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sábado, 15 de outubro de 2011

Não é relaxamento…

     Estou devendo uma explicação para você, amigo(a) que nesse instante me dá o prazer da sua visita ao Blog. O título dessa postagem por sí só já justificaria resumidamente a falta de novas postagens mas, seria um trabalho de preguiçoso e até uma falta de respeito à você deixar de justificar detalhadamente a ausência.

     Bom, meu computador titular me deixou “na mão” literalmente escrevendo. Estou agora reaprendendo a trabalhar com um computador de 256 mega de memória RAM, sem ele não estaria postando essa justificativa (aproveito para agradecer ao amigo Caio pela cessão desse PC) numa época em que novos PC’s não saem das lojas com um mínimo de 2 GB de memória RAM. Estou tendo que me adaptar a novos programas com menos recursos que antes, mas mesmo assim não menos eficientes. Se antes eu usava um Sound Forge para digitalizar meus discos, agora usarei GoldWave, que ocupa bem menos espaço no PC, mas que pelos testes feitos não deixa cair a qualidade do trabalho final. Sendo assim, saiba que novidades estão vindo por aí, inclusive originárias da 4ª Feira do Vinil do RJ, que será realizada amanhã (16/10), espero estar por aqui ao retornar do evento postando as fotos, como sempre faço e posteriormente postando novos discos pois a “máquina” não pode parar de funcionar. Um abraço!!! 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vem aí a 4ª Feira do Vinil do RJ!!!


     Tá chegando o dia de mais uma Feira do Vinil. Estarei lá "pescando" mais algumas pérolas fonográficas para a minha coleção. Estarão expostos LP's, compactos, vitrolas, acessórios, memorabília & outros quitutes do universo musical. Presença também de DJ's e um show especial de encerramento, além de sorteio de brindes. Conto também com a presença de você, amigo do Blog CULTURA CABESOUND!!!

Local: CIB (Clube Israelita Brasileiro). A partir das 12:00hrs. Entrada Franca.
Endereço: Rua Barata Ribeiro, nº 489, próximo à Rua Santa Clara e ao metrô Siqueira Campos (saída Figueiredo de Magalhães).

sábado, 10 de setembro de 2011

Manito (1943 - 2011)





     A música brasileira hoje ficou órfã de mais um grande músico: MANITO, multinstrumentista que ficou célebre como um dos componentes do grupo OS INCRÍVEIS e, que nos anos 70 deu também sua contribuição com o rock progressivo nacional como um dos componentes da banda O SOM NOSSO DE CADA DIA.
     Nascido Antonio Rosas Sanches, em 05 de abril de 1943 na Espanha, MANITO, como ficou conhecido logo na infância, já era considerado um "Menino Prodígio" pois já se apresentava tocando bateria na orquestra de seu pai. Se mudou definitivamente para o Brasil aos 9 anos de idade e logo foi convidado para tocar com a Orquestra da Rádio Cultura de São Paulo, com enorme sucesso.
     Já plenamente adaptado ao Brasil, ainda na adolescência formou com suas irmãs seu primeiro grupo musical, chamado de LOS HERMANITOS. Anos depois, ingressou como baterista no grupo THE JORDANS. Entre seus componentes estava o guitarrista Mingo, que junto a Manito, ao Baterista Netinho, o guitarrista Risonho e o baixista Neno o formariam pouco tempo depois o grupo THE CLEVERS, que, contratados pela gravadora Continental em 1962 se tornou um dos grandes sucessos musicais da era "Pré-Jovem Guarda. O sucesso do grupo rendeu convites para várias apresentações inclusive fora do país, apresentações estas que incluiríam acompanhamentos à grande estrela da música jovem italiana da época: Rita Pavone. Problemas contratuais fazem com que o nome do grupo seja mudado para OS INCRÍVEIS e, com a entrada do baixista Nenê, assumindo o posto que era de Neno, o grupo alça võos ainda mais altos na escala do sucesso, que culmina com a ida para a RCA VICTOR e o lançamento, no ano de 1967, do LP PARA OS JOVENS QUE AMAM OS BEATLES, ROLLING STONES E... OS INCRÍVEIS, que trouxe entre outras canções os clássicos "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones" e "O milionário". 
     Em 1970, Manito lança seu primeiro disco solo, intitulado sugestivamente de O INCRÍVEL MANITO, com uma forte influência instrumental da Black Music.
     Em 1973, com a pausa das atividades de OS INCRÍVEIS, Manito ingressa no grupo de Rock Progressivo O SOM NOSSO DE CADA DIA, que se torna um dos grandes grupos nacionais de todos os tempos. Teve também uma breve passagem pelo grupo OS MUTANTES, em substituição a Arnaldo Batista.
     Manito, durante toda a sua carreira, foi muito requisitado para participações musicais em shows e discos de outros músicos. Em FRUTO PROIBIDO, um dos grandes sucessos fonográficos da carreira de Rita Lee, o solo de sax de Manito se faz presente principalmente em ESSE TAL DE ROCK N' ROLL. Anos mais tarde também deu sua contribuição luxuosa no DVD ACÚSTICO MTV do grupo ULTRAJE A RIGOR. 
     Em 2006, Manito começa a mais dura batalha de sua vida, quando descobre um câncer na laringe. O tratamento o faz acreditar que estaria livre para sempre da doença. O músico retoma a carreira se apresentando solo, ou em reuniões de OS INCRÍVEIS e O SOM NOSSO DE CADA DIA. Mas, em 2010 o tumor retorna. Mesmo em meio ao tratamento Manito segue firme a carreira, mas já dá sinais de que a sua saúde estava abalada, pois o tumor vinha se alastrando para o estômago e para a pele. Em maio deste ano o músico passou por uma cirurgia. A batalha de Manito contra o câncer teve seu último capítulo neste dia 09 de setembro, as 14 hrs, quando veio a falecer em sua residência, em São Paulo. O velório está sendo realizado no Cemitério de Araçá. O enterro será realizado neste dia 10 de setembro, as 15 hrs no Cemitério Horto Florestal (SP).
     O Blog CULTURA CABESOUND não poderia deixar de prestar esta homenagem à este que, sem sombra de dúvidas, foi um dos grandes músicos do mundo. Descanse em paz, INCRÍVEL MANITO!!!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Billy Blanco (08 / 05 / 1924 - 08 / 07 / 2011)

 

     Billy Blanco

    

    

     Gostaria de ter feito essa postagem na sexta-feira passada mesmo, mas devido ao cansaço e ao trabalho não consegui. Mas, a morte de um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos não poderia passar em branco aqui no Blog Cultura Cabesound. Então, mesmo com dias de atraso venho por esta postagem prestar minha singela homenagem à BILLY BLANCO, um dos precursores da Bossa Nova.

     Nascido William Blanco Trindade, em Belém do Pará, em 08 de maio de 1924, desde os 10 anos de idade mostrou interesse por poesias e passou a praticá-las, principalmente nas redações escolares, que eram feitas em versos, o que lhe garantiram muitas notas 10 em português. Mostrou interesse também pela música, fazendo paródias para canções conhecidas na época.

     Noel Rosa e seu parceiro Vadico foram os primeiros compositores na preferência do jovem William, que influenciado pelas melodias desses dois compositores começou a compor seus primeiros sambas, com uma clara preocupação na elaboração das letras e das melodias e, já fazia shows em quartéis, hospitais e escolas. Ao mesmo tempo, prestava Arquitetura na Escola de Engenharia do Pará. Na segunda série de engenharia civil se mudou para São Paulo em busca  de um tipo de curso de Arquitetura que não era prestado no Pará. Ingressou então no Mackenzie College, uma universidade americana tradicional. Passando para o quarto ano, se mudou em definitivo para o Rio de Janeiro e se matriculou na Faculdade de Arquitetura e Belas Artes do Rio de Janeiro, com a ajuda do arquiteto Sérgio Bernardes, se formando Arquiteto em 1950. Nesse período de estudos foi colega de classe de um certo Antônio Carlos Jobim, que na época também já era compositor e que logo se tornaria seu parceiro em várias composições clássicas de nossa música.

     Com vinda para o RJ vieram também as primeiras gravações de suas composições musicais por nomes conhecidos como Dolores Duran, Linda Batista, entre outros nomes. O primeiro grande sucesso da carreira foi ESTATUTOS DA GAFIEIRA, gravada originalmente por Inezita Barroso e posteriormente merecedora de várias regravações.

     Clássica também se tornou sua parceria com Baden Powell, que rendeu composições como SAMBA TRISTE, que mereceu regravações até no exterior.

     Voltando à parceria com Tom Jobim, reproduzo aqui um texto retirado do site oficial de Billy Blanco (http://www.musicabrasileira.net/billyblanco/):

     “É considerado um dos precursores da Bossa Nova, pois suas canções já eram leves numa época onde reinava a dor-de-cotovelo do samba-canção. Sobre este ponto é necessário falar da Sinfonia do Rio de Janeiro – Suíte Popular em Ritmo de Samba. Composta por Billy e Tom, ambos criando letra e música, a partir de uma sugestão de Billy que, ao se deparar com a visão da Cidade Maravilhosa, de dentro de um lotação, pensou alto o tema: “Rio de Janeiro, que eu sempre hei de amar, Rio de Janeiro a montanha, sol o mar!”  Na Sinfonia, o samba foi tratado como status de música erudita, antecipando o rigor camerístico com que João Gilberto abordaria o samba anos depois. Destacou-se, entre outros, o trecho Descendo o Morro, de moderna melodia cromática, e a A Montanha/O Morro, onde os dois doutores do asfalto reverenciam o samba de gente simples da favela.
     Com côro, orquestra (arranjada por Radamés Gnatalli) e elenco de estrelas da voz, a Sinfonia foi um ambicioso projeto de dois jovens que, depois  de longa peregrinação pelas gravadoras, conseguiram realizá-la pela Sinter em acordo com a Continental.
     Era muito difícil conseguir espaço num  meio onde reinavam Ary Barroso, Caymmi e Ataulfo Alves. Íam para  os corredores das rádios, de violão na mão, para tentar mostrar as músicas para os artistas.  Mas a Sinfonia surtiu o efeito  desejado: pouco tempo depois do lançamento, todos do meio musical  perguntavam quem eram aqueles dois talentosos rapazes.

     Em 1964, por ocasião do arquivamento da democracia e suas liberdades no país, regime de recessão que proporcionou a vários intelectuais uma temporada de veraneio nos quartéis e no exterior, Billy, depois de pagar sua cota de inteligência reprimida, foi para Nova Iorque por sessenta dias em companhia do então governador do Rio de Janeiro, Dr. Carlos Lacerda (que logo seria também execrado pelo regime), a fim de traduzirem a peça “How to succeed in business without really trying”, que virou no Brasil “Como vencer na vida sem fazer força”. Foi Alfredo Machado, então presidente da Editora Record, que iria produzir com Oscar Ornstein a peça no Brasil, quem mandou Billy para os EUA com a incumbência de assistir quantas vezes fossem necessárias a peça, para se concretizar a adaptação ( não  simplesmente a versão) das 18 músicas da peça. Os diálogos estavam a cargo de Carlos Lacerda.
      Em seguida foi feito o mesmo processo para “Sound of Music” que tomou no Brasil o título de “Música, Divina Música”, esta em parceria coma Marise Murray.  Escreveu para cinema e teatro, destacando-se o musical ‘Chico do Pasmado” com Aurimar Rocha – “Rio de Janeiro a Janeiro” de parceria com Tom Jobim para o show de Carlos Machado na boite Night and Day.  Teve músicas em vários dos famosos “Carnavais Atlântida” filmados no Rio e no filme de Hugo Christensen “Crônica  da Cidade Amada”.”

     Em 1974, concluiu após 10 anos de composição a Suite Paulistana, composta por 15 canções, interpretadas por Elza Soares, Claudia, Pery Ribeiro, Claudette Soares, entre outros nomes.

     Em 1995, Billy Blaco sofreu um enfarte que quase lhe tirou a vida, mas não o impediu posteriormente de seguir a carreira musical. No ano seguinte lançou o livro “Tirando de Letra a Música”, pela Editora Record.

     Em Novembro do ano passado foi apresentado um espetáculo em homenagem à Billy Blanco no Teatro Rival, no RJ, baseado no CD TRIBUTO A BILLY BLANCO, produzido por Ana Duarte, esposa de Pery Ribeiro, lançado pela gravadora Leblon Records. Nessas alturas, Billy Blanco já estava internado no CTI do Hospital Pan Americano, em decorrência de um AVC sofrido 1 mês antes e, que já lhe prejudicara a fala.

     O coração de Billy Blanco parou definitivamente de bater nesta sexta-feira, dia 08 de julho de 2011, foi a perda definitiva da luta contra o AVC. Seu corpo foi cremado no Cemitério do Cajú, também no RJ.

     O compositor se foi, mas músicas inesquecíveis como ESTATUTOS DA GAFIEIRA, TERESA DA PRAIA e MOCINHO BONITO ficarão para sempre na memória e nos corações de todos os que apreciam a boa música. Descanse em paz, Billy!!!

sábado, 25 de junho de 2011

Pierre Kolmann e Seu Conjunto – Para Dançar (Musidisc – 1957).


Para dançar
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Link reativado em 18/08/2015
  
    Mais música instrumental de qualidade aqui no Blog Cultura Cabesound. Dessa vez apresento um LP lançado pela gravadora Musidisc no ano de 1957 com Pierre Kolmann e Seu Conjunto, sugestivamente intitulado como PARA DANÇAR. Mas, quem foi Pierre Kolmann?
     A partir dos anos 50, até por razões contratuais, vários músicos se valeram  de  pseudônimos para lançar discos por outras gravadoras e não terem qualquer tipo de problema com quem os mantiam sob contrato, Nilo Sérgio, um dos nossos grandes músicos de todos os tempos e fundador/dono da gravadora Musidisc, quando retornou ao Brasil em 1953 após tentar sem sucesso carreira de cantor nos EUA, trouxe na bagagem muito conhecimento sobre a indústria musical que começava a se expandir no mundo todo graças principalmente aos LP’s, que começavam a tomar o lugar dos antigos 78 RPM na prateleira dos discófilos. Também trouxe experiência suficiente num assunto que até então não era explorado pelas gravadoras brasileiras: o Marketing Comercial. Quando fundou a Musidisc, Nilo Sergio colocou em prática toda essa experiência, já que ele passou a ver a música também como um produto comercial, exatamente como se fazia nos EUA. Se os antigos 78 RPM eram comercializados embalados apenas em um simples envelope de papel e com o selo da gravadora em questão, a partir dos LP’s de 10 polegadas passou-se a ter também o cuidado com a arte visual nas capas, o que Nilo Sergio soube como ninguém utilizar nos lançamentos da sua Musidisc. Também, seguindo as novas tendências e estilos musicais que vinham de fora, a Musidisc foi uma gravadora pioneira por lançar discos em que músicos famosos da época e também orquestras se valiam de pseudônimos com forte influência musical estrangeira. Dois dos grandes sucessos da gravadora eram músicos e orquestras devidamente renomeados: a orquestra de Severino Araújo era a famosa ORQUESTRA ROMÂNTICOS DE CUBA, talvez o maior sucesso comercial da Musidisc junto com ED LINCOLN, inclusive no exterior; Moacyr Silva e Zito Righi incorporaram o saxofonista fictício BOB FLEMING, responsável pela série SAX ESPETACULAR, também outro grande sucesso da gravadora.
     Mas, o disco aqui em questão é de Pierre Kolmann e Seu Conjunto. Mais uma vez pergunto: Quem foi Pierre Kolmann? Nada mais nada menos do que o grande pianista BRITINHO (nascido João Adelino Leal Brito, em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 05 de maio de 1917), responsável por uma extensa obra fonográfica durante as décadas de 30 e 60, com mais de 40 discos lançados.
     Esse PARA DANÇAR foi o primeiro disco lançado por Britinho sob o pseudônimo Pierre Kolmann. Na época, o título do LP e até o seu conteúdo musical foram alvos de uma certa polêmica, já que existia uma semelhança em todos os sentidos musicais com Waldir Calmon e sua série de discos FEITO PARA DANÇAR, o próprio Waldir chegou a ser brevemente acusado de ser o pianista escondido por trás do pseudônimo Pierre Kolmann, mas depois de anos a verdadeira identidade de Kolmann foi revelada: BRITINHO.
     Curiosidade: o que muitos não perceberam é que a música que fecha o disco é de autoria do próprio Britinho: Pensando em ti. Estava alí a verdadeira identidade do pianista Pierre Kolmann e ninguém percebeu.
     Disco super agradável de se ouvir e que faz jus ao título, pois foi lançado com o intuito de fazer o ouvinte realmente dançar ao som de cada melodia apresentada aqui. Repertório formado básicamente por sucessos da época, este PARA DANÇAR não poderia ficar de fora do Blog Cultura Cabesound, mesmo que um ou outro desgaste nos sulcos tentasse impedir meu trabalho de remasterização. Mas o disco está aqui, como mais um presente para você, amante da boa música!!!

Dados do Disco:

Capa: Joselito
Foto: Mafra

Músicas
Lado 1:
01- Maracangalha (Dorival Caymmi)
02- Summertime in Venice (Icini – Sigman)
03- Que sera sera (J. Livingston – R. Evans)
04- Conceição (Dunga – Jair Amorim)
05- Inamorata (J. Broocks – H. Warren)
06- Anema e core (S D’Exposito – T. Manilio)

Lado 2:
01- Night and day (Cole Porter)
02- Canadian sunset (Eddie Hewoj)
03- Dolores (Hubert Giraud)
04- Domani (J. Minucci – T. Velona)
05- None but A lonely heart (P. Tschaikowsky)
06- Pensando em ti (Britinho)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Elizeth Cardoso e Silvio Caldas (Copacabana Discos - 1971).


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Link reativado em 30/06/2015

     Volto às postagens do Blog com algo muito especial: ELIZETH CARDOSO E SILVIO CALDAS, LP duplo histórico lançado em 1971 reunindo 2 dos grandes nomes da MPB. Trago para você, que me dá a alegria de sempre prestigiar o blog CULTURA CABESOUND o volume 1 e, espero em breve poder postar também o volume 2.

   Desta vez, ao invés de colocar aqui uma biografia de ambos (o que será feito em futuras postagens de discos de Elizeth e de Silvio em separado), transcreverei fielmente o belíssimo texto de Emilio Vitale, então Diretor Geral de Produção da Copacabana Discos, contido no interior da capa dupla do álbum. Esse texto dará à você a noção exata da importância de tal disco para a Música Popular Brasileira. Eis o texto:

     " Estávamos no ano de 1958! Um dia, quando a diretoria se achava reunida, meu irmão Vicente, que nessa época era Diretor Responsável pela Direção Artística, disse em plenário: "Desejo realizar um LP que será o Disco de Ouro da Copacabana - ELIZETH CARDOSO e SILVIO CALDAS, juntos!". Todos o aplaudiram! Vicente tentou realizar o seu desejo mas não conseguiu. Anos depois Vicente retirou-se do seu cargo, que foi assumido por mim. Mas aquela idéia não saía de minha cabeça. Várias vezes falei com Elizeth e Silvio. Lembro-me bem do primeiro contato com Silvio: foi no Noturno da Central durante uma viagem com destino ao Rio. Feita a proposta, Silvio disse logo: "Com Elizeth eu topo, porque ela é autêntica, como eu. Vivemos sempre com os mesmos ideais sobre arte musical e sobre a música brasileira pura".
     É importante salientar que essas declarações foram feitas quando o Brasil e em todo o mundo imperavam a música jovem, guitarras elétricas, etc.
     Serestas, valsas, modinhas, o próprio samba, estavam praticamente ausentes das programações das Emissoras, canais de TV, inclusive das gravadoras.
     Quando conversei com Elizeth, embora em outras palavras, a resposta foi a mesma: " Isso, Emilio, seria formidável porque Silvio tem permanecido no tempo como eu: um puro sangue; pura música nossa. Estou à sua disposição! O dificil é encontrar Silvio para nos reunirmos e depois pormos o plano em execução. Mas terá que ser um disco bem cuidado".
     " Para esse disco - respondi - a Copacabana porá à disposição tudo o que for necessário, não poupando esforços para que o LP se constitua num lançamento histórico".
     O tempo passava, Silvio às vezes se encontrava no Recife, em Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, em longas temporadas artísticas. Quando não excursionava, refugiava-se no seu sítio em Atibaia. Além disso, houve alguns períodos em que se achava contratualmente preso a outras gravadoras.
     Elizeth, excursionando várias vezes para o exterior, contribuia também para o atraso da realização do LP. Outras vezes era eu que me ausentava do país.
     O tempo continuava passando. A idéia permanecia. Aliás, por incrível que pareça, o tempo ia se tornando meu aliado porque, cada ano que passava era mais um ponto em favor do sucesso e do prestígio desses dois inigualáveis e queridos artistas de nossa terra.
     Para Elizeth foram conferidos mais títulos, mais prêmios, mais adjetivos entre os quais: A DIVINA - A ENLUARADA.
     Elizeth foi se consagrando cada vez mais com memoráveis espetáculos. Interpretou as "Bacchianas" de Villa-Lobos no Teatro Municipal de São Paulo e no do Rio, tendo sido aplaudida, de pé, durante 15 minutos. Fato inédito.
     Na noite do festival promovido pelo Museu da Imagem e do Som, no Teatro João Caetano, recebeu outra enorme consagração. Depois, no próprio Museu, viu Elizeth que se realizava com enorme sucesso uma exposição sobre a sua personalidade - outra grande prova do seu prestígio.
     Apesar das estratégicas retiradas de Silvio para estados longinquos e sua cotidianas fugas para o seu sítio, quando de suas apresentações no Rio e em São Paulo notávamos a imensa saudade que dominava o público, obrigando-o a permanecer por longas temporadas onde quer que se apresentasse. Assim, ambos foram se tornando mais e mais queridos pelas suas legiões de fãs.
     Passaram-se os anos e, eis que os programadores de Emissoras, Canais de TV, Casas de Diversões e as próprias Gravadoras começaram a sentir falta da música genuinamente brasileira e, assim, para a satisfação de todos, as serestas, modinhas, sambas e sambões, enfim, todas as nossas músicas autênticas voltaram a ser apreciadas e os jovens passaram a aplaudi-las mais até do que os mais velhos. A prova está na quantidade de Casas que só executam o samba puro e outras há que dedicam noites inteiras às saudosas serestas.
      Assim, se um LP tivesse sido lançado alguns anos atrás, não teria sido tão oportuno nem tampouco expressivo como é hoje, já que Silvio e Elizeth resistiram ao tempo, à transformação da música e aos ritmos mencionados, permanecendo intangíveis a tudo, consagrando-se cada vez mais, definitivamente no cenário artístico-musical popular.
     Continuava ainda o tempo a passar e eu a persistir na idéia. Falei com muita gente. Silvio recebeu muitos recados e muitos apelos. Elizeth, que se encontrava mais próxima de mim, estava sempre na expectativa dessa realização, embora já não alimentasse nenhuma esperança. Também pudera! uma idéia de 12 anos sem solução, era para desanimar!
     Moacyr Silva, um dos funcionários do setor de produção artística, disse-me em dezembro p.p., todo orgulhoso: " Falei com Silvio prá valer, dessa vez vamos realizar o seu sonho! Ele vai dar um show na Ilha dos Pescadores; se o senhor for à Ilha comigo, poderemos acertar os últimos detalhes; garanto que dentro de 3 meses lançaremos o LP - ELIZETH CARDOSO e SILVIO CALDAS.". A princípio duvidei; algo porém me dizia que era chegado finalmente o momento.
     Na estréia de Silvio, eu e toda a minha equipe nos instalamos na Ilha. Assistimos a mais um êxito de Silvio numa noite inesquecível. Foi memorável também porque selou definitivamente a realização do LP.
     Coloquei à disposição de Silvio e de Elizeth todo o nosso setor artístico do Rio e de São Paulo. Foram convidados todos os maestros, regentes, músicos, técnicos, lay-autistas, enfim todos os elementos que ambos exigiram, a fim de que se realizasse a contento a tão esperada produção. E aí está ela. O entusiasmo foi tão grande que Elizeth e Silvio foram gravando, gravando, e o resultado final foi que pelo grande número de gravações realizadas foi preciso lançar 2 álbuns. Assim, se o tempo de espera foi longo, foi bem compensado porque em vez de 1 LP estou entregando aos fãs de ambos 2 álbuns de ouro!
     Quero de público deixar os meus agradecimentos em primeiro lugar aos queridos artistas e meus grandes amigos Silvio e Elizeth, por atenderem a meus apelos. À Moacyr Silva por sua valiosa intervenção e perseverança no momento oportuno; à Paulo Rocco e novamente Moacyr, pela produção; aos maestros Luís Arruda Paes, Luís Chaves e Leo Peracchi pela dedicação; ao extraordinário Regional de Canhoto, que tão carinhosamente acompanhou esta realização; aos técnicos Rogério Gauss e Renaldo Mazziero que não mediram esforços no desempenho de suas funções; ao engenheiro de som Carlos de Assis Moura pela supervisão de toda a parte técnica junto aos seus comandados, a fim de que a qualidade de som fosse a melhor; por último, quero agradecer também à equipe que trabalha sob minha orientação, de vez que também ela não poupou esforços para que esta produção fosse coroada de êxito, à altura do meu desejo, bem como de meus irmãos José e Afonso, os quais há muito vinham aguardando este lançamento.
     Aos fãs de Elizeth e Silvio peço perdoarem pela demora havida, não foi por minha culpa, foi do tempo que, caprichoso, preferiu que ambos ficassem mais velhos, mais e mais queridos para que estes 2 LP's fossem guardados como jóias de inestimável valor.
     Não vou comentar nenhuma faixa, prefiro que cada cronista de Rádio, TV, Imprensa e principalmente cada qual em particular o fala expontâneamente.
     Ao apresentar estes 2 álbuns, a Copacabana o faz com muito orgulho, esclarecendo que obedeceu ainda ao propósito de fazer desta produção uma obra viva, um repertório destinado a glorificar a nossa música e não apenas mais dois discos para ficarem simplesmente nas discotecas.
     Não tenho palavras para expressar o que sinto; por isso, muito comovido digo somente: obrigado Elizeth. Obrigado Silvio, o nosso sonho foi realizado! ".
     
Músicas:

Lado 1:

01- Pout-Pourri
Serenata (Silvio Caldas - Orestes Barbosa)
Apêlo (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
Arrependimento (Silvio Caldas - Cristóvão de Alencar)
Canção de amor (Chocolate - Elano de Paula)
Quase eu lhe disse (Silvio Caldas - Orestes Barbosa)
Nossos momentos (Haroldo Barbosa - Luis Reis)
Inquietação (Ary Barroso)
Consolação (Vinicius de Moraes - Baden Powell)
Meus vinte anos (Wilson Batista - Silvio Caldas)
02 - Chão de estrelas (Orestes Barbosa - Silvio Caldas)
03 - Mente ao meu coração (Malfitano - Pandia Pires)

Lado 2:

01 - Serra da boa esperança (Lamartine Babo)
02 - Andorinha (Silvio Caldas)
03 - O amor é assim (Sivan)
04 - Tristezas não pagam dívidas (Ismael Silva)
05 - Modinha (Sérgio Bittencourt)



     





sábado, 28 de maio de 2011

Bert Kaempfert e Sua Orquestra–Blue Midnight (CBD/Polydor–1965)

Blue midnight
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 Link atualizado em 29/03/15

     Um tempinho sem novas postagens devido a uma nova configuração que efetuei em meu computador e hoje finalmente volto ao meu querido Blog com mais um disco desse grande músico alemão, que é um dos campeões de acessos no CULTURA CABESOUND.
     Se em THAT LATIN FELLING, disco anterior,  Bert Kaempfert fez uma maravilhosa homenagem musical voltada aos rítmos latinos, esse BLUE MIDNIGHT é um disco autoral quase que na totalidade, provando que Bert Kaempfert além de um grande maestro era também um compositor de melodias muito inspiradas. Disco muito bom do início ao final que trago de presente para você, que sempre me dá o privilégio de contar com a sua visita. A “casa” agradece!!!

Músicas
Lado 1:
01- Treat for ttrumpets (Kaempfert)
02- Goodnight sweet dreams (Kaempfert – Rehbein)
03- Love (Kaempfert – Gabler)
04- Blue midnight (Kaempfert – Rehbein)
05- Love comes but once (Kaempfert – Rehbein)
06- Cotton candy (Damon)

Lado 2:
01- Free as a birl (Kaempfert)
02- Lonely nightingale (Kaempfert – Rehbein)
03- Almost there (Keller – Shaine)
04- Java (Friday – Toussand – Tyler)
05- Three o’clock in the morning (Robledo)



sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ronnie Von nº 3 (CBD/Polydor – 1967).

Ronnie Von P
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Link reativado em 28/03/2015

     Ronnie Von, nas várias entrevistas que deu ao longo da carreira, sempre mostrou que entre todos os discos que ele lançou, esse RONNIE VON Nº 3 tem um lugar especial na sua preferência, devido a diversidade nos arranjos e a indicação de mudanças de rumo em seu estilo musical, mostradas definitivamente no disco lançado no ano seguinte: o hoje aclamado Ronnie Von (1968), disco de Psichodelic Rock, como o próprio Ronnie define e que o fez tornar CULT entre os amantes da música feita no mundo no final dos anos 60.
     Para começar a deixar de lado aquela imagem de “Pequeno Príncipe” e de ídolo da Jovem Guarda, que só cantava músicas “melosas” e que o fez de uma forma meteórica uma ameaça até para o reinado do então idolo maior da juventude brasileira (Roberto Carlos), Ronnie procurou nos futuros ícones do movimento musical que se chamaria TROPICÁLIA a mudança de rumos musicais que ele tanto queria. Em seu programa de TV intitulado O PEQUENO MUNDO DE RONNIE VON (TV Record) ele já contava com os acompanhamentos musicais do trio Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias Baptista, que o próprio Ronnie ajudou a batizar com o nome de OS MUTANTES e passou a ser mais visto na companhia de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogerio Duprat, entre outros futuros tropicalistas, do que com seus antigos colegas de Jovem Guarda. E foi Rogerio Duprat o responsável pelos arranjos musicais e a produção deste RONNIE VON Nº3, primeiro disco de capa dura dupla da companhia (denominado álbum especial, com pomposo código AL – 01), que teve acompanhamento musical em algumas faixas dividido entre o próprio Os Mutantes e o grupo argentino Beat Boys, grupo que acompanhou Caetano Veloso na apresentação de “Alegria Alegria” no III Festival de Música Popular Brasileira e que também acompanhou Gal Costa em “Divino Maravilhoso” no festival seguinte.
     O disco abre com UMA DUZIA DE ROSAS, do mesmo Carlos Imperial do mega sucesso A PRAÇA, que Ronnie apresentou junto com outra canção contida nesse disco no festival de 1967: BELINHA. Segue com a participação especial de Os Mutantes na faixa O HOMEM DA BICICLETA. O próprio Caetano Veloso dá uma “canja” em PRA CHATEAR, música gravada de uma forma tão descontraída que Ronnie deixa escapar uma risada em um trecho da gravação. O momento mais fraco do disco é sem dúvida a faixa VAMOS FALAR DE VOCÊ, o único momento extremamente “meloso” do disco. O experimentalismo psicodélico e os efeitos sonoros já estavam presentes aqui em faixas como ÚLTIMO HOMEM DA TERRA e a divertida SONECA CONTRA O BARÃO VERMELHO. MEU MUNDO AZUL é outra dessas faixas experimentais: com um belíssimo arranjo barroco, a faixa foi gravada com o microfone de Ronnie ligado a um amplificador de guitarra, fazendo um efeito “tremolo” em sua voz. Ronnie e o então diretor artístico da CBD André Midani gostaram muito do resultado final da gravação, mas os fãs entenderam o efeito como “defeito de fabricação” e provocaram uma das maiores devoluções de discos às lojas da história da música brasileira e, além disso os fãs não “digeriram” bem a tal mudança de rumos musicais, taxando várias canções contidas aqui como “esquisitas”. O investimento da gravadora no disco foi enorme e o prejuízo também.
     Mas, tirando o “demérito” de ter sido talvez o maior fracasso comercial da carreira de Ronnie, esse disco tem muita qualidade musical e estava muito a frente do que se fazia na época no Brasil musicalmente falando.  
     Transcrevo aqui também um belo texto feito pelo próprio Ronnie, contido na parte interna da capa dupla:
     “ A cantiga que eu canto é de puro amor. E o amor é presença em tudo que é de paz: na criança que brinca, na flor que nasce, no pássaro cortando o azul. Meu canto é de paz e amor, e é todo ele em tom de criança, de cores, flores, céu e mar.
     É o vento o dono da minha canção mais pura. Minha voz, a mensageira da esperança aos que acreditam num mundo de todos irmãos.
     Cantemos juntos como numa cantiga de roda, de mãos dadas, de olhos irmãos, em festa de ternura, todos juntos. E a canção é de todos vocês de todos os cantos, de todos os pontos, de todas as crenças, de todas as raças. “
     É este disco que trago agora aqui ao blog Cultura Cabesound, de presente para você, que me dá a alegria do seu prestígio e que poderá atestar na realidade que esse disco foi um dos melhores lançamentos nacionais daquele longinquo ano de 1967.

Fotos da capa: Editora Rio Gráfica e Manchete

Músicas:

Lado 1:
01- Uma dúzia de rosas (Carlos Imperial)
02- O homem da bicicleta (Olmir Stokler “Alemão” – Newton Siqueira Campos). Com Os Mutantes
03- A chave (Malcolm Dale)
04- Minha gente (Demétrius)
05- Belinha (Toquinho – Vitor Martins)
06- Vamos falar de você (Arnaldo Saccomani)
07- Soneca contra o Barão Vermelho “Snoopy VS The Red Baron” (Gernhard – Holler – Versão: Carlos Wallace)

Lado 2:
01- Pra chatear (Caetano Veloso). Com Caetano Veloso
02- A filha do rei (Renato Teixeira)
03- Meu mundo azul “Lullaby to tim” (Clarke – Hicks – Nash – Versão: Fred Jorge)
04- O último homem da terra (Arnaldo Saccomani)
05- O manequim “La mannequin” (Paul Mauriat – A. Pascal – Versão: Fred Jorge)
06- A importância da flor “Lovers of the world united” (Greenaway – Cook – Versão: Fred Jorge)
07- Jardim de infância (Nelson e Fábio Luiz)
Todas as canções produzidas e arranjadas por Rogerio Duprat (não creditado no disco).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Erlon Chaves & Banda Veneno - Banda Veneno Internacional (Phonogram/Fontana - 1972).


          Download aqui

Link reativado em 09/06/2015

    Um dos maiores maestros e arranjadores do Brasil e do mundo ganha seu espaço e o reconhecimento merecido aqui no blog Cultura Cabesound: Erlon Chaves.

Erlon Vieira Chaves nasceu em São Paulo, em 09 de Dezembro de 1933. Desde criança mostrou interesse em seguir carreira musical e, ainda menino, se apresentou na Rádio Difusora de São Paulo, no programa infantil Clube do Papai Noel, cantando a música Rosa (Pixinguinha). Aos 7 anos de idade começou a estudar no Conservatório Musical Carlos Gomes, formando-se em piano 10 anos depois, mas continuava a se apresentar regularmente na Rádio Difusora. Aos 17 anos cursou canto com Tercina Saracceni e passou a tocar em boates e clubes de dança, onde adquiriu experiência musical com outros músicos que tocavam nesses locais. Em 1953, começa a estudar harmonia, instrumentação e regência com os maestros Luis Arruda Paes, Renato de Oliveira e Rafael Pugliesi. Conseguiu emprego na extinta TV Excelsior de São Paulo, chegando a compor uma sinfonia que acabou se tornando o prefixo musical da emissora.
     Em 1965 se transfere para o Rio de Janeiro e passa a trabalhar na extinta TV Tupi e depois é contratado pela TV Rio, sendo promovido a Diretor Musical. No ano seguinte foi o diretor e um dos criadores do FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO (FIC), tendo inclusive composto o prefixo musical do evento, que na época ainda era promovido e transmitido pela TV Rio.
     Foi um dos maestros e arranjadores mais requisitados pelos maiores cantores brasileiros da época, tendo inclusive acompanhado Elis Regina nos shows que ela fez na França, em 1968.
     O ano de 1970 foi o verdadeiro divisor de águas da carreira de Erlon Chaves: Acompanhado por sua BANDA VENENO e um coral de 40 vozes, denominado SAM (Sociedade Amigos do Mocotó), se apresentou no V FIC como uma espécie de surpresa do festival, colocando jurados e um lotado Maracanãzinho para dançar ao som de EU TAMBÉM QUERO MOCOTÓ, de autoria de Jorge Ben. Erlon chegou a declarar na época: “- Mocotó é tudo de bom, tudo de alegre, só o Jorge poderia fazer uma canção alegre assim.”. Na final do festival, em 25 de Outubro daquele ano, Erlon causou polêmica ao, digamos, colocar um “molho” a mais na apresentação de EU TAMBÉM QUERO MOCOTÓ. No meio da apresentação, Erlon anunciou: “- Agora vamos fazer um número quente, eu sendo beijado por lindas garotas (louras). É como se eu fosse beijado por todas as mulheres presentes aqui.” Para um país que vivia em plena época de Ditadura Militar e em regime conservador, aquele espetáculo de um negro sendo beijado por várias mulheres louras foi um escândalo, a plateia vaiou e Erlon, mesmo com o 6º lugar do festival, foi levado alguns dias depois para um interrogatório na Censura Federal que, logo depois o levou à prisão por influência de algumas esposas de generais da Ditadura. Quando foi solto, Erlon foi impedido de exercer suas funções profissionais em território nacional durante 30 dias. Infelizmente, aquele festival deu à Erlon uma imagem de Auto-Suficiente, muitos passaram a taxá-lo de “crioulo nojento” e “negro que só gosta de loura”, mas, na realidade, o país ainda vivia com um alto grau de sentimento racista por parte de alguns segmentos da sociedade, exemplo disso é que numa mesma época Toni Tornado, que foi o vencedor daquele festival com BR3, foi “convidado a sair do país” pela clara alusão ao Black Power e gestos que remetiam aos Panteras Negras e, em 1972, Wilson Simonal, um dos melhores amigos e parceiros de Erlon Chaves, foi acusado de “Delator da Ditadura Militar”, vendo sua carreira musical se arruinar a partir de então.
     Erlon passou então a limitar seu trabalho à tarefa de arranjador, mas ainda conseguiu recuperar um pouco da credibilidade com o grande público se tornando jurado do programa Flávio Cavalcanti, seus comentários e opiniões mostraram ao público um músico com alto grau de conhecimento e sensibilidade.  A Banda Veneno, que a princípio foi escalada apenas para aquela apresentação no V FIC, acabou por se tornar parte importante da carreira de Erlon. Com a banda, Erlon lançou uma série de LP’s denominada “Banda Veneno Internacional”, alcançando relativo sucesso de vendas.
     Em 14 de Novembro de 1974, Erlon Chaves nos deixou, vitimado por um enfarte fulminante, alguns dizem que o ataque foi de repente enquanto escolhia alguns discos de Jazz em uma loja da Zona Sul do RJ, outros mantém a versão de que Erlon enfartou na realidade em decorrência de uma acalorada discussão com algumas pessoas em que ele (Erlon) defendia com unhas e dentes seu amigo Simonal, que na época se encontrava preso. O músico se foi, mas a qualidade musical de seus arranjos ficaram para a posteridade nos seus discos lançados, exemplo disso é esse BANDA VENENO INTERNACIONAL, primeiro de uma série de 5 LP’s em que o maestro e a Banda Veneno dão seu toque pessoal à grandes sucessos internacionais da época, com estilo e elegância. Esse é mais um presente especial do blog Cultura Cabesound à você, que me dá a alegria de seu prestígio ao blog e, assim como eu, curte música de qualidade!!!

Dados do Disco

Ficha Técnica:
Direção de Produção: Mazola
Técnicos de Gravação: Ary – Luigi
Estúdio: Phonogram, em 8 canais
Arranjos: Erlon Chaves
Corte: Joaquim Figueira
Técnicos de Mixagem em 8 canais: Mazola – Ary
Foto da Capa: José Maria de Mello
Arte: Aldo Luiz

Músicas
Lado 1:
01- I love you baby (D. Vangarde – Jil King) / Crying (J. Bouwens)
02- The girl from Paramaribo (Berlipp)
03- If you never say goodbye (Bacharach – David) / Café Regio’s (Isaac Hayes)
04- Pop concerto show (Senneville – Toussaint) / Summer Holiday (T. Temple – D. Clyde)
05- Viens avec nous (Triangle) / Floy joy (W. Robinson)
06- Concerto pour un eté “Concerto para um verão” (A. Morisod)

Lado 2:
01- Velvet mornings (R. Constantinos – S. Vlavianos) / Shabala (F. François – A. Darmor)
02- Rock and roll Lullaby (Barry Mann – Cynthia Weil) / Song sung blue (Neil Diamond)
03- Money runner (Quincy Jones) / Mama, Papa “Nana, Nana” (F. Arbex – H. Van Hemert)
04- Day after day (Peter Ham) / Jesus (M. Hamburger – P. Darjean)
05- Long ago tomorrow (Bacharach – David) / Alone again “Naturally” (O’ Sullivan)