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terça-feira, 1 de maio de 2012

Pe. Zezinho SCJ – Histórias que eu conto e canto… músicas para quem medita (Edições Paulinas Discos – 1974)

Pe Zezinho 1974
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Link reativado em 23/04/15
 
     A muito tempo que eu não fazia postagens de conteúdo cristão no BLOG CULTURA CABESOUND. Resolvi então fazer a primeira postagem voltada ao público católico, provando mais uma vez que existe espaço aqui para a música de todos os estilos e vertentes e, também para a música Cristã, seja ela Evangélica ou Católica. E a postagem de hoje é especialíssima, pois é um lp original de um dos líderes religiosos mais reconhecidos e respeitados no Brasil e no mundo e, considerado o pioneiro, dentro do Catolicismo, no uso da música e dos meios de comunicação como instrumentos de evangelização: Padre Zezinho.
     José Fernandes de Oliveira nasceu em Machado (MG) em 08 de junho de 1941. Filho de Fernando e Valdevina Oliveira, era o caçula de 6 irmãos. A família era simples, mas sempre soube transmitir os passos da fé, o respeito pelo trabalho, dedicação aos estudos e o gosto pela música. Sr Fernando, o pai, media terras, transportava o gado e nas horas vagas dedilhava canções em sua viola. E, foi em um desses transportes de gado que ele sofreu um acidente que o causou uma séria lesão na coluna, que o deixou paraplégico. Com a impossibilidade do patriarca da família trabalhar, as dívidas foram aumentando, o que causou a venda do pouco que a família possuia para quitar essas dívidas. A solução encontrada para solucionar os problemas financeiros foi a mudança para a cidade de Taubaté (SP), onde existia uma fábrica onde os três filhos mais velhos poderiam trabalhar para ajudar no sustento. A caridade de amigos e vizinhos também foi importante nesse período de dificuldades.
     Aos 7 anos, Zezinho se tornou Coroinha e aos 9 anos viu um de seus irmãos entrar para o seminário da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) em Taubaté. Cada vez mais a chama sacerdotal ia se acendendo na vida de Zezinho. Aconselhado pelo irmão, que voltou do seminário, Zezinho manteve firme sua vocação sacerdotal. Vários anos de formação intelectual se passaram, seja nos seminários de Lavras (MG) ou de Corupá (SC) e, ao contrário de muitos adolescentes que desistem da vocação por saudades da família, Zezinho seguiu firme a sua caminhada. A música também passou a ser companheira constante: ainda no seminário, aprendeu a tocar Órgão e aprimorou seus conhecimentos musicais com as aulas do Padre Germano Better, alemão de formação clássica, onde também aprendeu canto lírico. Sempre se enturmou com facilidade e, sempre mostrou uma postura de líder. Foi então se formando a faceta seminarista, pois tinha grande facilidade de comunicar-se com os mais jovens. Seus superiores decidiram então por enviar Zezinho aos EUA, onde pôde se aperfeiçoar na doutrina cristã durante 4 anos. Aos 25 anos, foi ordenado Padre.
     De volta ao Brasil, o já Padre Zezinho, SCJ, iniciou suas atividades pastorais na Paróquia São Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara (SP), ao mesmo tempo em que começava a colocar em prática seus conhecimentos musicais escrevendo suas primeiras canções, com o intuito simplesmente de usá-las nas missas. Para atrair cada vez mais jovens para a igreja, Pe Zezinho fez uso da música e do teatro na igreja onde pastoreava. Não apenas atraiu os jovens, mas atraiu pessoas de outros bairros e cidades, mas também a ira de setores mais conservadores da igreja católica, mas, aos poucos essa “ira” foi se transformando em respeito e admiração. Nesse período, cerca de 14 mil jovens ficaram aos seus cuidados.
     Corria o ano de 1968 quando, numa dessas revolucionárias missas dominicais, onde Pe Zezinho cantava suas próprias canções, acompanhado além de violões, por guitarra elétrica e Teclados e, também pela sua já grande legião de seguidores fiéis, recebeu a visita de irmã Maria Nogueira, então Diretora das Edições Paulinas Discos. Lá ela pôde constatar que aquele jovem Padre, recém chegado dos EUA, tinha uma bela voz e compunha muito bem. Foi então, que em 1969, Pe Zezinho SCJ se tornou o primeiro padre a ter um disco gravado: o compacto  CANÇÃO DA AMIZADE. Foi a partir de então, que aquelas canções, feitas simplesmente para serem usadas nas missas dominicais, foram se tornando sucesso no país inteiro e também no mundo. A voz e a música de Pe Zezinho SCJ se tornaram referência e, são admiradas não apenas no meio católico, mas em todos os segmentos.
     Do fim dos anos 60 até a metade dos anos 70 o país vivia o período turbulento da Ditadura Militar, onde a censura em todos os meios de comunicação imperava. Nem o próprio Pe Zezinho ficou imune: várias de suas canções, com letras de protesto e politizadas, foram censuradas, nenhuma delas, entertanto, nunca deixaram de ser entoadas a plenos pulmões nas igrejas. Um dos lp’s de Pe Zezinho chegou a ter 11 de suas 12 canções censuradas. Pe Zezinho também passou um período exilado por 6 meses na Itália e na Espanha.
     Professor; Comunicador, com vários programas de rádio em sua trajetória; Escritor, com vários livros lançados em várias línguas e muitos se tornando verdadeiros BEST SELLERS; Principalmente, pioneiro dos Padres-Cantores, com centenas de discos lançados no Brasil e no Exterior, com milhões de cópias vendidas… esse é um resumo de toda a belíssima trajetória de vida e obra de Pe Zezinho SCJ, de 46 anos de Sacerdócio retratada aqui no BLOG CULTURA CABESOUND e, representada pelo lp HISTÓRIAS QUE CONTO E CANTO, lançado em 1974, que trouxe entre outras belas canções os clássicos da música cristã AMAR COMO JESUS AMOU e MARIA DE NAZARÉ. Um belo presente aos amigos, que gostam da boa música e que me dão a alegria da visita à essa humilde página.

Dados do disco:

Intérprete: Pe Zezinho SCJ e Coro
Participação Especial de: Marion
Letras e Músicas: Pe Zezinho SCJ
Arranjos: Maestro Wilson Mauro e Wilma Camargo
Direção Geral: C. Nogueira FSP.

Músicas:

Lado 1:
01- Distração
02- Balada por um velho amigo
03- De novo penso em Deus
04- Hoje é domingo
05- Jesus Cristo me deixou inquieto

Lado 2:
01- Amar como Jesus amou
02- Maria de Nazaré
03- Teoria
04- A juventude é uma semente
05- Balada por um reino

sábado, 28 de abril de 2012

Vem aí a 5ª Feira do Vinil do RJ!

5ª Feira do Vinil

     Algum tempo depois da última postagem no Blog (quase 2 meses) e alguns problemas com a conexão da internet aqui de casa, eis que estou aqui de volta, primeiro para me desculpar com os amigos do CULTURA CABESOUND por essa grande ausência e, segundo, para anunciar para os amigos a realização da 5ª Feira do Vinil do Rio de Janeiro, no próximo domingo, dia 06 de maio. Desta vez a feira será realizada no INSTITUTO BENNET, no bairro do FLAMENGO, conforme banner mostrado acima. Como nas feiras anteriores vou estar postando as fotos do evento aqui. Será com certeza mais uma vez um acontecimento maravilhoso. Conto com a presença de todos os amigos do BLOG CULTURA CABESOUND.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Wando – Glória à Deus no céu e samba na terra (Beverly – 1973).


Glória a Deus no céu e samba na terra (capa)
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Link reativado em 03/04/15

     Realmente, o mês de fevereiro de 2012 vai ficar marcado por grandes perdas na música mundial. Perdemos ontem pela manhã PERY RIBEIRO, que na minha modesta opinião foi uma das mais belas vozes da música mundial. Anteriormente o mundo foi pego de surpresa com a morte prematura da “Diva” Whitney Houston, que mesmo com todo o histórico de envolvimento pesado com drogas havia dado sinais recentemente de que a carreira de sucesso retornaria aos eixos. E, eis que, no último dia 08/02, após um período internado no CTI do Hospital Biocor, Nova Lima (BH), em decorrência de complicações cardíacas gravíssimas, morreu WANDO, considerado por alguns um cantor meramente brega, mas por muitos um dos maiores nomes da música romântica brasileira.
     Wanderley Alves dos Reis nasceu em Cajuri, Minas Gerais, em 02 de Outubro de 1945. Filho de Belmira Martins dos Reis e Argentino Alves dos Reis, o menino Wanderley mostrou gosto pela música desde cedo, mas a família não tinha condições financeiras para incentivar uma eminente carreira artística. O “apelido” Wando, que se tornaria seu nome artístico definitivo, foi dado por sua avó.
     Ainda menino mudou-se para Congonhas do Campo com a família e lá teve os primeiros passos musicais aprendendo um pouco de violão erudito. Viveu na cidade até a adolescência, quando formou com alguns amigos sua primeira banda de baile e, decidiu que a música era a única forma que se tinha de conquistar as mulheres. Tempos depois se mudou para Volta Redonda. Lá, para sobreviver, trabalhou como feirante, jornaleiro e caminhoneiro. Nas horas vagas compunha suas próprias canções. Teve a primeira chance artística em uma rádio local e começa definitivamente a “bater nas portas” a procura de alguém que se interessasse por gravar suas músicas.
     Finalmente descoberto por Nilo Amaro (Cantores de Ébano), muda-se para São Paulo, onde passa a se apresentar em bares e restaurantes e começa assim a dura caminhada em busca da tão sonhada oportunidade artística. E ela chegou em 1971, quando o próprio Nilo Amaro, sabendo do desejo de Jair Rodrigues de gravar uma música bem alegre sobre carnaval, leva Wando até o encontro de Jair. Nesse encontro, Jair pôde então testemunhar todo o talento de compositor do jovem Wando ao ser apresentado ao samba “O importante é ser Fevereiro”. Por gratidão, Wando deu parceria deste samba à Nilo Amaro. Jair então decide gravar o samba, que se torna a primeira composição de grande sucesso da carreira de Wando. Mas, o Wando cantor também tinha seu talento e ele foi contratado, graças a ajuda de Nilo Amaro e ao sucesso de “O importante é ser Fevereiro”, pelo selo BEVERLY, que na época ainda não pertencia à Discos Copacabana, para lançar o seu primeiro compacto: MARIA MARIÁ.
     O ano de 1972 começa com mais composições de sucesso, exemplo disso é CATIMBA CRIOULO, gravada pelos Originais do Samba, e principalmente SE DEUS QUISER, mais uma gravação de sucesso com Jair Rodrigues. No ano seguinte, Wando apresenta à Angela Maria a composição VÁ, MAS NÃO VOLTE, que Angela grava e se torna mais um grande sucesso. Abre-se as portas então para Wando gravar seu primeiro LP: GLÓRIA À DEUS NO CÉU E SAMBA NA TERRA, um ótimo disco carregado de Swing, Samba e rítmos regionais, aclamado pela crítica e de certa forma bem aceito pelo público, com um estilo musical bastante diferente do Wando dos anos posteriores. Aos poucos então, o Wando meramente compositor dá lugar ao cantor. No final de 1974, Wando grava a canção que o tornaria definitivamente conhecido no Brasil inteiro: “Moça”, que vira inclusive trilha sonora da novela “Pecado Capital” e se torna um  dos maiores sucessos do ano de 1975, totalizando a impressionante marca de 1.200.000 discos vendidos.
     Mas a história de “Moça” e do posterior rótulo de cantor “Obsceno” e “Rei das calcinhas” ficará para capítulos seguintes, pois o disco que o Blog CULTURA CABESOUND traz aqui é exatamente GLÓRIA À DEUS NO CÉU E SAMBA NA TERRA. Quem não conhece irá se surpreender com o Swing e o balanço contigo em cada faixa desse disco e até poderá conhecer o lado “politizado e crítico” das letras de Wando e de alguns compositores desconhecidos do grande público até então. Esse disco mostra que Wando não era um mero cantor “Brega”.
    É uma homenagem póstuma atrasada? Sim, mas feita com carinho. Descanse em paz Wando!!!

Dados do Disco:

Estúdio: Reunidos
Direção Musical e Arranjos p/ Orquestra: Waldomiro Lemke
Coordenação: Talmo Scaranari e Decio Fonsi
Corte: Rogério Gauss
Engenheiro de Gravação e Mixagem: Renaldo Mazziero
Fotos: Oswaldo Micheloni
Lay-Out: Delbucio

Músicas
Lado 1:
01- Deus no céu e samba na terra “Samba é aleluia” (Wando)
02- Lamento do capoeira (Ditinho – Dunga)
03- O ferroviário (Cezar – Cirus)
04- Tapa na tristeza (Wando)
05- Adeus e até logo (Wando – Yara)
06- Sou da madrugada (Wando – Gilson de Souza)

Lado 2:
01- Pago prá ver (Beto Scalla – São Beto)
02- Amanhã é outro dia (Isolda – Milton Carlos). Participação Especial de Sueli Lopes
03- Ouça meu amor (Sérgio Lemke)
04- Malandro guardado (Wando – Rose)
05- Benedito e Julieta (Clóvis Cavalcante – Casabranca)
06- Falou e disse (Reginaldo Vasconcelos)
07- O importante é ser Fevereiro (Wando – Nilo Amaro)
       Se Deus quiser (Wando – Jair Rodrigues)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pery Ribeiro (27 / 10 / 1937 – 24 / 02 / 2012)

 

Pery

     Mês de Fevereiro de grandes perdas para a música brasileira. Primeiro foi WANDO, que nos deixou no dia 08/02 e que terá seu devido espaço de homenagem no blog CULTURA CABESOUND com certo atraso mas preparado com muito carinho, e hoje pela manhã perdemos PERY RIBEIRO, vítima de um infarto fulminante, após 30 dias de internação no Hospital Universitário Pedro Ernesto, RJ, para tratamento de uma endocardite.

     Peri Oliveira Martins nasceu no Rio de Janeiro em 27 de outubro de 1937. Fruto da união de dois mestres de nossa música, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, Peri tinha seis irmãos (quatro por parte de pai, um de pai e mãe, e uma irmã adotiva, por parte de mãe). Aos 3 anos de idade iniciou a carreira artística não como cantor, mas na dublagem do filme da Disney “Branca de Neve e os 7 Anões” ao lado da mãe, que dublou a voz da Branca de Neve, enquanto o pequeno Peri dublou a voz do anão Dengoso.

     A carreira musical dos pais sempre foi admirada por Peri, que optou também por seguir carreira de músico ainda na infância. Em 1941, com quatro anos de idade, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e aos 5 anos, em 1942, participou de “It’s All True”, o filme inacabado de Orson Welles, filmado no Brasil. Atuou ainda, em 1944, no filme "Berlim na batucada", de Luís de Barros. Já na adolescência começou a fazer apresentações como cantor profissional.

    Em 1959, Cesar de Alencar, conhecedor do grande talento musical do então Cameraman da extinta “TV TUPI” Peri Oliveira, levou o jovem para fazer uma apresentação musical no programa de Paulo Gracindo, na Rádio Nacional. Nessa apresentação, assumiu o nome artístico PERY RIBEIRO, por sugestão do próprio Cesar de Alencar. Não demorou muito para que Pery Ribeiro fosse contratado pela ODEON, mesma gravadora de Dalva de Oliveira, lançando seu primeiro 78RPM em 1960. No ano seguinte, foi o primeiro cantor a gravar “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antonio Maria, sucesso mundial a partir do lançamento do filme “ORFEU NEGRO”. Em 1962 lança o seu primeiro LP: PERY RIBEIRO E O SEU MUNDO DE CANÇÕES ROMÂNTICAS, com acompanhamento luxuoso de Luiz Bonfá ao violão, com músicas como “Caminhemos” do pai Herivelto Martins e “Esquecendo você” de Tom Jobim. Mas foi no ano seguinte, com o lançamento do LP PERY É TODO BOSSA que Pery Ribeiro escreveu seu nome definitivamente como um dos grandes intérpretes de nossa música, registrando com muito sucesso a primeira gravação de “Garota de Ipanema” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que se tornou uma das músicas brasileiras mais conhecidas e reverenciadas mundialmente. Em 1964 lança mais um LP dedicado à BOSSA NOVA, intitulado “PERY MUITO MAIS BOSSA”.

     Em 1965, sob a direção de Miele e Ronaldo Bôscoli, ao lado de Leny Andrade e do grupo Bossa 3, formado por Luis Carlos Vinhas ao piano, Otavio Bailly no baixo e Ronnie Mesquita na bateria, Pery Ribeiro atuou no show "Gemini V", apresentado com sucesso na boate Porão 73 e no Teatro Princesa Isabel (RJ). Este show ficou em cartaz por 1 ano e meio, e foi lançado no LP ao vivo GEMINI V- SHOW NA BOATE PORÃO 73 – LENY ANDRADE, PERY RIBEIRO E BOSSA 3. Atuou ainda em vários filmes, no Brasil e também no exterior.

     Depois de lançamentos musicais que incluiram até o México como escala, Pery foi convidado por Sérgio Mendes em 1968 a viajar para os EUA e integrar o BOSSA RIO, ao lado de nomes como Gracinha Leporace e Ormar Milito, entre outros. Durante 4 anos Pery e o grupo BOSSA RIO excursionaram pelos EUA e Europa, dividindo o palco com nomes como Burt Bacharach, Johnny Mathis, Herb Alpert e Henri Mancini. Retornou ao Brasil devido ao agravamento do estado de saúde de sua mãe, Dalva de Oliveira, que veio a falecer em 1972. Seu pai, Herivelto Martins, veio a falecer 20 anos depois, em 1992.

     Pery sempre teve admiradores fiéis que adquiriam e ainda adquirem seus lançamentos musicais e sempre teve um público respeitável em seus shows, seja no Brasil ou no exterior e todos, com certeza, lamentaram e ainda lamentam profundamente sua morte. O Blog CULTURA CABESOUND não poderia deixar de prestar esta singela homenagem à este que foi, sem sombra de dúvidas, o dono de uma das mais belas vozes não só da música brasileira, mas também da música mundial. Siga em paz Pery, o céu te espera para muitos shows!!!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Waldir Calmon e Seu Conjunto – Feito para dançar 10 (LongPlay Rádio – 1958).


Feito para Danar 10
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Link reativado em 31/03/2015

      Na última postagem musical do ano de 2011 do  Blog Cultura Cabesound, venho com mais um LP maravilhoso do grande Waldir Calmon: FEITO PARA DANÇAR vol 10, que com certeza embalou e ainda embalará boas festas.
     Aproveito para mais uma vez deixar meu sincero agradecimento à toda a família Calmon, em especial a minha amiga Marcia Calmon, que me autorizou a fazer cada uma das postagens relacionadas a esse que sem dúvida foi um dos maiores músicos do mundo. Aproveito também para mais uma vez divulgar o lindo trabalho que Marcia vem fazendo no site sobre seu pai, um dos melhores trabalhos de pesquisa e de memória da cultura da música popular brasileira que alguém já colocou na rede, vale muito a pena visitar: http://waldircalmon.com.
     Esse foi o décimo volume da série FEITO PARA DANÇAR, na época a gravadora Rádio estava prestes a comemorar a marca de 400.000 cópias vendidas de toda a série até então, uma marca histórica se pensarmos que a indústria dos discos LongPlays ainda estava engatinhando no país. Um texto na contra-capa desse LP mostrava toda a alegria com o feito de Waldir Calmon, esse texto reproduzo aqui agora:
     “ A maior glória que uma fábrica pôde obter no Brasil, em sucesso e vendagem de disco, é incontestávelmente da “Rádio”. Não há necessidade de se escrever muito sobre a série FEITO PARA DANÇAR. Lançado o primeiro em 1953, foi o primeiro disco popular editado em 12 polegadas, além de ser o único LP, na época, especialmente para dançar. Naquele seu estilo gostoso tendo numa face 7 músicas ligadas, sem a interrupção de faixas, foi o FEITO PARA DANÇAR N° 1 o início do grande sucesso que tornaria hoje famoso WALDIR CALMON. O nome desse notável artista dispensa comentários em contra-capas. Estes estão nos 40 LPs editados pelas fábricas com quem ele trabalha.
     FEITO PARA DANÇAR n° 10 marca o máximo até aqui atingido por uma fábrica ou por um artista. É de se notar que foram 10 discos editados em 5 anos. Dez discos do seu estilo, pelo mesmo condutor. Foram 5 anos de vendagem maior que qualquer outra série! FEITO PARA DANÇAR atingirá dentro de poucos meses a casa de 400 mil discos vendidos. É uma glória que não podemos deixar de registrar. É o profundo reconhecimento ao imenso público desse fabuloso WALDIR CALMON.
     Viemos desde 1952 editando discos de dança, sem muita divulgação, sem alarde. Sempre fomos recompensados. Aqui está a prova! Aqui está o FEITO PARA DANÇAR n° 10, com WALDIR CALMON e seu Conjunto, mantendo o recorde de vendas. O público foi quem pediu! O público não quiz os imitadores, o público quer o artista que criou, por que se assim não fosse não estaria aqui este prêmio, nosso e do WALDIR CALMON.”
     Bom, então fechando de forma especialíssima o ano de 2011 do Blog Cultura Cabesound está WALDIR CALMON e toda a sua categoria de grande pianista. Aproveito assim para desejar à todos os amigos do Blog um maravilhoso 2012. Muito mais vem pela frente!!!
Músicas
Lado 1:
01- Samba do Teleco-Teco (João Roberto Kelly)
02- Cabecinha no ombro (Paulo Borges)
03- É luxo só (Ari Barroso)
04- Este é o samba (Getulio Macedo – Almeida Batista)
05- Cachito (Consuelo Velasquez)
06- Mineirinho (Paulo Nunes – Baden Powell)
Lado 2:
01- Ay! Cosita linda (P. Galan – Francisco J. Garcia)
02- Nel blu, dipinto di blu (D. Modugno – F. Migliacci)
03- Eu não existo sem você (Antonio C. Jobim – Vinicius de Morais)
04- Gondolier (Marcucci – De Angelis)
05- Tequila (Chuck Rio)

domingo, 25 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

Milton Banana Trio – O Trio (IEM/Odeon – 1968).

O trio 1968
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Link atualizado em 02/04/15

     Preparativos natalinos a pleno vapor e eis que me vem a inspiração para uma postagem de um LP de um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos e um dos responsáveis pelo sucesso de nossa música mundo a fora  e que pela primeira vez tem seu espaço no Blog Cultura Cabesound: Milton Banana.
Milton Banana        Nascido Antonio de Souza, no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1935, o “Rei do Ritmo”, assim como é considerado até hoje, começou a se interessar pela música muito jovem ainda, principalmente pela percussão, aprendendo logo a tocar bateria sozinho. Em 1955 iniciou carreira artística no conjunto de Waldir Calmon, se apresentando na Boate Arpége, já rebatizado artisticamente como Milton Banana. Logo ingressaria no Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira, passando a se apresentar na Boate Drink. No ano seguinte passou a trabalhar com Luiz Eça na Boate do Hotel Plaza. Em 1958 faz sua primeira participação como baterista em disco, gravando nada mais nada menos que o 78RPM CHEGA DE SAUDADE, de João Gilberto, primeiro grande marco da Bossa Nova. Milton, desde então, passou a ser considerado o inventor da batida da Bossa Nova para bateria.
     Em 1962 participou do antológico espetáculo “Encontro”, produzido por Aloysio de Oliveira, na boate Au Bon Gourmet, no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Morais e Os Cariocas. Nesse mesmo ano acompanhou João Gilberto em sua turnê por Buenos Aires na boate 676 e ainda foi um dos músicos participantes do histórico show da Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York.
     Ainda nos Estados Unidos, no ano seguinte participou como baterista de outro álbum antológico: “Getz-Gilberto”. Trabalhou também com Astrud Gilberto e outros grandes nomes da música mundial. Nesse mesmo ano saiu em turnê por países da Europa,  como Itália e França, ao lado de João Gilberto, João Donato e Tião Neto.
     Na volta ao Brasil em 1965, cria o Milton Banana Trio, que se tornou um grupo ímpar na música brasileira exatamente porque nunca até então um baterista conduzira seu próprio grupo musical. O grupo teve várias formações em sua trajetória musical e lançou vários discos, primeiramente pela Odeon e depois pela RCA. Trabalhou também com vários artistas brasileiros em shows e gravações.
     Seu último grande show foi em 1998, na Praia de Copacabana, intitulado “Chega de Saudade”. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de maio de 1999, aos 64 anos de idade. Em seu velório o que mais chamava a atenção de todos os amigos presentes era uma coroa de flores com os seguintes dizeres: “À Milton, à quem o Brasil não homenageou nem reconheceu nunca. Ass: Todos os Músicos do Brasil”. Soube-se mais tarde que essas palavras foram de João Gilberto.
     De alguma forma o Blog Cultura Cabesound faz a sua parte preenchendo um pouco essa lacuna e presta essa singela homenagem ao “Rei do Ritmo” apresentando esse O TRIO, lançado em 1968, disco com repertório de músicas em sua maioria lançamentos da época, mas que com o tempo se tornaram sucessos de primeira grandeza. O Milton Banana Trio era formado nesse disco pelo próprio Milton Banana na bateria, com o auxílio luxuoso de Wanderley no piano e Azeitona no contrabaixo. O Trio executou cada música desse álbum com uma categoria comparada aos grandes músicos do mundo, tudo isso sob a batuta do grande Milton Banana. Grande presente de Natal do Blog Cultura Cabesound à você, que sempre me dá a alegria de sua visita e que, como eu, é admirador da boa música instrumental. Deleite-se!!!

Dados do disco
Produtor Fonográfico: Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S/A
Equipe de produção artistico-fonográfica realizadora deste álbum:
Diretor de Produção: Milton Miranda
Diretor Musical: Lyrio Panicalli
Diretor Técnico: Z. J. Merky
Técnico de Gravação: Jorge Teixeira da Rocha
Técnico de Laboratório: Reny R. Lippi
Lay-Out: Moacyr Rocha
Fotos: Mafra

Músicas
Lado 1:
01- Samba do perdão (Baden Powell – Paulo Cesar Pinheiro)
02- Segura este samba “Ogunhê” (Oswaldo Nunes)
03- Você passa eu acho graça (Carlos Imperial – Ataulfo Alves)
04- Da cor do pecado (Bororó)
05- Bom tempo (Chico Buarque de Hollanda)
06- Mudando de conversa (Maurício Tapajós – Herminio Bello de Carvalho)

Lado 2:
01- Ultimatum (Marcos Valle – Paulo Sérgio Valle)
02- Ela desatinou (Chico Buarque de Hollanda)
03- Um novo rumo (Arthur Verocai – Geraldo Flach)
04- Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim – Chico Buarque de Hollanda)
05- Manias (Flávio Cavalcanti – Celso Cavalcanti)
06- Sá Marina (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Amelinha – Flor da Paisagem (CBS – 1977).


Amelinha 77
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Link reativado em 02/04/2015
 
      Raimundo Fagner, em crescente sucesso musical e reconhecimento do público e da crítica, ganhou créditos e liberdade artística suficientes para se tornar Diretor Musical da gravadora CBS e lançar para o mercado alguns daqueles jovens que faziam parte do chamado “Pessoal do Ceará”. Alguns nomes como Terezinha de Jesus, Ednardo e Walter Franco lançaram ótimos discos mas não seguiram uma trajetória de sucesso, mas outros nomes como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e AMELINHA ganharam notoriedade e reconhecimento.
     A primeira vez que o público ouviu a voz de AMELINHA em disco foi ainda em 1975, em participação vocal no LP Ave Noturna, lançado por Fagner na gravadora Continental. Esse FLOR DA PAISAGEM, lançado pela CBS em 1977 então não foi sua estréia em disco mas sim seu primeiro LP solo.
     A voz de AMELINHA, uma das melhores intérpretes de nossa música, emoldura com beleza e delicadeza cada uma das onze faixas do disco, que tem em Fagner uma figura de real importância na concepção do disco, desde a escolha dos músicos participantes até o repertório. No texto contido nas bordas da contra-capa e que talvez muitos não tenham reparado, Fagner expressa toda a sua felicidade com a oportunidade que teve de mostrar para o público esse emergente talento musical chamado AMELINHA. Aqui vai o texto:
     “A oportunidade de fazer este disco com a AMELINHA, para mim é fato de rara importância. Um desejo que vem desde os primeiros tempos no Sul, e que agora se concretiza. Nada tenho a acrescentar à sua voz singular e bela e ao seu bom gosto terrivelmente em dia. Uma luz, uma coisa assim… Ela não é a maior e nem a melhor, tem consciente o seu lugar e não precisa usar de artifícios para ocupar um espaço que certamente será seu. Basta olhar nos seus olhos de Bíla, puros como a noite, é claro. Agradeço a todos que estiveram envolvidos neste trabalho: Músicos, compositores, assistentes, técnicos, artistas da capa, como também a CBS, que sem dúvidas terá bastante força, tendo “essa menina” jogando pelas suas cores. Um sorriso na Galera.
                                                                                   Raimundo Fagner”.
     Este é mais um presente do Blog Cultura Cabesound, presente de primeira qualidade para você, que sempre me dá a alegria de sua visita!!!
Dados do disco:
Direção Artistica: Jairo Pires
Direção de Estudio: Fagner – Tony Bizarro – Romeu Giosa
Direção Musical: Fagner
Coordenação: Emilio Carrera
Musicos: Robertinho de Recife, Emilio Carrera, Beto Melo, Ife, Marcinho Werneck, Dudu, Luiz, Osvaldinho
Arranjos: Base – Os músicos
Sugestões: Amelinha
Destaques: Fagner (Agonia, Mal Doloroso, Pobre Bichinho)
Robertinho de Recife (Flor da Paisagem)
Cordas e Regencia: Leo Peracchi
Estudio: Eldorado – SP
Tecnicos: Flavio A. Barreira, Luis Carlos Batista, José Luis Costa
Mixagem: Flavio A. Barreira, José Luis Costa, Romeu Giosa
Capa: Fausto Nilo, Dado e Maxim
Fotos
Capa: Mauricio Albano
Contra-capa: José Albano
Musicas
Lado 1:
01- Santo e demonio (Fagner – Ricardo Torres)
02- Ponta de espinho (Ednardo)
03- A cal mar-se (Ednardo – Brandão)
04- Aprender a voar (Beto Mello)
05- Depende (Fagner – Abel Silva)
06- Cintura fina (Luiz Gonzaga – Zé Dantas)
Lado 2:
01- Senhora Dona (Petrucio Maia – Brandão)
02- Flor da paisagem (Robertinho de Recife – Fausto Nilo)
03- Pobre bichinho (Fagner)
04- Mal doloroso (Petrucio Maia – Pepe)
05- Agonia (Fagner)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ivan Casanova e Seus Conjuntos – Um olhar… uma dança… um amor (IEM/Imperial – 1960).

Ivan Casanova
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Link reativado em 02/04/2015

     Voltamos a falar aqui sobre música instrumental de qualidade e, ao mesmo tempo, voltamos a falar sobre grandes músicos que por problemas contratuais usavam pseudônimos para lançar seus discos por outras gravadoras entre o fim dos anos 50 e início dos anos 60.
     Esse maravilhoso disco, lançado pelo selo Imperial, pertencente à Industrias Elétricas e Musicais (IEM) Fábrica Odeon S/A apresentava ao público IVAN CASANOVA E SEUS CONJUNTOS, mas, quem era na realidade esse músico? Era o grande pianista e organista WALTER WANDERLEY que, pelo menos por esse mesmo selo Imperial além de IVAN CASANOVA lançou um disco também como MIKE FALCÃO.
Wanderley      Nascido em Recife no dia 12 de Maio de 1932, foi casado com a grande cantora Izaurinha Garcia. Se mudou para São Paulo em meados dos anos 50 e começou a trabalhar profissionalmente como pianista em bares e casas noturnas. Formou o Walter Wanderley e Seu Conjunto, em que tocava órgão e chegou a acompanhar João Gilberto e Dóris Monteiro, entre outros renomados artistas. Foi um dos músicos mais requisitados no auge da Bossa Nova, tendo seu talento reconhecido inclusive fora do Brasil. Por influência de Tony Bennett, se mudou para os Estados Unidos em 1966, de onde não mais voltaria e, lá consolidou ainda mais sua carreira musical a partir do lançamento do compacto “Samba de Verão”, de autoria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, que alcançou o nº 2 nas paradas de sucesso do país e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Fez muito sucesso internacionalmente também acompanhando Astrud Gilberto e, com ela dividiu os créditos pelos projetos A Certain Smile e A Certain Sadness, que muito ajudaram Walter a ter seu nome como um dos mais influentes no meio jazzistico mundial. Realizou trabalhos também com Eumir Deodato e Heraldo do Monte. Morreu em San Francisco, Califórnia, em 04 de Setembro de 1986, vítima de um câncer.
     Sob o pseudônimo IVAN CASANOVA, WALTER WANDERLEY lançou este UM OLHAR… UMA DANÇA… UM AMOR em 1960, onde mostrava que era um músico completo, executando arranjos não apenas Bossanovistas, mas também Jazz, samba e bolero com maestria ímpar. O disco é um primor de bom gosto do seu inicio ao final e é o novo presente que o Blog Cultura Cabesound oferece à você, amigo(a), que está visitando esta página e sempre me dá a alegria de seu prestígio.

Dados do disco

Foto da Capa: F. Pereira
Layout: Cesar

Músicas

Lado 1:
01- The man i love (George & Ira Gershwin)
02- Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim – Vinicius de Morais)
03- El reloj (Roberto Cantoral)
04- Love is the tender trap (Sammy Cahn – James Van Heussen)
05- Angustia (Orlando Brito)
06- On the sunny side of the street (Dorothy Fields – Jimmy McHugh)

Lado 2:
01- O apito no samba (Luiz Bandeira)
02- Aquejos ojos verdes (Nilo Menendez – Adolfo Utrera)
03- No taboleiro da baiana (Ary Barroso)
04- Stormy weather (Harold Harlen – Ted Koehler)
05- As pastorinhas (Noel Rosa – João de Barro)
06- Te quiero dijiste (Maria Grever – Charles Pasquale).