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domingo, 1 de agosto de 2010

Trio Irakitan – Os sambas que gostamos de cantar (IEM/Odeon – 1957)

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Link atualizado em 03/04/15

     De todos os grupos musicais brasileiros que fizeram carreira no exterior, um dos mais famosos e célebres sem dúvida é o TRIO IRAKITAN. O Blog Cultura Cabesound abre nesse momento espaço para esse que é um dos melhores grupos vocais que surgiram em terras tupiniquins.
     O ano era 1947. A rádio Poty de Natal tinha como um de seus contratados Edson França, o EDINHO, que se apresentava regularmente no programa “Parada Estudantil”. Cantor e violonista, Edinho fazia imitações de Bob Nelson. Nesse mesmo ano, o também apaixonado por música João Manoel de Araújo Costa Netto, o JOÃOZINHO, amigo de infância de Edinho, deu baixa no exército e decidiu recomeçar aquelas cantorias que faziam juntos pelas redondezas de Natal. Paulo GILVAN Duarte Bezerril, que já se tornara um cantor profissional, desembarcava em Natal oriundo de Recife, a fim de se tornar crooner de uma orquestra local. O acaso fez com que os três “juntassem forças” em 1950 na festa de aniversário do Clube América. A experiência musical conjunta acabou se tornando coisa séria, a partir de então surgia um novo grupo musical. Com o início dos ensaios e a escolha do repertório iniciou-se então a pesquisa por um nome para o trio, chegou a ser cogitado o nome Trio Trairi, mas era um nome considerado não radiofônico. O filho do famoso historiador Luis da Câmara Cascudo era amigo de Edinho e Joãozinho. Câmara, conhecedor do talento dos rapazes acaba se tornando peça fundamental no início da carreira do Trio, que ainda se apresentava pelas rádios locais sem um nome definido. Sugere então um nome indígena para o trio: Muirakitan. O nome é aprovado, mas logo se descobriu que em Recife já existia um grupo musical feminino com o mesmo nome.  Para não virar Muirakitan masculino,  Câmara  sugeriu que se   eliminasse o “mu”.  Então, Muirakitan, que significava “Pedra Verde” se transformou em IRAKITAN, que significa “Mel verde” na língua Tupi.
     Estava então formado o TRIO IRAKITAN. Saíram de Natal rumo à Recife (terra natal de Gilvan) e passaram a se apresentar  na Rádio Clube de Pernambuco e logo se tornaram um grande sucesso de público. Decidiram então percorrer várias capitais do Norte e Nordeste com sua música, sempre com muito sucesso. Parte do dinheiro que ganharam com essas excursões é perdida no jogo, então o Trio dá o passo mais audacioso na carreira ao seguir viagem para o estrangeiro. Passaram pelas Guianas, Trinidad e Tobago e logo seguiram rumo à América Central, No México o Trio Irakitan permaneceu durante 3 anos seguidos e conseguiram uma tal projeção a ponto de fazerem vários shows e gravar discos de músicas brasileiras em castelhano e aparecer em filmes, como por exemplo “Llévame en tus brazos”, com Ninon Servilla, interpretando a canção “Banzo”, de Hekel Tavares e Murílio Araujo, e “O vento”, de Dorival Caymmi. Na volta ao Brasil, em 1954, se apresentam com a formação musical aprimorada – Edinho ao violão, Joãozinho no tantã e Gilvan no Afoxé - pela primeira vez no Rio de Janeiro. O sucesso do trio chama a atenção da gravadora ODEON que logo os contrata, e também da RÁDIO NACIONAL, que os contrata como atração fixa da programação. Inicía-se então uma carreira de muito sucesso também em solo nacional. Fazem participação especial em mais de dez filmes, trabalhando como atores principais em “Rio Fantasia”, “Virou Bagunça” e “Três colegas de Batina” e gravam vários discos que se tornaram recordistas de vendagem, incluindo versões em português de boleros como LA BARCA e BESAME MUCHO. Chegam a gravar um LP só de sambas em 1957, intitulado OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR. A sonoridade do trio empolgava Dolores Duran a se apresentar com eles. Por pouco o Trio Irakitan não fez a trilha sonora do filme "Inferno Verde", estrelado por Grace Kelly. Eles encontraram com o pessoal da Metro quando estes estavam procurando lugar para as locações do filme na Colômbia. Os potiguares cantaram "Maringá" e foram chamados para fazer a trilha sonora do filme, só que a turnê do Trio Irakitan se estendeu demais e eles perderam o lugar na trilha sonora para o Bando da Lua, grupo que acompanhava Carmem Miranda. Nat King Cole, em sua visita ao Brasil em 1959 se encantou com o talento do trio: Gravam juntos o disco ANDORINHA PRETA e, no LP em castelhano lançado por Cole o Trio Irakitan participa nos vocais e instrumentais.
     Com o sucesso da Bossa Nova e o movimento da Jovem Guarda já no “nascedouro”, o trio decide interromper as atividades por um tempo, logo após o lançamento do LP A BOSSA QUE GOSTAMOS DE CANTAR, em 1961, já haviam gravado um LP com Gregório Barrios no mesmo ano. Em 1965 a carreira do Trio Irakitan sofre um forte abalo com a notícia do suicidio de EDINHO, fato que ofuscou completamente o lançamento de AOS MEUS AMIGOS, LP que o trio gravara com Nat King Cole. Graças a persistência de Gilvan e Joãozinho, que buscaram em outros componentes um substituto para Edinho o trio retomou a carreira em 1967 com o LP A VOLTA,  já com Antônio Santos Cunha, o Tony (ex Trio Guarani) na formação. O trio seguiu sem fazer shows até 1972. A partir de então, com o bolero voltando às paradas de sucesso o trio retorna à rotina de shows, inclusive no exterior, apresentações em programas de TV e discos. Em 1981 Joãozinho sai do trio, dando lugar à IRAQUITAN da Costa. Em 1986, Tony  é substituído por Edildécio Andrade, o EDIL, cujo tímbre de voz era bem semelhante ao de Edinho. Joãozinho retorna ao trio em 1987 no lugar de Iraquitan. Em 1990 Joãozinho se ausenta mais uma vez do trio, pois precisaria passar por uma cirurgia e é substiuído por EDILSON Andrade, irmão de Edil. Essa ausência de Joãozinho seria definitiva: Ele entraria em um longuíssimo coma, que duraria até 14 de agosto de 2005, quando veio a falecer. No fim de 2008, Gilvan deixa o trio e é substituído por CARLOS Raposo. Em 21 de junho de 2009 um enfarte mata prematuramente Edil. Atualmente, o trio Irakitan segue fazendo apresentações pelo Brasil com a seguinte formação: Edilson, Tony (que retornou ao grupo após a morte de Edil) e JOSIAS Gaudêncio, que subistituiu Carlos Raposo.
     O disco que apresento aquí foi o lançado em 1957. Com um repertório exclusivamente de sambas e arranjos a cargo do maestro Astor, OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR é um disco maravilhoso. Aqueles que conhecem o Trio Irakitan intérpretes apenas de boleros irão se supreender com o suíngue e balanço do trio em faixas como O ORVALHO VEM CAINDO, a hilária COISAS DO CARNAVAL e DIZ QUE VAI, VAI, VAI. Lançaram em 1969 outro LP de sambas também muito bom, mas que não repetiu o sucesso deste OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR. Mais um presente de CULTURA CABESOUND à vc que prestigia o Blog!!!

Músicas

Lado 1:
01- O orvalho vem caindo (Noel Rosa – Kid Pepe)
02- Rosa morena (Dorival Caymmi)
03- Prá machucar meu coração (Ary Barroso)
04- Coisas do carnaval (Ary Barroso)
05- No taboleiro da baiana (Ary Barroso)
06- Mulher de malandro (Heitor dos Prazeres)

Lado 2:
01- Diz que vai, vai, vai (Hannibal Cruz)
02- Lá vem a baiana (Dorival Caymmi)
03- Agora é cinza (Bide – Marçal)
04- Ora, ora! (Almanyr Grego – Gomes Filho)
05- Samba da minha terra (Dorival Caymmi)
06- Tarde na serra (Lamartine Babo)

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