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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Magro ( * 14 – 11 – 1943 / + 08 – 08 – 2012)

Magro

     O ano de 2012 ainda nem chegou à sua fase final e vários músicos de renome nacional e mundial estão nos deixando órfãos de seus talentos apurados. Nunca em toda a existência do Blog CULTURA CABESOUND foram feitas tantas postagens relacionadas à categoria SAUDADE em sequência como nesse período. E, agora, registro minha singela homenagem à MAGRO, um dos fundadores de um de meus grupos vocais e instrumentais de preferência: O MPB 4.
     Magro lutava a 10 anos contra um câncer na próstata, já diagnosticado com metástase, e mesmo já enfrentando complicações devido a doença desde 2010, fez apresentações normalmente com o MPB 4 até o último dia 8 de junho.
     Antonio José Waghabi Filho nasceu em Itaocara, cidade do Estado do Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 1943. Muito cedo aprendeu a tocar violão, piano, tambor e clarineta, aprendendo um pouco mais tarde também a tocar vibrafone, saxofone e percussão. Em 1959, estudou música, tendo como professores Guerra Peixe, Isaac Karabtchewsky e Vilma Graça. 
     Em 1960 iniciou carreira artística como vibrafonista no conjunto de bailes Praia Grande, atuando durante 2 anos. Na faculdade de engenharia, conheceu MILTINHO, com quem logo montou uma banda. Como integrante do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC-UNE), conheceu AQUILES e RUY, também integrantes do CPC. Junto a MILTINHO, descobriram que seus talentos vocais e instrumentais se completavam e, decidiram assim formar um quarteto, primeiramente nomeado QUARTETO DO CPC, mas logo que se profissionalizaram rebatizaram o quarteto como MPB 4, iniciando assim uma trajetória ímpar na história da MPB, sendo logo contratados pela gravadora ELENCO em 1964, para a gravação de um compacto. Daí o MPB 4 passa a entrar em contato com vários artistas recém lançados na época, como Nara Leão, Quarteto em Cy, Sidney Miller e Chico Buarque de Hollanda, entre outros nomes. Com Chico Buarque, o MPB 4 iniciou uma parceria próspera que durou aproximadamente 10 anos, entre turnês,  gravações e apresentações em festivais de música, ficando célebre a parceria em RODA VIVA, que conquistou o 5ºlugar no Festival da MPB de 1967, canção esta que teve arranjos de Magro.
     Quem viveu a década de 70 lembra com carinho de Magro como o jumento do álbum infantil OS SALTIMBANCOS. O público lembra também com carinho da participação do MPB 4 no especial da TV GLOBO “A ARCA DE NOÉ”, com músicas infantis compostas por Vinicius de Moraes. O PATO se tornou um dos maiores clássicos da carreira.
      Nesses mais de 50 anos de carreira, Magro se destacou como arranjador. Além de trabalhos com o próprio MPB 4, também assinou arranjos musicais para Chico Buarque, Toquinho e Vinicius, Simone e Kleiton e Kledir, entre outros.
     Nesse dia 08 de agosto, Magro se foi, depois de travar uma luta de 10 anos contra um câncer de próstata. Aquiles, um de seus parceiros de MPB 4, expressou assim a dor da perda:
"Depois de longa luta pela vida, Antonio José Waghabi Filho, o Magro do MPB4, nos deixou. Com ele vai junto uma parte considerável do vocal brasileiro. Com ele foi a minha música".
     O corpo de Magro será cremado nesta quinta-feira (09/08), no cemitério de Vila Alpina, zona leste de São Paulo.
     A música perde mais um de seus mestres. Descanse em paz, Magro!



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Celso Blues Boy ( * 05 – 01 – 1956 / + 06 – 08 – 2012 )

Celso Blues Boy

     Apenas três dias após a partida do grande SEVERINO ARAÚJO, a música brasileira lamenta a morte de mais um grande nome: CELSO BLUES BOY, primeiro Bluesman brasileiro e que influenciou uma leva de músicos admiradores desse estilo musical. O Blog CULTURA CABESOUND não poderia deixar de registrar aqui essa homenagem àquele que fez do Blues um estilo de vida.
     Nascido Celso Ricardo Furtado de Carvalho, no Rio de Janeiro em 5 de janeiro de 1956, começou a tocar profissionalmente ainda aos 17 anos de idade, acompanhando nada mais nada menos que Raul Seixas. Acompanhou também Sá & Guarabyra e Luiz Melodia.
     Adotou o Blues Boy no nome, em homenagem ao seu grande ídolo: B.B. King. Foi também um dos primeiros a cantar blues em português. Montou a banda Legião Estrangeira em 1976, com a qual se apresentava em bares e casas de show. Fez parte também da banda Aeroblues, considerada a primeira banda de Blues do Brasil.
     Celso Blues Boy começou a alcançar a merecida fama quando mandou uma fita para a Rádio Fluminense, no Rio. A rádio então era a mais ouvida pelo público roqueiro. Aquele guitarrista branco de voz rouca e que sempre empunhava uma Fender Stratocaster, tal qual Eric Clapton, tornou-se conhecido e ganhou espaço nos programas de auditório. Gravou o primeiro disco em 1984, intitulado SOM NA GUITARRA, que apesar de ser um disco típicamente de Blues, ficou célebre por incluir uma faixa que era puro Rock and Roll e, se tornou seu maior sucesso: AUMENTA QUE ISSO AÍ É ROCK AND ROLL. Suas músicas também  fizeram parte das trilhas sonoras dos filmes ROCK ESTRELA e BETE BALANÇO. Seus outros grandes sucessos foram a música MARGINAL, com a luxuosa participação de CAZUZA  e a música FUMANDO NA ESCURIDÃO. 
     Na sua tentativa de seguir carreira internacional, Celso Blues Boy acabou por conhecer seu grande herói da guitarra: B.B. KING. Com ele, Celso fez algumas apresentações e gravou a faixa MISSISSIPI, realizando um sonho que muitos ainda tentam e não conseguiram realizar até os dias de hoje. A faixa foi incluída no disco INDIANA BLUES, de 1995.
     Foi um dos mais ilustres e fervorosos torcedores do Clube de Regatas Vasco da Gama, tendo participado do Megashow comemorativo dos 113 anos do clube, tocando o hino do clube em sua guitarra.
     Em 2008, foi lançado seu primeiro e único DVD ao vivo, intitulado QUEM FOI QUE FALOU QUE ACABOU O ROCK AND ROLL?, gravado no Circo Voador, no Rio de Janeiro.  Esse show também foi registrado em CD.
     Seu último CD foi lançado em 2011 e foi intitulado POR UM MONTE DE CERVEJA.
     Celso Blues Boy morreu na manhã desta segunda-feira (06/08/2012) em Joinville, Santa Catarina, aos 56 anos de idade. Apesar de o empresário afirmar que Celso sofria de BÓCIO, mais popularmente conhecido por PAPO, que é o aumento da tireóide causado pela perda de iodo no organismo, a principal causa da morte foi um câncer na garganta, que Celso enfrentou bravamente por algum tempo.
     Um som de guitarra bem caprichado adentrou o céu no dia de hoje. Descanse em paz, CELSO BLUES BOY!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Severino Araújo ( * 23 – 04 – 1917 / + 03 – 08 – 2012 )

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     O Blog CULTURA CABESOUND presta uma singela homenagem à mais um grande músico que se despede nesse ano de 2012: O Maestro SEVERINO ARAÚJO, que por 70 anos comandou a ORQUESTRA TABAJARA, a maior e mais longinqua orquestra de bailes do Brasil.
     SEVERINO ARAUJO faleceu na noite de hoje (03/08) no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla de órgãos, após ficar internado durante 15 dias no Hospital Ipanema INN. Seu corpo será sepultado ao meio-dia deste sábado (04/08), no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
     Nasceu em Limoeiro, Pernambuco, em 23 de Abril de 1917. Seu pai, Mestre Cazuzinha, já contava com a ajuda do pequeno Severino, então com 8 anos de idade, em suas aulas de música, o garoto então já demonstrava que tinha ouvidos apurados e talento para se tornar um grande músico. Entre os 14 e 15 anos, Severino já era apaixonado pelo som das Big Bands de Tommy Dorsey e Grenn Miller, que ouvia nas lojas de disco ou por rádio e, passou a sonhar um dia em adaptar tais músicas ao estilo brasileiro.
     Com 16 anos iniciou a carreira artística fazendo arranjos musicais para a banda de Ingá, cidade esta para qual a família Araújo havia se mudado a pouco. Além dos arranjos, Severino começava a se notabilizar como clarinetista, talento esse que o fez ser chamado para ser primeiro clarinetista da banda da Polícia de João Pessoa, em 1936. Já residindo na capital paraibana, Severino vê a sua grande oportunidade artística chegar, quando o governo da Paraíba faz uma série de contratações para a recém inaugurada PRI-4, que seria a emissora de rádio oficial da região. Para as intervenções musicais foi contratada a Orquestra Jazz Tabajara, logo rebatizada de Orquestra da Rádio Tabajara e, como não poderia deixar de ser, o jovem Severino é chamado para integrar a Orquestra, então tocando saxofone.
     Em 1938 aconteceria um fato que marcaria definitivamente a carreira de Severino Araújo: O então maestro da Orquestra, o pianista e regente Luna Freire falece repentinamente, então o jovem Severino é o escolhido pela direção da rádio para substituí-lo. Como condição para assumir a “batuta” da orquestra, Severino solicita à rádio a contratação de mais um trombone, um saxofone e um trompete. Chamou então, os irmãos Manuel e Jaime, além de um ex-colega da banda da Polícia de João Pessoa. Até deixar a Paraíba, a orquestra era composta de três trompetes, três trombones e quatro saxofones, além do ritmo com quatro elementos. Mais tarde entrariam na orquestra seus dois outros irmãos. Severino então começa a pôr em prática a idéia de adaptar o som das Big Bands aos rítmos tipicamente brasileiros.
     Em 1943 é convocado para o exército. Serve durante 1 ano no 15º R.I, num local denominado Aldeia, no interior de Pernambuco. Compõe então aquele que seria seu primeiro sucesso popular: UM CHORINHO EM ALDEIA. No ano seguinte, recebeu através de seu amigo Porfírio Costa propostas para trabalhar profissionalmente no Rio de Janeiro, mais precisamente no CASSINO COPACABANA  e na RÁDIO TUPÍ. Severino aceita o convite da RÁDIO TUPÍ e muda-se definitivamente para a então capital do país. Nesse mesmo período é contratado pela gravadora CONTINENTAL, onde gravou seus primeiros discos, ainda em outubro de 1944. Ainda em fins de 1944, se apresentou na Rádio Tupi com a Orquestra Marajoara interpretando o choro "Chorinho em Aldeia", executando clarinete. Essa transmissão ocorreu num domingo e foi gravada em acetato pela emissora. Já na segunda-feira inúmeros telefonemas pediam para que a rádio reprisasse a gravação. Em 1945, lançou o disco que se tornaria um verdadeiro clássico da MPB: o chôro ESPINHA DE BACALHAU, de sua autoria e gravado com a ORQUESTRA TABAJARA, que no mesmo ano chegou ao Rio de Janeiro também contratada pela Rádio Tupi.
     Chegando o ano de 1962, Severino e a Orquestra Tabajara são contratados pela RÁDIO NACIONAL, onde permaneceram por 2 anos. Depois, foram contratados pela TV RIO, onde permaneceram até 1968. Nesse mesmo ano, após 35 anos de atividades artísticas, Severino Araújo se aposenta, o que não seria uma decisão definitiva, já que ele permanece fazendo bailes, shows e gravações em discos durante mais 37 anos, tornando inclusive célebres as apresentações no CIRCO VOADOR durante a década de 80, em bailes dominicais denominados de DOMINGUEIRA VOADORA. Em 2005, devido a problemas de locomoção causados por uma operação no joelho, Severino passa o comando da Orquestra Tabajara ao seu irmão, JAIME ARAÚJO.
     Em 15 de junho de 2010, a TV Cultura levou ao ar, no programa Mosaicos, o especial A arte de Severino Araújo e Orquestra Tabajara, um documentário musical narrado por Rolando Boldrin, que resgata a história e a obra dos homenageados. Dirigido por Nico Prado, o programa recupera imagens históricas do artista. Também promove o encontro inédito de Jaime Araújo, Spok e Proveta, da Banda Mantiqueira. Eles falam sobre a importância de Severino para a música brasileira e interpretam três clássicos de autoria do maestro pernambucano: Relembrando o Norte, Espinha de bacalhau e Chorinho. Nesse mesmo ano é lançada a biografia “Orquestra Tabajara de Severino Araújo" , de autoria de Carlos Coraúcci.
     O legado e a grande contribuição de Severino Araújo para a música brasileira ficarão para sempre registrados. Como não poderia deixar de ser, o Blog CULTURA CABESOUND registra tambem aqui este justo tributo. Descanse em paz, Maestro!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

José Roberto Bertrami ( * 21 - 02 - 1946 / + 08 - 07 - 2012 )

J.R. Bertrami

     Mais um grande músico nos deixou nesse mês de julho e, como não poderia deixar de ser, o Blog CULTURA CABESOUND presta uma homenagem à este músico, que junto a Alex Malheiros e Ivan Conti “Mamão”, formou o AZYMUTH, um dos grupos musicais mais famosos e respeitados no Brasil e no mundo: O cantor e tecladista JOSÉ ROBERTO BERTRAMI.
     Nascido em Tatuí, interior de São Paulo, em 21 de fevereiro de 1946, iniciou carreira musical ainda nos anos 60. Junto a nomes como Marcio Montarroyos, Raul de Souza, Nonato Buzar e Regininha, além de Alexandre Malheiros, que seria seu futuro parceiro de AZYMUTH, formou A TURMA DA PILANTRAGEM, que ficou célebre com o lançamento da série de discos O SOM DA PILANTRAGEM, pela CBD/POLYDOR, entre os anos de 1968 e 1970.
     Com o fim das atividades da TURMA DA PILANTRAGEM, Bertrami e o baixista Alexandre Malheiros se juntam ao já renomado baterista Ivan Conti, mais conhecido como Mamão e formam o trio SELEÇÃO. Participam do festival PHONO 73, organizado pela PHONOGRAM e realizado no Palácio das Convenções do Anhembi (SP) como músicos de apoio. Paralelamente, Bertrami e seus parceiros de trio realizam vários trabalhos como músicos de estúdio.
     O trio, renomeado BERTRAMI E CONJUNTO AZIMUTE, lança em 1973 a Trilha Sonora do Filme O FABULOSO FITTIPALDI. Numa época em que não era comum o uso de sintetizadores, o conjunto se tornou célebre exatamente por, digamos, eletrificar o samba/jazz. O uso desses sintetizadores e teclados (os mais modernos da época) faziam uma atmosfera sonora original, com uma alta carga de improvisações e deu à eles muita credibilidade artística, atraindo admiradores fiéis.
     Em 1974, o BERTRAMI E CONJUNTO AZIMUTE foi contratado pela SOMLIVRE. O primeiro trabalho musical do trio registrado pela gravadora foi a faixa PELA CIDADE, composta por Bertrami e Alexandre Malheiros e que fez parte da Trilha Sonora Original da Novela O ESPIGÃO. O nome do trio é alterado simplesmente para AZYMUTH e, no ano seguinte lança o LP que os alça ao sucesso nacional: LINHA DO HORIZONTE. O disco é lançado inclusive no exterior, alcançando boa execução em varios países.
     Depois de um longo período de turnês pelo Brasil e também pelo exterior, o AZYMUTH lança em 1977 pelo recém criado selo WEA o LP ÁGUA NÃO COME MOSCA, que trouxe mais um grande sucesso: VÔO SOBRE O HORIZONTE. O sucesso do disco faz do AZYMUTH o primeiro grupo musical brasileiro a se apresentar no FESTIVAL DE JAZZ DE MONTREAUX, na Suiça. Lançam em 1979 o disco LIGHT AS A FEATHER, consolidando de vez a carreira do trio no exterior.
     Em 1988, o AZYMUTH entra para o GUINESS BOOK, quando o disco JAZZ CARNIVAL fica 1 ano inteiro na parada de sucessos Britânica. Nesse mesmo ano, Bertrami é substituido por Jota Moraes, retornando em 1990. O último disco lançado pelo trio foi AURORA, em 2011. Em carreira solo, José Roberto Bertrami lançou os discos BLUE WAVE (1983) e  ALL MY SONGS (1990), além da coletânea BLUE WAVE – DREAMS ARE REAL (1999).
     No último dia 08 de julho, depois de travar uma luta de 2 meses contra uma insuficiência hepática, José Roberto Betrami se foi. Seus companheiros de AZYMUTH Alex Malheiros e Mamão demonstraram toda a tristeza pela morte do parceiro na página do trio no FACEBOOK. Num trecho da homenagem, Mamão escreveu assim:
     “ "(...) Bastava apenas um olhar e sabíamos onde alcançar o vôo de novos sucessos pelo mundo. (...) Chegou a um ponto que nada nos separava. E de maneira nenhuma a sua maestria e sua amizade vai nos deixar... Foram 45 anos juntos. Eu e Alex, os seus eternos companheiros de Azymuth. Vá em paz. Vá com Deus."
     E assim, o Blog CULTURA CABESOUND presta essa singela homenagem à mais um de nossos grandes músicos. Descanse em paz, Bertrami!!!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ed Lincoln ( * 31-05-1932 / + 16-07-2012)

Ed montagem3

     O Blog CULTURA CABESOUND volta às atividades numa semana em que infelizmente o Brasil perdeu mais um de seus “mestres” da música: ED LINCOLN.
     Mesmo com um pouco de atraso, resolvi fazer uma homenagem super especial, com uma montagem fotográfica feita por mim, que mostra a figura de ED LINCOLN nos últimos tempos, ao fundo a imagem do instrumento musical que consagrou a sua carreira: o Órgão Elétrico e, fotos das capas dos discos lançados nos seus quase 60 anos de carreira desse que foi considerado o REI DOS BAILES.
     Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia nasceu em Fortaleza, Ceará, em 31 de maio de 1932. Trabalhou como revisor e redator do JORNAL DO POVO, em sua terra natal. Iniciou carreira musical tocando contrabaixo no conjunto da Boate Plaza, acompanhando entre outros Johnny Alf, Luiz Eça e Dick Farney. Logo Ed Lincoln passa a tocar piano, passando depois para o orgão elétrico, instrumento que o consagrou definitivamente. Em 1955 formou seu próprio conjunto e, entre os anos de 55 e 1958 atuou na Boate Drink. Foi o responsável pelos acompanhamentos musicais das gravações dos então iniciantes Claudette Soares e Baden Powell.
     Já com alguns discos de sucesso em seu currículo musical, Ed Lincoln é contratado pela MUSIDISC em 1960 onde, além de lançar seus discos ele assumiu a função de Diretor Musical. É nessa época que ele passa a ser considerado o Rei dos Bailes, ficando célebres suas apresentações nas Domingueiras Dançantes do Clube Monte Líbano e se torna um dos maiores vendedores de discos do país.
     Em 1963, Ed sofre um grave acidente automobilístico que o deixa afastado das atividades artísticas durante 7 meses, Eumir Deodato o subistituiu nos bailes desse período.
     Em 1968 funda o selo De Savoya e lança o que é considerado o primeiro disco independente do país.
     Em seu conjuntos atuaram como crooners, entre outros: Orlandivo, Toni Tornado, Silvio Cezar, Pedrinho Rodrigues e Emilio Santiago. Vários músicos de sucesso também fizeram história nos conjuntos de baile de Ed Lincoln: Durval Ferreira, Marcio Montarroyos, Luis Alves, Wilson das Neves, Paulinho Trompete e Celinho.
     Se afastou dos bailes na década de 70, passando a se dedicar mais aos trabalhos em estudio, incluindo jingles e trilhas sonoras, além de gravar músicas de sucesso na época, para serem lançadas sob pseudônimos como Orquestra Los Angeles e Orquestra Romance Tropical. Na década seguinte foi um dos primeiros músicos a se valer dos experimentos com música eletrônica e computadores, lançando inclusive em 1989 um LP todo gravado com um microcomputador Commodore 64. Sua música passou a ser reconhecida inclusive no exterior, sendo sampleadas nas pistas de dança. Seus discos, na época por aqui fora de catálogo, passaram a ser “pirateados” e comercializados na Europa. A música É O CIDE foi relançada numa versão para bailes Funk pela FURACÃO 2000.
     Em 2003, após 30 anos afastado dos palcos, Ed Lincoln se apresenta com seu conjunto no Centro Cultural Primeiro de Março numa série de shows do projeto “Sambalanço – A Bossa que correu o mundo”. No mesmo ano, se apresenta no show “Saudade fez um Samba”, no Centro Cultural Banco do Brasil.
     Em 2005, devido a problemas de saúde, principalmente à limitação dos movimentos corporais (herança do acidente automobilístico de 1963) se afasta definitivamente dos palcos, passando a residir em Petrópolis (RJ), mas não se afasta definitivamente da música, ainda gravado jingles publicitários e fazendo participações especiais em gravações, entre outros, de Marcelinho da Lua e Ed Motta. Em 2010, o cineasta Marcelo Almeida filmou o documentário "Ed Lincoln - O rei do sambalanço". Nesse mesmo ano, Emilio Santiago lança o CD SÓ DANÇO SAMBA, com músicas do repertório de seu “mestre”, com participação especial do próprio Ed Lincoln no pout-pourri ZUM ZUM ZUM / VOU RIR DE VOCÊ / NA ONDA DO BERIMBAU.
     Em 2011, graças a um bem cuidado trabalho de pesquisa de Rogério Fróes, toda a sua discografia Musidisc/De Savoya foi relançada num Box remasterizado, intitulado ED LINCOLN – O REI DOS BAILES, pelo selo Discobertas.
     Nessa segunda-feira, dia 16 de julho de 2012, após 10 dias internado, o mundo da música ficou sem ED LINCOLN.  Com certeza o céu ficará mais animado, embalado pelos bailes desse grande “mestre” da música. CULTURA CABESOUND registra aqui esta homenagem mais do que merecida. Descanse em paz, grande ED LINCOLN, você se foi, mas a sua música ainda embalará muitas festas por aí !!!   

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mais uma ausência forçada…

     À todos os meus amigos do Blog CULTURA CABESOUND, estou devendo minhas sinceras desculpas por mais um período longo de falta de novas postagens.
     Todos os discos que posto aqui, exceção feita ao disco de Ronnie Von (A misteriosa luta…) são de minha própria coleção e, todos são cuidadosamente remasterizados para o formato digital por este que vos escreve. O primeiro computador que eu tinha e que comecei a usar para este trabalho teve a sua PLACA-MÃE queimada, era um computador não muito moderno, mas tinha memória RAM o suficiente para fazer as minhas postagens no Blog e os meus trabalhos de remasterização sem atropelos. Com a falta desta primeira máquina, passei a utilizar um computador POSITIVO FUTURA B17, modelo igual ao da foto abaixo:
Positivo Futura
    Este modelo de computador, com 256MB de memória RAM e HD de 40GB (que eu mesmo substituí por um HD de 160GB), que já se encontra a muito tempo fora do comércio, não é uma máquina ruim mas, está longe de ter a potência e a velocidade dos computadores atuais, que não saem das lojas com um mínimo de 2GB de memória RAM e 320GB de espaço de armazenagem de arquivos em HD. Mas, de qualquer forma, é este modelo de computador que estou usando e que desde o final de 2011 é a responsável pelos meus trabalhos em geral. Tenho que confessar que meus trabalhos de remasterização não foram afetados e, até apresentaram uma melhora na qualidade sonora em relação aos trabalhos mais antigos, aprendendo a usar novos plugins de áudio e estudando novas maneiras de usar os mesmos programas que eu usava no outro computador. Mas, no início desse mês, a PLACA DE SOM desta máquina resolveu literalmente me deixar “na mão”, ou seja, parou de funcionar, me impedindo assim de preparar novas postagens até este momento em que escrevo esta justificativa. Além disso tudo, a troca da internet de minha casa me impediu de postar homenagens à grandes artistas brasileiros, que nos deixaram órfãos de seus talentos culturais entre os meses de abril e maio. Nomes como JORGE GOULART, ADEMILDE FONSECA, CHICO ANYSIO, DICRÓ, JOÃO MINEIRO (da dupla com MARCIANO) e TINOCO (da dupla com TONICO) não tiveram as devidas postagens em nossa categoria SAUDADE, mas com certeza foram lembrados de coração por este que vos escreve e por todo o público brasileiro por toda a contribuição cultural que cada um desses nomes deram ao nosso país.
     Outra coisa que fiquei devendo foi uma postagem sobre a 5ª FEIRA DO VINIL DO RJ. Ao invés de postar fotos como nas vezes anteriores, gravei o evento em vídeo no meu celular. Todo o trabalho de conversão e edição desse vídeo para um formato que possa ser enviado para o meu canal no YOUTUBE e posteriormente exibido também aqui no Blog está em atraso devido a toda essa questão da pouca memória RAM do meu atual computador, mas espero dentro em breve estar mostrando esse trabalho aqui para vocês.
     Bom, como estou em vias de resolver esse atual problema com o áudio do computador espero muito em breve trazer novas postagens para o Blog CULTURA CABESOUND e, quem sabe, sem novas longas ausências como essa, pois o que mais gosto de fazer é compartilhar desse meu gosto musical com todos os meus amigos do Brasil e do mundo, incluindo você que nesse momento lê esse texto. Como diz a letra do samba de Sombrinha, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila: O SHOW TEM QUE CONTINUAR… e, se DEUS quiser continuará!!!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pe. Zezinho SCJ – Histórias que eu conto e canto… músicas para quem medita (Edições Paulinas Discos – 1974)

Pe Zezinho 1974
                       Download aqui

Link reativado em 23/04/15
 
     A muito tempo que eu não fazia postagens de conteúdo cristão no BLOG CULTURA CABESOUND. Resolvi então fazer a primeira postagem voltada ao público católico, provando mais uma vez que existe espaço aqui para a música de todos os estilos e vertentes e, também para a música Cristã, seja ela Evangélica ou Católica. E a postagem de hoje é especialíssima, pois é um lp original de um dos líderes religiosos mais reconhecidos e respeitados no Brasil e no mundo e, considerado o pioneiro, dentro do Catolicismo, no uso da música e dos meios de comunicação como instrumentos de evangelização: Padre Zezinho.
     José Fernandes de Oliveira nasceu em Machado (MG) em 08 de junho de 1941. Filho de Fernando e Valdevina Oliveira, era o caçula de 6 irmãos. A família era simples, mas sempre soube transmitir os passos da fé, o respeito pelo trabalho, dedicação aos estudos e o gosto pela música. Sr Fernando, o pai, media terras, transportava o gado e nas horas vagas dedilhava canções em sua viola. E, foi em um desses transportes de gado que ele sofreu um acidente que o causou uma séria lesão na coluna, que o deixou paraplégico. Com a impossibilidade do patriarca da família trabalhar, as dívidas foram aumentando, o que causou a venda do pouco que a família possuia para quitar essas dívidas. A solução encontrada para solucionar os problemas financeiros foi a mudança para a cidade de Taubaté (SP), onde existia uma fábrica onde os três filhos mais velhos poderiam trabalhar para ajudar no sustento. A caridade de amigos e vizinhos também foi importante nesse período de dificuldades.
     Aos 7 anos, Zezinho se tornou Coroinha e aos 9 anos viu um de seus irmãos entrar para o seminário da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) em Taubaté. Cada vez mais a chama sacerdotal ia se acendendo na vida de Zezinho. Aconselhado pelo irmão, que voltou do seminário, Zezinho manteve firme sua vocação sacerdotal. Vários anos de formação intelectual se passaram, seja nos seminários de Lavras (MG) ou de Corupá (SC) e, ao contrário de muitos adolescentes que desistem da vocação por saudades da família, Zezinho seguiu firme a sua caminhada. A música também passou a ser companheira constante: ainda no seminário, aprendeu a tocar Órgão e aprimorou seus conhecimentos musicais com as aulas do Padre Germano Better, alemão de formação clássica, onde também aprendeu canto lírico. Sempre se enturmou com facilidade e, sempre mostrou uma postura de líder. Foi então se formando a faceta seminarista, pois tinha grande facilidade de comunicar-se com os mais jovens. Seus superiores decidiram então por enviar Zezinho aos EUA, onde pôde se aperfeiçoar na doutrina cristã durante 4 anos. Aos 25 anos, foi ordenado Padre.
     De volta ao Brasil, o já Padre Zezinho, SCJ, iniciou suas atividades pastorais na Paróquia São Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara (SP), ao mesmo tempo em que começava a colocar em prática seus conhecimentos musicais escrevendo suas primeiras canções, com o intuito simplesmente de usá-las nas missas. Para atrair cada vez mais jovens para a igreja, Pe Zezinho fez uso da música e do teatro na igreja onde pastoreava. Não apenas atraiu os jovens, mas atraiu pessoas de outros bairros e cidades, mas também a ira de setores mais conservadores da igreja católica, mas, aos poucos essa “ira” foi se transformando em respeito e admiração. Nesse período, cerca de 14 mil jovens ficaram aos seus cuidados.
     Corria o ano de 1968 quando, numa dessas revolucionárias missas dominicais, onde Pe Zezinho cantava suas próprias canções, acompanhado além de violões, por guitarra elétrica e Teclados e, também pela sua já grande legião de seguidores fiéis, recebeu a visita de irmã Maria Nogueira, então Diretora das Edições Paulinas Discos. Lá ela pôde constatar que aquele jovem Padre, recém chegado dos EUA, tinha uma bela voz e compunha muito bem. Foi então, que em 1969, Pe Zezinho SCJ se tornou o primeiro padre a ter um disco gravado: o compacto  CANÇÃO DA AMIZADE. Foi a partir de então, que aquelas canções, feitas simplesmente para serem usadas nas missas dominicais, foram se tornando sucesso no país inteiro e também no mundo. A voz e a música de Pe Zezinho SCJ se tornaram referência e, são admiradas não apenas no meio católico, mas em todos os segmentos.
     Do fim dos anos 60 até a metade dos anos 70 o país vivia o período turbulento da Ditadura Militar, onde a censura em todos os meios de comunicação imperava. Nem o próprio Pe Zezinho ficou imune: várias de suas canções, com letras de protesto e politizadas, foram censuradas, nenhuma delas, entertanto, nunca deixaram de ser entoadas a plenos pulmões nas igrejas. Um dos lp’s de Pe Zezinho chegou a ter 11 de suas 12 canções censuradas. Pe Zezinho também passou um período exilado por 6 meses na Itália e na Espanha.
     Professor; Comunicador, com vários programas de rádio em sua trajetória; Escritor, com vários livros lançados em várias línguas e muitos se tornando verdadeiros BEST SELLERS; Principalmente, pioneiro dos Padres-Cantores, com centenas de discos lançados no Brasil e no Exterior, com milhões de cópias vendidas… esse é um resumo de toda a belíssima trajetória de vida e obra de Pe Zezinho SCJ, de 46 anos de Sacerdócio retratada aqui no BLOG CULTURA CABESOUND e, representada pelo lp HISTÓRIAS QUE CONTO E CANTO, lançado em 1974, que trouxe entre outras belas canções os clássicos da música cristã AMAR COMO JESUS AMOU e MARIA DE NAZARÉ. Um belo presente aos amigos, que gostam da boa música e que me dão a alegria da visita à essa humilde página.

Dados do disco:

Intérprete: Pe Zezinho SCJ e Coro
Participação Especial de: Marion
Letras e Músicas: Pe Zezinho SCJ
Arranjos: Maestro Wilson Mauro e Wilma Camargo
Direção Geral: C. Nogueira FSP.

Músicas:

Lado 1:
01- Distração
02- Balada por um velho amigo
03- De novo penso em Deus
04- Hoje é domingo
05- Jesus Cristo me deixou inquieto

Lado 2:
01- Amar como Jesus amou
02- Maria de Nazaré
03- Teoria
04- A juventude é uma semente
05- Balada por um reino

sábado, 28 de abril de 2012

Vem aí a 5ª Feira do Vinil do RJ!

5ª Feira do Vinil

     Algum tempo depois da última postagem no Blog (quase 2 meses) e alguns problemas com a conexão da internet aqui de casa, eis que estou aqui de volta, primeiro para me desculpar com os amigos do CULTURA CABESOUND por essa grande ausência e, segundo, para anunciar para os amigos a realização da 5ª Feira do Vinil do Rio de Janeiro, no próximo domingo, dia 06 de maio. Desta vez a feira será realizada no INSTITUTO BENNET, no bairro do FLAMENGO, conforme banner mostrado acima. Como nas feiras anteriores vou estar postando as fotos do evento aqui. Será com certeza mais uma vez um acontecimento maravilhoso. Conto com a presença de todos os amigos do BLOG CULTURA CABESOUND.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Wando – Glória à Deus no céu e samba na terra (Beverly – 1973).


Glória a Deus no céu e samba na terra (capa)
                       Download aqui

Link reativado em 03/04/15

     Realmente, o mês de fevereiro de 2012 vai ficar marcado por grandes perdas na música mundial. Perdemos ontem pela manhã PERY RIBEIRO, que na minha modesta opinião foi uma das mais belas vozes da música mundial. Anteriormente o mundo foi pego de surpresa com a morte prematura da “Diva” Whitney Houston, que mesmo com todo o histórico de envolvimento pesado com drogas havia dado sinais recentemente de que a carreira de sucesso retornaria aos eixos. E, eis que, no último dia 08/02, após um período internado no CTI do Hospital Biocor, Nova Lima (BH), em decorrência de complicações cardíacas gravíssimas, morreu WANDO, considerado por alguns um cantor meramente brega, mas por muitos um dos maiores nomes da música romântica brasileira.
     Wanderley Alves dos Reis nasceu em Cajuri, Minas Gerais, em 02 de Outubro de 1945. Filho de Belmira Martins dos Reis e Argentino Alves dos Reis, o menino Wanderley mostrou gosto pela música desde cedo, mas a família não tinha condições financeiras para incentivar uma eminente carreira artística. O “apelido” Wando, que se tornaria seu nome artístico definitivo, foi dado por sua avó.
     Ainda menino mudou-se para Congonhas do Campo com a família e lá teve os primeiros passos musicais aprendendo um pouco de violão erudito. Viveu na cidade até a adolescência, quando formou com alguns amigos sua primeira banda de baile e, decidiu que a música era a única forma que se tinha de conquistar as mulheres. Tempos depois se mudou para Volta Redonda. Lá, para sobreviver, trabalhou como feirante, jornaleiro e caminhoneiro. Nas horas vagas compunha suas próprias canções. Teve a primeira chance artística em uma rádio local e começa definitivamente a “bater nas portas” a procura de alguém que se interessasse por gravar suas músicas.
     Finalmente descoberto por Nilo Amaro (Cantores de Ébano), muda-se para São Paulo, onde passa a se apresentar em bares e restaurantes e começa assim a dura caminhada em busca da tão sonhada oportunidade artística. E ela chegou em 1971, quando o próprio Nilo Amaro, sabendo do desejo de Jair Rodrigues de gravar uma música bem alegre sobre carnaval, leva Wando até o encontro de Jair. Nesse encontro, Jair pôde então testemunhar todo o talento de compositor do jovem Wando ao ser apresentado ao samba “O importante é ser Fevereiro”. Por gratidão, Wando deu parceria deste samba à Nilo Amaro. Jair então decide gravar o samba, que se torna a primeira composição de grande sucesso da carreira de Wando. Mas, o Wando cantor também tinha seu talento e ele foi contratado, graças a ajuda de Nilo Amaro e ao sucesso de “O importante é ser Fevereiro”, pelo selo BEVERLY, que na época ainda não pertencia à Discos Copacabana, para lançar o seu primeiro compacto: MARIA MARIÁ.
     O ano de 1972 começa com mais composições de sucesso, exemplo disso é CATIMBA CRIOULO, gravada pelos Originais do Samba, e principalmente SE DEUS QUISER, mais uma gravação de sucesso com Jair Rodrigues. No ano seguinte, Wando apresenta à Angela Maria a composição VÁ, MAS NÃO VOLTE, que Angela grava e se torna mais um grande sucesso. Abre-se as portas então para Wando gravar seu primeiro LP: GLÓRIA À DEUS NO CÉU E SAMBA NA TERRA, um ótimo disco carregado de Swing, Samba e rítmos regionais, aclamado pela crítica e de certa forma bem aceito pelo público, com um estilo musical bastante diferente do Wando dos anos posteriores. Aos poucos então, o Wando meramente compositor dá lugar ao cantor. No final de 1974, Wando grava a canção que o tornaria definitivamente conhecido no Brasil inteiro: “Moça”, que vira inclusive trilha sonora da novela “Pecado Capital” e se torna um  dos maiores sucessos do ano de 1975, totalizando a impressionante marca de 1.200.000 discos vendidos.
     Mas a história de “Moça” e do posterior rótulo de cantor “Obsceno” e “Rei das calcinhas” ficará para capítulos seguintes, pois o disco que o Blog CULTURA CABESOUND traz aqui é exatamente GLÓRIA À DEUS NO CÉU E SAMBA NA TERRA. Quem não conhece irá se surpreender com o Swing e o balanço contigo em cada faixa desse disco e até poderá conhecer o lado “politizado e crítico” das letras de Wando e de alguns compositores desconhecidos do grande público até então. Esse disco mostra que Wando não era um mero cantor “Brega”.
    É uma homenagem póstuma atrasada? Sim, mas feita com carinho. Descanse em paz Wando!!!

Dados do Disco:

Estúdio: Reunidos
Direção Musical e Arranjos p/ Orquestra: Waldomiro Lemke
Coordenação: Talmo Scaranari e Decio Fonsi
Corte: Rogério Gauss
Engenheiro de Gravação e Mixagem: Renaldo Mazziero
Fotos: Oswaldo Micheloni
Lay-Out: Delbucio

Músicas
Lado 1:
01- Deus no céu e samba na terra “Samba é aleluia” (Wando)
02- Lamento do capoeira (Ditinho – Dunga)
03- O ferroviário (Cezar – Cirus)
04- Tapa na tristeza (Wando)
05- Adeus e até logo (Wando – Yara)
06- Sou da madrugada (Wando – Gilson de Souza)

Lado 2:
01- Pago prá ver (Beto Scalla – São Beto)
02- Amanhã é outro dia (Isolda – Milton Carlos). Participação Especial de Sueli Lopes
03- Ouça meu amor (Sérgio Lemke)
04- Malandro guardado (Wando – Rose)
05- Benedito e Julieta (Clóvis Cavalcante – Casabranca)
06- Falou e disse (Reginaldo Vasconcelos)
07- O importante é ser Fevereiro (Wando – Nilo Amaro)
       Se Deus quiser (Wando – Jair Rodrigues)