeiramente pela Odeon e depois pela RCA. Trabalhou também com vários artistas brasileiros em shows e gravações.

     Seu último grande show foi em 1998, na Praia de Copacabana, intitulado “Chega de Saudade”. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de maio de 1999, aos 64 anos de idade. Em seu velório o que mais chamava a atenção de todos os amigos presentes era uma coroa de flores com os seguintes dizeres: “À Milton, à quem o Brasil não homenageou nem reconheceu nunca. Ass: Todos os Músicos do Brasil”. Soube-se mais tarde que essas palavras foram de João Gilberto.

     De alguma forma o Blog Cultura Cabesound faz a sua parte preenchendo um pouco essa lacuna e presta essa singela homenagem ao “Rei do Ritmo” apresentando esse O TRIO, lançado em 1968, disco com repertório de músicas em sua maioria lançamentos da época, mas que com o tempo se tornaram sucessos de primeira grandeza. O Milton Banana Trio era formado nesse disco pelo próprio Milton Banana na bateria, com o auxílio luxuoso de Wanderley no piano e Azeitona no contrabaixo. O Trio executou cada música desse álbum com uma categoria comparada aos grandes músicos do mundo, tudo isso sob a batuta do grande Milton Banana. Grande presente de Natal do Blog Cultura Cabesound à você, que sempre me dá a alegria de sua visita e que, como eu, é admirador da boa música instrumental. Deleite-se!!!

 

Dados do disco

Produtor Fonográfico: Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S/A

Equipe de produção artistico-fonográfica realizadora deste álbum:

Diretor de Produção: Milton Miranda

Diretor Musical: Lyrio Panicalli

Diretor Técnico: Z. J. Merky

Técnico de Gravação: Jorge Teixeira da Rocha

Técnico de Laboratório: Reny R. Lippi

Lay-Out: Moacyr Rocha

Fotos: Mafra

 

Músicas

Lado 1:

01- Samba do perdão (Baden Powell – Paulo Cesar Pinheiro)

02- Segura este samba “Ogunhê” (Oswaldo Nunes)

03- Você passa eu acho graça (Carlos Imperial – Ataulfo Alves)

04- Da cor do pecado (Bororó)

05- Bom tempo (Chico Buarque de Hollanda)

06- Mudando de conversa (Maurício Tapajós – Herminio Bello de Carvalho)

 

Lado 2:

01- Ultimatum (Marcos Valle – Paulo Sérgio Valle)

02- Ela desatinou (Chico Buarque de Hollanda)

03- Um novo rumo (Arthur Verocai – Geraldo Flach)

04- Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim – Chico Buarque de Hollanda)

05- Manias (Flávio Cavalcanti – Celso Cavalcanti)

06- Sá Marina (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Amelinha – Flor da Paisagem (CBS – 1977).

 

Amelinha 77

                    Download aqui

      Raimundo Fagner, em crescente sucesso musical e reconhecimento do público e da crítica, ganhou créditos e liberdade artística suficientes para se tornar Diretor Musical da gravadora CBS e lançar para o mercado alguns daqueles jovens que faziam parte do chamado “Pessoal do Ceará”. Alguns nomes como Terezinha de Jesus, Ednardo e Walter Franco lançaram ótimos discos mas não seguiram uma trajetória de sucesso, mas outros nomes como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e AMELINHA ganharam notoriedade e reconhecimento.

     A primeira vez que o público ouviu a voz de AMELINHA em disco foi ainda em 1975, em participação vocal no LP Ave Noturna, lançado por Fagner na gravadora Continental. Esse FLOR DA PAISAGEM, lançado pela CBS em 1977 então não foi sua estréia em disco mas sim seu primeiro LP solo.

     A voz de AMELINHA, uma das melhores intérpretes de nossa música, emoldura com beleza e delicadeza cada uma das onze faixas do disco, que tem em Fagner uma figura de real importância na concepção do disco, desde a escolha dos músicos participantes até o repertório. No texto contido nas bordas da contra-capa e que talvez muitos não tenham reparado, Fagner expressa toda a sua felicidade com a oportunidade que teve de mostrar para o público esse emergente talento musical chamado AMELINHA. Aqui vai o texto:

     “A oportunidade de fazer este disco com a AMELINHA, para mim é fato de rara importância. Um desejo que vem desde os primeiros tempos no Sul, e que agora se concretiza. Nada tenho a acrescentar à sua voz singular e bela e ao seu bom gosto terrivelmente em dia. Uma luz, uma coisa assim… Ela não é a maior e nem a melhor, tem consciente o seu lugar e não precisa usar de artifícios para ocupar um espaço que certamente será seu. Basta olhar nos seus olhos de Bíla, puros como a noite, é claro. Agradeço a todos que estiveram envolvidos neste trabalho: Músicos, compositores, assistentes, técnicos, artistas da capa, como também a CBS, que sem dúvidas terá bastante força, tendo “essa menina” jogando pelas suas cores. Um sorriso na Galera.

                                                                                   Raimundo Fagner”.

     Este é mais um presente do Blog Cultura Cabesound, presente de primeira qualidade para você, que sempre me dá a alegria de sua visita!!!

 

Dados do disco:

 

Direção Artistica: Jairo Pires

Direção de Estudio: Fagner – Tony Bizarro – Romeu Giosa

Direção Musical: Fagner

Coordenação: Emilio Carrera

Musicos: Robertinho de Recife, Emilio Carrera, Beto Melo, Ife, Marcinho Werneck, Dudu, Luiz, Osvaldinho

Arranjos: Base – Os músicos

Sugestões: Amelinha

Destaques: Fagner (Agonia, Mal Doloroso, Pobre Bichinho)

Robertinho de Recife (Flor da Paisagem)

Cordas e Regencia: Leo Peracchi

Estudio: Eldorado – SP

Tecnicos: Flavio A. Barreira, Luis Carlos Batista, José Luis Costa

Mixagem: Flavio A. Barreira, José Luis Costa, Romeu Giosa

Capa: Fausto Nilo, Dado e Maxim

Fotos

Capa: Mauricio Albano

Contra-capa: José Albano

 

Musicas

Lado 1:

01- Santo e demonio (Fagner – Ricardo Torres)

02- Ponta de espinho (Ednardo)

03- A cal mar-se (Ednardo – Brandão)

04- Aprender a voar (Beto Mello)

05- Depende (Fagner – Abel Silva)

06- Cintura fina (Luiz Gonzaga – Zé Dantas)

 

Lado 2:

01- Senhora Dona (Petrucio Maia – Brandão)

02- Flor da paisagem (Robertinho de Recife – Fausto Nilo)

03- Pobre bichinho (Fagner)

04- Mal doloroso (Petrucio Maia – Pepe)

05- Agonia (Fagner)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ivan Casanova e Seus Conjuntos – Um olhar… uma dança… um amor (IEM/Imperial – 1960).

Ivan Casanova
                          Download aqui
     Voltamos a falar aqui sobre música instrumental de qualidade e, ao mesmo tempo, voltamos a falar sobre grandes músicos que por problemas contratuais usavam pseudônimos para lançar seus discos por outras gravadoras entre o fim dos anos 50 e início dos anos 60.
     Esse maravilhoso disco, lançado pelo selo Imperial, pertencente à Industrias Elétricas e Musicais (IEM) Fábrica Odeon S/A apresentava ao público IVAN CASANOVA E SEUS CONJUNTOS, mas, quem era na realidade esse músico? Era o grande pianista e organista WALTER WANDERLEY que, pelo menos por esse mesmo selo Imperial além de IVAN CASANOVA lançou um disco também como MIKE FALCÃO.
Wanderley      Nascido em Recife no dia 12 de Maio de 1932, foi casado com a grande cantora Izaurinha Garcia. Se mudou para São Paulo em meados dos anos 50 e começou a trabalhar profissionalmente como pianista em bares e casas noturnas. Formou o Walter Wanderley e Seu Conjunto, em que tocava órgão e chegou a acompanhar João Gilberto e Dóris Monteiro, entre outros renomados artistas. Foi um dos músicos mais requisitados no auge da Bossa Nova, tendo seu talento reconhecido inclusive fora do Brasil. Por influência de Tony Bennett, se mudou para os Estados Unidos em 1966, de onde não mais voltaria e, lá consolidou ainda mais sua carreira musical a partir do lançamento do compacto “Samba de Verão”, de autoria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, que alcançou o nº 2 nas paradas de sucesso do país e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Fez muito sucesso internacionalmente também acompanhando Astrud Gilberto e, com ela dividiu os créditos pelos projetos A Certain Smile e A Certain Sadness, que muito ajudaram Walter a ter seu nome como um dos mais influentes no meio jazzistico mundial. Realizou trabalhos também com Eumir Deodato e Heraldo do Monte. Morreu em San Francisco, Califórnia, em 04 de Setembro de 1986, vítima de um câncer.
     Sob o pseudônimo IVAN CASANOVA, WALTER WANDERLEY lançou este UM OLHAR… UMA DANÇA… UM AMOR em 1960, onde mostrava que era um músico completo, executando arranjos não apenas Bossanovistas, mas também Jazz, samba e bolero com maestria ímpar. O disco é um primor de bom gosto do seu inicio ao final e é o novo presente que o Blog Cultura Cabesound oferece à você, amigo(a), que está visitando esta página e sempre me dá a alegria de seu prestígio.

Dados do disco

Foto da Capa: F. Pereira
Layout: Cesar

Músicas

Lado 1:
01- The man i love (George & Ira Gershwin)
02- Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim – Vinicius de Morais)
03- El reloj (Roberto Cantoral)
04- Love is the tender trap (Sammy Cahn – James Van Heussen)
05- Angustia (Orlando Brito)
06- On the sunny side of the street (Dorothy Fields – Jimmy McHugh)

Lado 2:
01- O apito no samba (Luiz Bandeira)
02- Aquejos ojos verdes (Nilo Menendez – Adolfo Utrera)
03- No taboleiro da baiana (Ary Barroso)
04- Stormy weather (Harold Harlen – Ted Koehler)
05- As pastorinhas (Noel Rosa – João de Barro)
06- Te quiero dijiste (Maria Grever – Charles Pasquale).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ronnie Von (CBD/Polydor – 1973).

Ronnie 73
                       Download aqui!
     Link modificado em 21 de dezembro de 2011
     (Correção de áudio) 

     Mais uma vez RONNIE VON marca presença aqui no CULTURA CABESOUND, desta vez com o LP que marcou o fim de sua passagem pela CBD, no ano de 1973.
     Ao contrário do que muitas pessoas dizem por aí, este disco, junto ao lançado em 1972 (já postado no Blog), não tem nada de brega. Tudo bem que, com a tentativa fracassada de usar em seu repertório um estilo mais voltado ao Psicodelismo, inicialmente em Ronnie Von nº 3 (1967) e finalizado em A MÁQUINA VOADORA (1970), Ronnie passou a gravar discos, como ele mesmo declarou em entrevistas, para cumprir contratos, deixando na maioria das vezes de gravar o que ele mesmo gostaria. A verdade é que, o Ronnie destes dois LP’s (72 e principalmente este de 73) trazia consigo talvez um pouco de revolta por não poder seguir um caminho musical que ele almejava, e, essa revolta passou a ser usada em prol de suas interpretações, dando-lhes um estilo mais rocker, mais vigoroso. Esse LP é um belo exemplo disso.
     Arnaldo Saccomani, diretor de produção dos discos de Ronnie desde A MÁQUINA VOADORA e testemunha pessoal da tal tentativa frustrada de mudanças de rumo musical, pois trabalhou com ele desde o primeiro LP lançado em 1966, nesse disco aqui parece ter dito a Ronnie, em tom de incentivo: “- A gravadora te sacaneou, te boicotou, agora que você está de saída vou lhe oferecer todas as armas para você dar o troco à eles (CBD). Dê o melhor da sua interpretação e mostre o que eles estão perdendo!!!”. Saccomani então caprichou na produção do disco e, Ronnie se “entregou de corpo e alma” na interpretação das músicas, mesmo aquelas que possivelmente não eram do seu agrado, mas que tinham apelo comercial, gerando então um dos melhores LP’s de sua carreira.
     O grande sucesso radiofônico do disco foi “Banda da Ilusão”, de autoria de Alberto Luiz, música esta notadamente um retorno ao estilo “A praça”. “Gira-girou”, de Adilson Godoy, foi uma repetição ainda mais caprichada e cheia de guitarras do sucesso “Cavaleiro de Aruanda”, de 1972. Ronnie dá início aqui a uma parceria de sucesso com Tony Ozanah, que foi um dos membros do conjunto Beat Boys (que acompanhou Ronnie em algumas faixas de Ronnie Von nº 3) e foi também autor de “Cavaleiro de Aruanda”. O saudoso Zé Rodrix deu sua luxuosa contribuição em dois arranjos musicais: no rockasso “(As coisas vão e voltam) mas acabam em Rock and Roll” e em mais 3 belíssimas faixas e deu à Ronnie o privilégio de gravar “Essas coisas acontecem sempre”, música de sua autoria em parceria com Tavito (Zé Rodrix tem participação especial não creditada na faixa, pois é dele a contagem inicial contida nessa gravação). O grande Ivan Lins também contribuiu com o arranjo musical e a composição, em parceria com Ronaldo Monteiro de Souza, do gospel “Velho sermão”.
     Ou seja, é um disco com vários elementos que agradam ao ouvinte do início ao fim e que com certeza irão agradar a você, que curte boa música e que nesse momento está lendo essa postagem e não perderá a oportunidade de conhecer mais um pouco da carreira do “Pequeno Príncipe”. Mais um presente do Blog CULTURA CABESOUND!!!

Dados do disco

Direção de Produção: Arnaldo Saccomani
Direção de estúdio: Arnaldo Saccomani, Zédu, Marco Antonio Galvão
Técnico de gravação: Marcus Vinicius, Flavinho Augusto
Estudio: Eldorado – São Paulo
Arranjos: Zé Rodrix “Essas coisas acontecem sempre” e “(As coisas vão e voltam) mas acabam em Rock and Roll”; Zé Paulo Soares “Banda da ilusão” e “Você se foi”; Ivan Lins “Velho sermão”; Capacete “Amores perdidos no ar”, “Deus Sul-Americano” e “Ana Maria”; William Verdaguer “Linda morena”; Tony Ozanah “Gira-girou”, “Os frutos do amor” e “Santa Maria”.
Corte: Joaquim Figueira
Todas as fotos: Peninha Imagem

Músicas

Lado 1:
01- (As coisas vão e voltam) mas acabam em Rock and Roll (Ronnie Von – Tony Ozanah)
02- Banda da ilusão (Alberto Luiz)
03- Gira-girou (Adilson Godoy)
04- Velho sermão (Ivan Lins – Ronaldo Monteiro de Souza)
05- Linda morena (William Verdaguer)
06- Deus Sul-Americano (Ronnie Von – Tony Ozanah)

Lado 2:
01- Santa Maria (Ronnie Von – Tony Ozanah)
02- Você se foi (Helio Matheus)
03- Essas coisas acontecem sempre (Zé Rodrix – Tavito)
04- Ana Maria (Arnaldo Saccomani)
05- Amores perdidos no ar (Ronnie Von – Tony Ozanah)
06- Os frutos do amor (Tony Ozanah).

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Zé Rodrix – Quando Será? (Emi-Odeon – 1977).

Quando será

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     Trago hoje no Cultura Cabesound mais um grande sucesso do inesquecível ZÉ RODRIX: QUANDO SERÁ?, lançado em 1977, que teve Direção de Produção de Miguel Plopschi e Arranjos de Miguel Cidras, e, como é citado na contra-capa, a inestimável e total colaboração de Roberto Livi.

     O texto que apresentarei aqui foi escrito pelo próprio Zé Rodrix originalmente em Castelhano e publicado no envelope interno do LP. Nesse texto poderão ser identificados técnicos e músicos que participaram da concepção desse trabalho num todo. É um texto de fácil tradução, por isso o reproduzo aqui na íntegra, também em Castelhano:

     “(notas de un caderno de viagem)

     Y en la capa una foto de un hombre con su traje de domingo / y se passaran casi 3 meses entre composición, grabación y mixagem / y se debe dançar, pero se debe pensar / y Milton Miranda fue el Director Artistico / y devemos tener muchas  frutas tropicales , pero nunca bananas,  que són frutas muy esclavas / y Mihail Plopschi hice la Dirección / y tomamos casi 120 horas para el trabajo de studio / y Roberto Livi fué la más indispensable de todas las figuras / y el traje deve ser blanco-paz-futura / y gracias a la cocina, con Paulo César, Luizão, Paulinho Braga con sus botinas, Hermes, su successor Ariovaldo, el galante Dazinho, Augusto Cesar, Marcello Sussekind, Cláudio Gabis, con ricas vibracciones de su sitar fantástico / y QUANDO SERÁ que estaremos todos como el hombre  de la capa / y los técnicos fueron el nocturno Roberto y el vespertino Dacy / y todos conocen al menos un DONO DA VERDADE, porque lo veen casi siempre, en la calle, en la casa, en la oficina, en la televisión (entre el Jornal Nacional y la novela de las ocho) / y Miguel Cidras hice ricos arranjos para completar el clima / y usted conosceun chico como ese de QUANDO SERÁ?, porque lo encuentra en las quintas-feiras a la noche quando ambos están haciendo sus apuestas en la Loteria Esportiva y conoci  el fantástico Pinochio, con mil histórias de una Latinoamérica ativa y no passiva / y la mixagen tomó 2 semanas y otros tantos dias , con Serginho en los botones , bajo la engenharia de Jorge Teixeira y eventuales comentários de Nivaldo / y a mi no me griten, porque el estranjero servirá el nacional, como el antigo sirve el nuevo / y yo vi esse niño muy loco en la puerta de su ex-namorada gritando DEVOLVE MEUS LP’S con todas sus fuerzas  / y Osmar hice el corte, con una santa paciência / y ahi entra el gorilla / y todos hablan de los ANIMAIS, sin saber que estamos en la misma jaula / y Carlinhos, Dudú, Ralph, Rita, Heleninha,  Vivian, juntamiente con José Luiz  cantaran todo gracias a el expresso ferroviário Rio de Enero – San Pablo / y Salmiro Sardiña llevo las letras y devolvió buenas nuevas / y Pinochio és otra de las personas muy simpáticas que Roberto Livi tornó indispensable / y la ARCA DE NOÉ és una tentativa de salvar, a lo menos, mis valores de formación , con vistas a un dilúvio que no sé, no sé… / y Paulo Moura hice un lindo solo de sax, 50% modernito, 50% recuerdo de Dancing Avenida, y el resto puro corazón / y Ladimar, el peruano, montó las fitas y el disco, para que tuviera un orden menos lógico-formal / y ÁGUA QUE NÃO VAIS BEBER és una guajira, con una letra intencionalmente bucólica y campesina / y gracias a George Amiden por la melodia de CASAMENTO, ese hino de la classe média anterior a la maioria virtual / y a mi no me griten, porque soy un utilitarista / y Miguel Cidras,  arranjador, tocó muchos pianos y clavinetas y tumba’candombe y se olvidó que después de 3 viene 4 / y EU NÃO FUI BANDIDO O TEMPO TODO és una defesa del marido de essas mujeres que todos conocimos / y los músicos de la Orquestra Cubanacan de Ritmos Latinos, participantes en el disco, son: el spalla Pareschi, Zé Alves, Aizik, Piersanti, Carlos Eduardo, Walter Hack, Pascualino (violinos), Penteado, Stephany, Murillo, Zé Lana (violas), Peter, Alceu (cellos), Sandrino (baixo), Maurílio, Heraldo, Mozart (trumpetes), Zé Bodega, Juarez, comendador Aurino (saxofones), Paulo Moura (sax alto y soprano), Jorginho (sax alto y flautin), Edmundo Maciel, Jessé, João Luiz, Macaxeira (trombones), Svab, Toninho (trompas) muy salerosos / y BAILA SALSA és un brasileño perplexo porque, para hacer amor con la portoriqueña , tuve que hacerlo en inglés, por razones que, no sé, no sé, no sé… / y Paulo Roberto hice la capa con una sola mano, porque Alexandre la fotografó con várias, gracias a Edison (Le Mabese) y Pepita, la Visagista / y FOI VOCÊ QUEM NOS APRESENTOU es un caso verdadero que comigo se pasó / y gracias a Toninho y Formiga por la sonoplastia / y SE O CANTOR CALAR és un homenagen a Chico Buarque de Hollanda, a quien admiro como el homble que sabe decir, y siempre lo dice / y a mi no me griten, porque digo las cosas, porque digo las cosas bajo una cara alegre y dançante, pero digo de la misma manera / y gracias a Livi / y gracias a Norma, con todo su cariño, consciência, amor, certeza de un futuro mejor, apoyo, una casa linda, paz de espiritu, camaraderia, antúrios, palabras certas, análise, más amor, vida / y GUANTANAMERA resume todo / y Mihail Plopschi y Miguel Cidras y Pinochio / y Marya, Jo-Joy, Marcella, Monik y Marcos (presidente del Club de Los Amigos de Ramayana) / y no frustre un músico, porque así lo transforma en crítico de música, /  no sintetizadores, again / y viva Nonato con sú café / Y NO NOS OLVIDÉS QUE EL BRASILEÑO ÉS LA LENGUA MAS LINDA DE TODO EL MUNDO / y, como forma és ferramienta a mí no me gríten, porque lo que importa és el objetivo, no la manera / y indigna-te con lo que no te agrada / y eres muy hermano, aún que no locreas / y el Brasil és mucho maior que la soma de sus partes / y existe una Latino América mucho maior que la soma de sus partes / y un hombre sin brazos, o piernas, o ojos és un hombre / y un hombre sin ideas o lengua, no lo és / y viajar por esta tierra nos puede enseñar muchissimo, quando se conosce los habitantes / y hay vida inteligente en los propietários? /  

                                                                                            18 Jul 1977

                                                                                                                            Zé Rodrix “.

     Mais um presente para você, que me dá a alegria de visitar o Blog Cultura Cabesound à procura de música de qualidade!!!

 

Músicas

Lado 1:

01- Quando será (Zé Rodrix – Livi)

02- Eu não fui bandido o tempo todo (Zé Rodrix – Livi)

03- Arca de Noé (Zé Rodrix)

04- Devolve meus LP’s (Zé Rodrix – Livi)

05- Guantanamera (Wolfe – Marti)

06- Casamento (Zé Rodrix – Jorge Amiden)

 

Lado 2:

01- O dono da verdade (Zé Rodrix – Livi)

02- Animais (Zé Rodrix – Lamis)

03- Foi você quem nos apresentou (Zé Rodrix – Ramos)

04- Baila salsa (Zé Rodrix – Miguel)

05- Água que não vais beber (Zé Rodrix – Livi)

06- Se o cantor calar (Zé Rodrix – Felipe)

sábado, 5 de novembro de 2011

Trilha Sonora Original da Novela O Primeiro Amor (Som Livre - 1972)

OPrimeiroAmor

            Baixar Aqui

     Voltando à ativa após algum tempo sem atualizações, decidi que o post desse retorno seria de mais uma trilha sonora de novela. Dessa vez o Blog Cultura Cabesound relembra um dos grandes sucessos televisivos do início da década de 70: O PRIMEIRO AMOR, novela de autoria de Walter Negrão e dirigida por Walter Campos e Régis Cardoso, exibida na REDE GLOBO DE TELEVISÃO de 24 de janeiro a 17 de outubro de 1972, totalizando 228 capítulos. Foi a primeira novela das 19 hrs a ter também uma trilha sonora internacional. Mas, o que o Blog apresenta à vc, amigo(a) que está nesse instante nos visitando é a trilha sonora nacional, toda composta por Antonio Carlos e Jocafi, com algumas parcerias com Ildázio Tavares, incluindo o tema de abertura.

     

     A história (trama) principal da novela era focada no personagem Prof. Luciano Lima, vivido pelo ator Sérgio Cardoso. Ele chegou à cidade fictícia de Nova Esperança para assumir a direção de um colégio. Viúvo, ele contratou a governanta Paula (Rosamaria Murtinho) para tomar conta de seus 4 filhos: Junior (Herivelto Martins Jr), Babi (Suzana Gonçalves), Zizi (Rosana Garcia) e Rui (Marco Nanini). Luciano e Paula acabaram por se apaixonar, mas o romance encontrou forte resistência dos filhos, principalmente de Babi, a filha mais rebelde.

     No colégio, o Prof. Luciano também encontrava dificuldades, pois sua antiga namorada, a professora de inglês Maria do Carmo, vivida por Tônia Carrero, fazia o que estava ao seu alcance para lhe tirar o cargo de diretor. Alunos desajustados e rebeldes, liderados pelo motoqueiro Rafa (Marcos Paulo) também eram a dor de cabeça de Prof. Luciano, pois tumultuavam completamente o ambiente escolar. Para ajudar o Prof. Luciano a lidar com esse problema, surgiu a psicóloga Giovana (Aracy Balabanian). No decorrer da trama, formou-se um triângulo amoroso entre Luciano, a governanta Paula e a psicóloga.

    Mas era na oficina de bicicletas de Nova Esperança que trabalhava uma dupla de personagens que acabou por se tornar a mais querida da trama: Shazan e Xerife. Shazan (Paulo José) era um dos filhos de Seu Quinzinho (Sadi Cabral) e Dona Julia (Elza Gomes) e Xerife (Flávio Migliaccio) era o seu melhor amigo. Juntos criaram invenções malucas como a "camicleta", cruzamento de caminhão com bicicleta. Na camicleta a dupla deixou Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que permitiria aos dois a construção de uma bicicleta voadora. A dupla Shazan e Xerife era responsável pelos momentos mais engraçados da trama, tornando os personagens muito queridos principalmente pelo público infantil, tamanho sucesso deu à dupla um seriado próprio: SHAZAN, XERIFE & CIA, também exibida na REDE GLOBO, entre o final de 1972 e 1974. A dupla de personagens retornou em um capitulo da novela ERA UMA VEZ (1998), também escrita por Walter Negrão, como uma forma de homenagear os atores Paulo José e Flávio Migliaccio.

    Durante a trama de O PRIMEIRO AMOR um fato abalou elenco e público: Faltando apenas 28 capitulos para o final da novela, no dia 18 de agosto de 1972 um ataque do coração tirou a vida do ator Sérgio Cardoso, o Prof. Luciano. Leonardo Villar, amigo pessoal de Sérgio Cardoso ainda dos tempos do teatro de comédia, foi o ator escolhido para viver o Prof. Luciano nos capitulos que restavam. A novela também marcou a estréia de Aracy Balabanian na REDE GLOBO, após o sucesso de seus personagens nas novelas da TV TUPI, principalmente na novela NINO, O ITALIANINHO.

     A trilha sonora apresentada aqui no CULTURA CABESOUND é de muito bom gosto. Toda composta pela dupla Antonio Carlos e Jocafi, famosa por sua participação no Festival Internacional da Canção de 1971 com a música DESACATO e sucesso absoluto de execução nas rádios do país naquele ano de 1972 com o samba VOCÊ ABUSOU. A trilha incluia também parcerias da dupla com Ildázio Tavares, como o tema de abertura da novela, interpretada pelo QUARTETO FORMA. Mais um presente de qualidade do Blog CULTURA CABESOUND.

Músicas

Lado 1:

01- Hey Shazan - Osmar Milito e Quarteto Forma (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)

02- Desmazêlo - Maria Creuza (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)

03- Mariana - Eustaquio Sena (A. Carlos - Jocafi)

04- Perambulando - Golden Boys (A. Carlos - Jocafi)

05- Cada segundo - Os Vips (A. Carlos - Jocafi)

06- O primeiro amor - Quarteto Forma (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)


Lado 2:

01- Encabulada - Osmar Milito e Quarteto Forma (A. Carlos - Jocafi)

02- Distorção - João Luiz (A. Carlos - Jocafi - Renato Lobo)

03- Saque saque - Betinho (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)

04- Fogo de lenha - Jacks Wu (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)

05- Podes crer - Osmar Milito e Quarteto Forma (A. Carlos - Jocafi)

06- Cadê você - Luis Roberto (A. Carlos - Jocafi)

07- Amarelinha - Paulo José e As Menininhas do Colégio (A. Carlos - Jocafi - I. Tavares)