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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Francisco José e os sucessos de ouro da música romântica brasileira (CBD/Phillips – 1963)


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Link reativado em 26/04/2015

     Não teve jeito… Me tornei um admirador incondicional da voz de Francisco José, este cantor Lusitano nascido em Évora em 16 de agosto de 1924 e falecido em Lisboa em 31 de julho de 1988 e que residiu em terras brasileiras por vários anos, a partir do início dos anos 50, quando interrompeu os estudos de Engenharia no quarto ano para conhecer o país. Uma viagem que seria a passeio, mas que acabou por se tornar uma mudança radical e definitiva daquele cantor ainda em início de carreira. A partir de sua contratação pela Organização Victor Costa em 1955, por onde atuou primeiramente na rádio Mayrink Veiga no RJ iniciou uma “batalha” que culminou com a regravação em 78 RPM de “Olhos Castanhos” em 1960 e o lançamento de “A figura de Francisco José – Sucessos de Portugal” no ano seguinte, que foram estrondosos sucessos de vendagem. Alcançou  sucesso musical por aquí exatamente por fugir do “lugar comum” de tantos outros intérpretes portugueses, que eram criticados exatamente por “não se fazerem entender” em cada verso que cantavam. Com Francisco José, a música portuguesa ganhou “novos ares”.
     Este LP, que apresento aos amigos do blog Cultura Cabesound, para deleite de seus fãs brasileiros, foi inteiramente composto por repertório típicamente nacional. O próprio Francisco José declarou na época do lançamento: “- Este LP é portanto nada mais do que uma consequência lógica da grande admiração e especialmente da força com que fala à minha sensibilidade a moderna canção romântica brasileira. Dolores Duran, Fernando Cesar, Orestes Barbosa, Vinicius de Morais e Tom Jobim são compositores e letristas que sempre desejei reunir num LP em que tivesse a oportunidade de transmitir a maravilhosa mensagem de suas canções”. É um belíssimo LP, de produção refinada e de um bom gosto na escolha do repertório, mas é a interpretação de Francisco José que dá o toque mágico definitivo ao disco.

Dados do disco:

Arranjos e Direção Musical do Maestro Carlos Monteiro de Souza
Direção Artística: Armando Pittigliani

Músicas

Lado 1:
01- Nossos momentos (Haroldo Barbosa – Luiz Reis)
02- Graças a Deus (Fernando Cesar)
03- Fita meus olhos (Peterpan)
04- Cantiga de quem está só (Evaldo Golveia – Jair Amorim)
05- Chão de estrelas (Silvio Caldas – Orestes Barbosa)
06- Eu não existo sem você (Antonio Carlos Jobim – Vinicius de Morais)

Lado 2:
01- Castigo (Dolores Duran)
02- Ternura antiga (Dolores Duran – Ribamar)
03- Por causa de você (Antonio Carlos Jobim – Dolores Duran)
04- Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim – Vinicius de Morais)
05- A noite do meu bem (Dolores Duran)
06- Serenata do adeus (Vinicius de Morais)

sábado, 21 de agosto de 2010

Coleção Aplauso – O Melhor de Byafra (Opus/Columbia – 1984)

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Link reativado em 30/03/2015

      O blog Cultura Cabesound abre espaço agora para a música romântica brasileira representada por um de seus mais queridos representantes: BYAFRA. Hoje, mesmo longe da grande mídia, tem seu público fiel, inclusive possui um caprichado web site: http://byafra.com/ e o Twitter http://twitter.com/byafracantor e continua fazendo shows por todo o país. Cabe aquí uma observação quanto a grafia: Até os anos 90 o nome era escrito com a letra “I”, mas com a popularização da internet e seus sites de busca o nome passou a ser escrito com “Y” para desassociar seu nome a página que se refere a guerra civil nigeriana.
     O menino Maurício Pinheiro Reis, nascido em Niterói no dia 15 de outubro de 1957,  filho caçula de uma família de 3 irmãos, na infância brincava de ser percursionista, batendo com cabos de vassoura em latas de tinta vazias e sempre impedia sua avó de descansar depois do almoço. Resultado: Como “castigo” ela deu ao menino Maurício uma flauta doce e um certificado de inscrição em um curso de música. A brincadeira passou a se tornar coisa séria desde então pois a música se tornou companheira diária na vida do menino, que logo se interessou por cantar e demonstrou talento suficiente para ingressar no Coral do Centro Educacional de Niterói, comandado pelo maestro Hermano Soares de Sá, chegando a se apresentar junto ao Coral em um festival na Escócia, interpretando Villa-Lobos. Por ser muito magro, já nessa época ele receberia de seus colegas o apelido que se tornaria seu nome artístico: Byafra.
     Ingressou no grupo musical O CIRCO como vocalista principal em meados dos anos 70 e começou a pegar “intimidade” com os palcos, já que o grupo conseguiu um certo sucesso em apresentações por Niterói e no interior do estado do RJ, fato que chamou a atenção de executivos da antiga gravadora CBS, que logo contratou o jovem cantor, que a essas alturas também se tornara compositor, para a gravação de um LP. Byafra fez questão de ser acompanhado por seus amigos d’O Circo nas gravações, tanto que na foto da contra-capa de PRIMEIRA NUVEM, lançado em 1979 ele está na companhia do grupo. Logo o LP chama a atenção do público em geral, graças ao sucesso radiofônico da música HELENA, composta em parceria com Luiz Eduardo Farah. A música ainda conseguiu mais sucesso graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global MARRON GLACÊ. O sucesso radiofônico do disco não parou por aí: A canção BARCOS E NAVIOS logo também chamou a atenção do público, alguns chegaram a comparar a interpretação de Byafra nessa faixa a Raul Seixas.
     Outros sucessos radiofônicos vieram, até que em 1981, Byafra recebe seu primeiro Disco de Ouro com o LP DESPERTAR, que trouxe o grande hit LEÃO FERIDO, parceria com Dalto, que se tornou o maior sucesso radiofônico daquele ano. VINHO ANTIGO, incluída na trilha sonora da novela JOGO DA VIDA foi outro grande sucesso. A partir de então, Byafra passou a ser um dos cantores mais requisitados para shows e apresentações em programas de TV.
     Em 1984, Byafra foi contratado pela gravadora ARIOLA, hoje pertencente a UNIVERSAL MUSIC. Lançou naquele ano o LP EXISTE UMA IDÉIA, que trouxe o outro grande hit da carreira: SONHO DE ÍCARO. O disco logo se tornou outro grande sucesso de vendas na carreira do cantor. Mas é a sua fase na gravadora CBS que é revivida nessa coletânea que apresento no blog Cultura Cabesound. A coleção APLAUSO foi lançada no início dos anos 80 e trazia grandes sucessos do cast da gravadora CBS, Byafra não poderia ficar de fora. Essa coletânea é um bom parâmetro para você conhecer a obra desse grande artista até 1982. Mais um presente do blog Cultura Cabesound!!!

Dados do disco:

Supervisão: Sergio Motta
Direção de arte: Cosme de Oliveira
Ilustração: Carlos Garcia
Arte-final: Marciso / Lula
Diagramação: Pena Branca

Músicas

Lado 1
01- Leão Ferido (Biafra – Dalto)
02- Helena (Biafra – Luis Eduardo Farah)
03- Vinho antigo (Dalto – Claudio Rabello)
04- Coração vadio (Biafra – Dalto)
05- Jogo aberto (Sergio Sá)
06- Uma vez e nunca mais (Ian Sutherland – Versão de Aloísio Reis)

Lado 2
01- Barcos e navios (Biafra)
02- Toda sua luz (Humberto Rezende – Aloísio Reis)
03- Dor da solidão (Luis Eduardo Farah – Biafra)
04- Vôa bicho (Telo Borges – Marcio Borges)
05- Mil e uma noites (Flavio Venturini – Murilo Antunes)
06- Paquetá (Biafra – Paulo Ciranda – Marco Valença) – Obs: Participação Especial de Marise de Rezende, não creditada no disco.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ROCK ‘N’ ROLL FOREVER – Audio News Collection Vol: 8 (Movieplay – 1996) “CD”

Rock and Roll Forever

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Link atualizado em 01/04/15

     Essa talvez seja a postagem mais elaborada até agora aquí no blog Cultura Cabesound. O que mais surpreende é que adquirí esse CD em banca de jornal, brinde da revista AUDIO NEWS em 1996. As músicas contidas nesse CD são “pedras fundamentais” do Rock and Roll. Tudo bem… algumas faixas não chegam a ser “rock and roll” na essência, mas são exatamente desse período fértil da música mundial (meados dos anos 50 e início dos anos 60) e muitas dessas gravações hoje são raríssimas de se encontrar nas lojas. Abaixo, coloquei biografias compactadas sobre cada artista e suas respectivas músicas, exatamente na órdem apresentada no CD:

BillHaley   *Bill Haley - Sua biografia já está incluída no blog, no post BILL HALEY & THE COMETS - AO VIVO EM LONDRES '74. A gravação de ROCK AROUND THE CLOCK (Freedman - De Knight) incluída nesta coletânea é a original, lançada em 1955.

names%20of%20,fats     *Fats Domino - Nascido em 26 de fevereiro de 1928 em Nova Orleans é um dos mais importantes cantores, compositores e pianistas  do rock e do R&B em todos os tempos. Seu nome completo de batismo é Antoine Dominique Domino. AIN'T THAT A SHAME (Domino - Bartholomew) é o seu grande sucesso, originalmente lançado em 1955, aquí é apresentada em uma gravação ao vivo nos anos 80.

   
teenagers      *Frankie Lymon - Nascido no Harlem, em Nova York (30 de setembro de 1942) foi um dos primeiros talentos precoce da música mundial. Liderou o grupo Frankie Lymon & The Teenagers. Frankie morreu ainda jovem, em 1968, vítima de overdose. WHY DO FOLLS FALL IN LOVE (Lymon - Levy) foi o primeiro single, lançado em janeiro de 1956 e primeiro grande sucesso da carreira. A música é aquí apresentada em sua gravação original.

ThePlatters      *The Platters - Formado em Los Angeles em 1953, foi um dos maiores grupos vocais formados na era do Rockabilly. O grupo teve várias formações durante uma carreira que vai até os dias atuais, mas foi a original, com Tony Williams, David Lynch, Alex Hodge, Herb Reed e Zola Taylor que deixou as gravações mais célebres. THE GREAT PRETENDER (Buck Ram), lançada em 1955, é um dos grandes sucessos. (Gravação original).

121jerry-lee-lewis      *Jerry Lee Lewis - Nascido em Lousiana, em 29 de setembro de 1935, é uma das maiores "Lendas Vivas" do Rock and Roll, junto com Chuck Berry e Little Richard. Tem uma carreira marcada por altos e baixos, principalmente por escândalos na vida pessoal. Mas, a sua música e a sua energia ao tocar piano no palco são cultuados até os dias de hoje. WHOLA LOTTA SHAKIN' GOING ON (Williams - David), lançada em 1957, é o seu primeiro grande sucesso. (Gravação original).

chuck-berry       *Chuck Berry - Charles Edward Anderson Berry, nascido em Saint Louis em 18 de outubro de 1926, é ídolo de personalidades como John Lennon, Keith Richards e Eric Clapton. Berry pode ser considerado como um dos inventores do Rock and Roll e é até hoje considerado um dos "Heróis da guitarra". JOHNNY B. GOODE (Chuck Berry) é uma das suas gravações mais famosas, lançada em 1958. (Gravação original).

Eddie_Cochran_Gallery_I      *Eddie Cochran - Nascido Edward Ray Cochrane na cidade de Oklahoma em 31 de outubro de 1938, iniciou carreira em 1955 no gênero Country fazendo dupla com Kank Cochran no The Cochran Brothers (Curiosidade: Não tinham qualquer parentesco). Mas a sua carreira emplacou em 1956, quando participou do filme "The Girl Can't Help It" interpretando Twenty-Flight Rock. Morreu em 17 de abril de 1960, vítima de um acidente de trânsito. SUMMERTIME BLUES (Cochran - Capehart), lançado em 1958, é um dos seus maiores hits. (Gravação original).

!little-richard-penniman      *Little Richard - Nascido Richard Wayne Penniman em 5 de dezembro de 1932, Georgia - EUA, tem seu nome na galeria dos grandes nomes da música pelo seu estilo vibrante e acelerado de tocar piano e por seus sucessos nos primórdios do Rock and Roll. Tornou-se pastor evangélico em 1958, mas até hoje se apresenta em eventos nostálgicos que celebram as orígens do rock. GOOD GOLLY MISS MOLLY (Blackwell - Marascalco), lançada em 1958, é um de seus maiores sucessos. (Gravação original).

Johnny      *Johnny & The Hurricanes, ou literalmente "Johnny e Os Furacões" foi um conjunto formado em 1957 pelo saxofonista Johnny Paris, nascido John Pocisk (1940 - 2006) com o nome inicial The Orbits. Ficaram famosos com a gravação instrumental da canção folclórica "Red River Valley", que se transformou em RED RIVER ROCK (Tradicional - Arr: Johnny Paris), lançada em 1959. (Gravação original).

Jackie Wilson      *Jackie Wilson - Nascido Leroy Jack Wilson Jr em Detroit, 09 de junho de 1934, foi um dos responsáveis pela transição do Rhythm and Blues para o Soul. Foi conhecido como "Mr. Excitement" por ser um autêntico Showman.. Em 1975, durante um show beneficente, Jackie caiu inconsciente no palco devido a um ataque cardíaco e depois entrou em um longo coma, que persistiu até sua morte, em 21 de janeiro de 1984. THAT'S WHY (I LOVE YOU SO) (Gordy Jr - Carlo - Gordy), lançada em 1959 é uma de suas mais célebres gravações e um de seus grandes hits. (Gravação original).

del_shannon      *Del Shannon - Nascido Charles Weedon Westover em Michigan, 30 de dezembro de 1934. Começou a tocar guitarra e cantar aos 14 anos, mas começou a levar a carreira a sério quando entrou para o exército em 1957 e fez sua primeira apresentação durante um evento no ano seguinte. Em 1961 gravaria com sua famosa voz em "falsete" seu primeiro single: RUNAWAY (Shannon - Crook), que também se tornaria o seu maior hit. Em 8 de fevereiro de 1990 comete suicídio, por motivos até hoje não muito bem explicados. A gravação original de RUNAWAY é a que consta nessa coletânea.

250%20Timi%20Yuro      *Timi Yuro - Nascida Rosemary Timothy Yuro em Chicago, em 04 de agosto de 1940, ficou famosa por suas composições e principalmente por ser uma cantora de pele branca com voz típica das cantoras black Norte-Americanas, influenciadas principalmente por Billie Holliday. Morreu vítima de câncer aos 63 anos, em 30 de março de 2004. Sua mais famosa gravação é HURT (Crabe - Jacobs), lançada em 1961. É a gravação contida nesta coletânea.

Sam Cooke      *Sam Cooke - Nascido Samuel Cook no Mississipi, em 22 de janeiro de 1931, é considerado o mentor do que hoje é chamada Soul Music, é chamado de "The King of Soul". Foi um dos primeiros artistas negros a obter controle total de suas finanças e a se tornar empresário. Possui vários sucessos nas paradas americanas. Foi admirado igualmente por negros e brancos por seu timbre de voz. Morreu assassinado na porta de um motel da cidade de Los Angeles pela gerente do estabelecimento, que alegou legítima defesa, em 11 de dezembro de 1964 aos 33 anos. TWISTIN' THE NIGHT AWAY (Sam Cooke), lançada em 1962, mostra toda a classe musical de Cooke. É a gravação aquí contida.

roy-orbison-crying     *Roy Orbison - Nascido Roy Kelton Orbison no Texas, em 22 de abril de 1936, é considerado um dos pioneiros do Rock and Roll. Sua carreira começou influenciada por seu pai e pelo seu tio ainda antes que completasse 10 anos de idade se extendeu durante 4 decadas. Lançou seu primeiro single, intitulado "Ooby Dooby" em 1956 pela Sun Records, a mesma gravadora que lançou Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Também foi outro artista célebre por cantar com um tímbre de voz típico de negros. No auge da carreira nos anos 60, Roy sofreu duas grandes perdas pessoais: Claudette Frady, sua primeira esposa, morreu em 1966 ao cair da garupa da moto de Roy e em 1968 dois de seus três filhos, Roy Duwayne Orbison e Anthony King Orbison morreram em um incêndio que destruiu a casa da família. Os anos 70 para Roy foram de praticamente reclusão, sem muitas apresentações e literalmente falido. Sofreu uma operação no coração em 1979. Ressurgiu nos anos 80, com algumas gravações suas incluídas em trilhas sonoras de filmes de sucesso. Regravou seus sucessos em um LP em 1987 e foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll. Formou com George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty e Jeff Lynne o grupo Traveling Wilburys, onde nenhum dos componentes revelavam seus verdadeiros nomes e diziam que a banda era composta por 5 irmãos (Roy era Lefty Wilbury). O lançamento desse disco seria o "grande retorno" de Roy que todos esperavam, mas um ataque cardíaco fulminante em 06 de dezembro de 1988 em Nashville não deixou que ele presenciasse nem a premiação do LP com um Grammy no ano seguinte. Em 1989 foi finalizado e lançado aquele que acabaria por se tornar o disco de maior sucesso na carreira de Roy: Mystery Girl, que trouxe o grande hit "You got it". OH, PRETTY WOMAN (Orbison - Dees), grande sucesso lançado em 1964, é incluída aquí em uma raríssima gravação ao vivo no mesmo ano de lançamento.

     Então está aquí, para você que prestigia o blog Cultura Cabesound, mais um grande presente, preparado com muito carinho. Espero que goste!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Trio Irakitan – Os sambas que gostamos de cantar (IEM/Odeon – 1957)

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Link atualizado em 03/04/15

     De todos os grupos musicais brasileiros que fizeram carreira no exterior, um dos mais famosos e célebres sem dúvida é o TRIO IRAKITAN. O Blog Cultura Cabesound abre nesse momento espaço para esse que é um dos melhores grupos vocais que surgiram em terras tupiniquins.
     O ano era 1947. A rádio Poty de Natal tinha como um de seus contratados Edson França, o EDINHO, que se apresentava regularmente no programa “Parada Estudantil”. Cantor e violonista, Edinho fazia imitações de Bob Nelson. Nesse mesmo ano, o também apaixonado por música João Manoel de Araújo Costa Netto, o JOÃOZINHO, amigo de infância de Edinho, deu baixa no exército e decidiu recomeçar aquelas cantorias que faziam juntos pelas redondezas de Natal. Paulo GILVAN Duarte Bezerril, que já se tornara um cantor profissional, desembarcava em Natal oriundo de Recife, a fim de se tornar crooner de uma orquestra local. O acaso fez com que os três “juntassem forças” em 1950 na festa de aniversário do Clube América. A experiência musical conjunta acabou se tornando coisa séria, a partir de então surgia um novo grupo musical. Com o início dos ensaios e a escolha do repertório iniciou-se então a pesquisa por um nome para o trio, chegou a ser cogitado o nome Trio Trairi, mas era um nome considerado não radiofônico. O filho do famoso historiador Luis da Câmara Cascudo era amigo de Edinho e Joãozinho. Câmara, conhecedor do talento dos rapazes acaba se tornando peça fundamental no início da carreira do Trio, que ainda se apresentava pelas rádios locais sem um nome definido. Sugere então um nome indígena para o trio: Muirakitan. O nome é aprovado, mas logo se descobriu que em Recife já existia um grupo musical feminino com o mesmo nome.  Para não virar Muirakitan masculino,  Câmara  sugeriu que se   eliminasse o “mu”.  Então, Muirakitan, que significava “Pedra Verde” se transformou em IRAKITAN, que significa “Mel verde” na língua Tupi.
     Estava então formado o TRIO IRAKITAN. Saíram de Natal rumo à Recife (terra natal de Gilvan) e passaram a se apresentar  na Rádio Clube de Pernambuco e logo se tornaram um grande sucesso de público. Decidiram então percorrer várias capitais do Norte e Nordeste com sua música, sempre com muito sucesso. Parte do dinheiro que ganharam com essas excursões é perdida no jogo, então o Trio dá o passo mais audacioso na carreira ao seguir viagem para o estrangeiro. Passaram pelas Guianas, Trinidad e Tobago e logo seguiram rumo à América Central, No México o Trio Irakitan permaneceu durante 3 anos seguidos e conseguiram uma tal projeção a ponto de fazerem vários shows e gravar discos de músicas brasileiras em castelhano e aparecer em filmes, como por exemplo “Llévame en tus brazos”, com Ninon Servilla, interpretando a canção “Banzo”, de Hekel Tavares e Murílio Araujo, e “O vento”, de Dorival Caymmi. Na volta ao Brasil, em 1954, se apresentam com a formação musical aprimorada – Edinho ao violão, Joãozinho no tantã e Gilvan no Afoxé - pela primeira vez no Rio de Janeiro. O sucesso do trio chama a atenção da gravadora ODEON que logo os contrata, e também da RÁDIO NACIONAL, que os contrata como atração fixa da programação. Inicía-se então uma carreira de muito sucesso também em solo nacional. Fazem participação especial em mais de dez filmes, trabalhando como atores principais em “Rio Fantasia”, “Virou Bagunça” e “Três colegas de Batina” e gravam vários discos que se tornaram recordistas de vendagem, incluindo versões em português de boleros como LA BARCA e BESAME MUCHO. Chegam a gravar um LP só de sambas em 1957, intitulado OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR. A sonoridade do trio empolgava Dolores Duran a se apresentar com eles. Por pouco o Trio Irakitan não fez a trilha sonora do filme "Inferno Verde", estrelado por Grace Kelly. Eles encontraram com o pessoal da Metro quando estes estavam procurando lugar para as locações do filme na Colômbia. Os potiguares cantaram "Maringá" e foram chamados para fazer a trilha sonora do filme, só que a turnê do Trio Irakitan se estendeu demais e eles perderam o lugar na trilha sonora para o Bando da Lua, grupo que acompanhava Carmem Miranda. Nat King Cole, em sua visita ao Brasil em 1959 se encantou com o talento do trio: Gravam juntos o disco ANDORINHA PRETA e, no LP em castelhano lançado por Cole o Trio Irakitan participa nos vocais e instrumentais.
     Com o sucesso da Bossa Nova e o movimento da Jovem Guarda já no “nascedouro”, o trio decide interromper as atividades por um tempo, logo após o lançamento do LP A BOSSA QUE GOSTAMOS DE CANTAR, em 1961, já haviam gravado um LP com Gregório Barrios no mesmo ano. Em 1965 a carreira do Trio Irakitan sofre um forte abalo com a notícia do suicidio de EDINHO, fato que ofuscou completamente o lançamento de AOS MEUS AMIGOS, LP que o trio gravara com Nat King Cole. Graças a persistência de Gilvan e Joãozinho, que buscaram em outros componentes um substituto para Edinho o trio retomou a carreira em 1967 com o LP A VOLTA,  já com Antônio Santos Cunha, o Tony (ex Trio Guarani) na formação. O trio seguiu sem fazer shows até 1972. A partir de então, com o bolero voltando às paradas de sucesso o trio retorna à rotina de shows, inclusive no exterior, apresentações em programas de TV e discos. Em 1981 Joãozinho sai do trio, dando lugar à IRAQUITAN da Costa. Em 1986, Tony  é substituído por Edildécio Andrade, o EDIL, cujo tímbre de voz era bem semelhante ao de Edinho. Joãozinho retorna ao trio em 1987 no lugar de Iraquitan. Em 1990 Joãozinho se ausenta mais uma vez do trio, pois precisaria passar por uma cirurgia e é substiuído por EDILSON Andrade, irmão de Edil. Essa ausência de Joãozinho seria definitiva: Ele entraria em um longuíssimo coma, que duraria até 14 de agosto de 2005, quando veio a falecer. No fim de 2008, Gilvan deixa o trio e é substituído por CARLOS Raposo. Em 21 de junho de 2009 um enfarte mata prematuramente Edil. Atualmente, o trio Irakitan segue fazendo apresentações pelo Brasil com a seguinte formação: Edilson, Tony (que retornou ao grupo após a morte de Edil) e JOSIAS Gaudêncio, que subistituiu Carlos Raposo.
     O disco que apresento aquí foi o lançado em 1957. Com um repertório exclusivamente de sambas e arranjos a cargo do maestro Astor, OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR é um disco maravilhoso. Aqueles que conhecem o Trio Irakitan intérpretes apenas de boleros irão se supreender com o suíngue e balanço do trio em faixas como O ORVALHO VEM CAINDO, a hilária COISAS DO CARNAVAL e DIZ QUE VAI, VAI, VAI. Lançaram em 1969 outro LP de sambas também muito bom, mas que não repetiu o sucesso deste OS SAMBAS QUE GOSTAMOS DE CANTAR. Mais um presente de CULTURA CABESOUND à vc que prestigia o Blog!!!

Músicas

Lado 1:
01- O orvalho vem caindo (Noel Rosa – Kid Pepe)
02- Rosa morena (Dorival Caymmi)
03- Prá machucar meu coração (Ary Barroso)
04- Coisas do carnaval (Ary Barroso)
05- No taboleiro da baiana (Ary Barroso)
06- Mulher de malandro (Heitor dos Prazeres)

Lado 2:
01- Diz que vai, vai, vai (Hannibal Cruz)
02- Lá vem a baiana (Dorival Caymmi)
03- Agora é cinza (Bide – Marçal)
04- Ora, ora! (Almanyr Grego – Gomes Filho)
05- Samba da minha terra (Dorival Caymmi)
06- Tarde na serra (Lamartine Babo)

domingo, 18 de julho de 2010

Bill Haley and The Comets – Ao vivo em Londres ‘74 (Continental/Atlantic Records – 1975)

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Link atualizado em 30/03/15

     É tempo de Rock and Roll no blog Cultura Cabesound. Abro espaço nesse momento para aquele que deu o pontapé inicial nesse rítmo que embala gerações: Bill Haley.
     Bill Haley nasceu em Highland Park, Michigan, Estados Unidos, em 6 de julho de 1925. Profissional da música desde a adolescência, passou por diversos estilos musicais como country, jazz, blues, polka e música tirolesa. Após o final da segunda guerra mundial (da qual não participou por ter um dos olhos de vidro) Bill Haley participava de bem-sucedidas bandas de swing. Mas sua grande contribuição foi ter participado da criação do rock and roll.
     Formou o grupo Saddlemen em 1949, que no início era de estilo Country. Esse mesmo grupo a partir de 1952, passa a adotar o nome Bill Haley and His Comets.
     Em 1953 gravou "Crazy Man, Crazy", primeiro disco a aparecer nas paradas com a descrição "rock and roll". O alge veio em 1954 com "Shake Rattle and Roll", primeiro grande hit da história do rock, um antigo clássico da música negra, com sua letra amenizada e ritmo acelerado, como era comum na época.
     No final de 1954 e início de 1955 houve o maior de todos os hits, "Rock Around The Clock". A música foi colocada na trilha sonora do clássico filme "Sementes da Violência" ("Blackboard Jungle") que mostrava conflitos entre alunos e professores de uma escola. O filme era acusado de incentivar a rebeldia juvenil e gerava tumultos nas salas onde era exibido. Seguiram-se vários outros hits como "See You Latter Aligator", "ABC Boogie" e "Razzle Dazzle", todos de temática inocente e dançante.
     Bill Haley foi de certa forma vítima do próprio rítmo que havia criado. Em menos de 3 anos, com o despontar de astros mais jovens, mais rebeldes e de mais fácil identificação com a juventude, como Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, entre outros, Bill Haley passou a ser visto como um ente deslocado, um velho tocando música de jovens, e teve de mudar os rumos de sua carreira, passando a se apresentar para platéias menores e mais velhas. Continuou durante mais de 20 anos excursionando por todo o mundo com o mesmo visual e as mesmas músicas.
     Bill Haley morreu em 1981, aos 55 anos, de ataque cardíaco, após um derrame cerebral, no Texas.
     Esse disco foi gravado em 1974 em um show no Hammersith Palais de Londres, captou toda a energia de Bill Haley e seus Cometas no palco executando seus maiores sucessos. Esse é para tirar o sofá e a mesa da sala e dançar sem parar!!!
 
Dados do disco:
Gravado ao vivo no Hammersmith Palais. 25/Março/1974
Gravação Mobile: Ronald Lane (LMS) LTD
Engenheiro de gravação: Geoff Haslam
Engenheiros assistentes: Dave Smith, Mark Dodson, Russel Schlagbaum
Re-mixagem nos estúdios Trident, por Peter Kelsey & Geoff Haslam
Matrizagem: Nos estúdios Trident por Ray Staff.
Produzido por Geoff Haslam
Guitarra e Líder vocal: Bill Haley
Sax tenor: Rudy Pompilli
Guitarra líder e vocais: Nick Masters
Guitarra e vocais: Ray Parsons
Baixo e vocais: Ray Cawley
Bateria: Freddie Moore
 
Músicas
Lado 1:
01- Shake Rattle & Roll (Calhoun)
02- Rudy's rock (Rudy Pompilli – Haley)
03- Rip it up (Blackwell – Marascalco)
04- Spanish eyes (Kaempfert – Singleton – Snyder)
05- Razzle dazzle (Calhoun)
Lado 2:
01- Rock-a-beatin' boogie (Haley)
02- Caravan (Tizol – Ellington – Mills)
03- See you later alligator (Guidry)
04- Saints rock & roll (Haley – Gabler)
05- Rock around the clock (De Kinght – Freedman)
06- Rock the joint (Crafton – Keene – Bagdy)
 

terça-feira, 13 de julho de 2010

Paulo Moura (1933 – 2010)

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     Mais um grande músico brasileiro nos deixou. O blog Cultura Cabesound nesse instante presta uma homenagem ao “Mestre” PAULO MOURA.
     Paulo Gonçalves de Moura nasceu na cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, no dia 17 de fevereiro de 1933. Com mais de meio século de carreira, o saxofonista, clarinetista, compositor, arranjador e maestro era considerado um dos maiores nomes da música brasileira. Músico popular e erudito, jazzman, compositor, maestro e arranjador, orientador de grandes músicos brasileiros, professor no Brasil e no exterior, este eclético clarinetista e saxofonista já tocava desde cedo, com o pai, Pedro Gonçalves de Moura, mestre da banda de sua cidade natal. Aos nove, Paulo começou a estudar o piano e com treze já estava tocando na banda do pai dele em festas e bailes. Mudou para o Rio junto com a família; aos dezoito anos começou os estudos na Faculdade Nacional de Música. Completando o curso, continuou estudando teoria, harmonia e contraponto com o mestre Paulo Silva. Ele também estudou harmonia, contraponto e fuga com o maestro Guerra Peixe. Do lado da música popular, ele teve lições de arranjo com os maestros Moacir Santos e Cipó. Formou-se pela Escola Nacional de Música aos dezessete anos e foi contratado como primeiro clarinetista da Orquestra do Teatro Nacional, função que ocupou por muitos anos. Durante esse período gravou inúmeros discos e viajou com Ari Barroso para o México e URSS e lá regeu a Orquestra Sinfônica de Moscou.
     Apaixonado por jazz formou uma das primeiras bandas do gênero no país: A “Nova Orquestra de Jazz”. 
    Ele participou do histórico show de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 1962, ao lado de Tom Jobim e Sérgio Mendes.
     Depois de formar seu conjunto em 1968 e gravar 5 ábuns representou o país, com sua  “Nova Orquestra de jazz no Festival de Arte Negra da Nigéria e consolidou sua carreira na Europa e EUA. Em 76 gravou a sua obra-prima, o LP "Confusão Urbana, Suburbana e Rural", que o levou, famoso, para o Japão, onde foi capa de revista e tocou durante 2 meses.
     Foi premiado com um Grammy pelo Melhor Álbum de Regional Brasileiro por “Pixinguinha” e o primeiro Grammy Latino pelo álbum “Tempos Felizes” que foi gravado no início de 2001.
     No fim da noite de segunda-feira, 12 de Julho, um câncer no sistema linfático (linfoma) levou o nosso grande músico para fazer um grandioso show da mais pura Música Popular Brasileira no céu, na companhia de Pixinguinha, Tom Jobim, Baden Powell, Waldir Calmon, Johnny Alf, Luiz Gonzaga e tantos outros grandes nomes.
     A arte de Paulo Moura agora é eterna. Descanse em paz, Mestre!!!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nat King Cole – Inolvidable_Nat King Cole en Español (EMI/Capitol Records – 1981)



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      Link atualizado em 11/06/2015

     O blog Cultura Cabesound abre novamente espaço para os grandes clássicos da música mundial, dessa vez representado por um de seus maiores ícones: NAT KING COLE.
     Nathaniel Adams Coles nasceu em 17 de março de 1917 em Montgomery, Alabama. A família era pobre, mas musical. A partir dos cinco anos, Cole orientado por sua mãe que era pianista, aprende a tocar piano e órgão, chegando a se apresentar junto com o coral da mesma igreja onde seu pai era pastor. Aos doze inicia estudos formais de música clássica e se envolve com o jazz estimulado por seu irmão mais velho, Eddie. Desde cedo sofreu por causa do preconceito aos negros, chegando a se apresentar para plateias brancas e negras separadamente.
     Suas primeiras gravações, em 36, foram na The Rogues of Rhythm, big band do irmão Eddie, contrabaixista (outro irmão, Freddy mais tarde também seguiu a carreira de cantor, com relativo sucesso). Em 1937, vivendo na Califórnia por conta dos compromissos da big band, em uma das apresentações conhece a vocalista e dançarina Nadine Robinson, que se tornaria sua primeira esposa. No mesmo ano Cole deixa a The Rogues of Rhythm e forma o King Cole Trio com o guitarrista Oscar Moore e o baixista Wesley Prince (mais tarde substituídos). Com esse grupo sem bateria, e já cantando, ele começou em 39 a gravar seus primeiros sucessos. Em rápida ascensão, atingiu duas vezes o topo da parada de rhythm & blues em 43, com "That Ain't Right" e "All for You". Ao trocar o jazz por canções populares, os críticos e os jazzófilos torceram o nariz. Mas o fato é que seu famoso trio mostrou uma saída quando o jazz caía no ostracismo, as big bands estavam sendo desmanteladas devido ao alto custo e o bebop ainda não tinha conquistado o público. Em 46, "(I Love You) For Sentimental Reasons" foi número 1 na parada pop, assim como seu primeiro LP, "The King Cole Trio". Os novos rumos na carreira e as constantes viagens para compromissos profissionais provocam o término do casamento de Cole e Nadine. Então, já vivendo em Los Angeles, Cole conhece Marie Hawkins Ellington, cantora do grupo de Duke Ellington (mesmo sobrenome, mas nenhum parentesco, díga-se de passagem), casando-se com ela em 1948. Com Marie, Cole teria 3 filhos: Casey, Timlin e Natalie, esta última se tornaria mais tarde cantora de sucesso. Adotaram ainda mais duas crianças: Carol e Kelly.
Somando quase 80 músicas de sucesso desde esse período até os anos 60, em uma lista que inclui “When i fall in love”, “Monalisa”, “Unforgettable”, “Fascination” entre outras, ele rivalizou com Frank Sinatra, algo excepcional para um artista negro numa época de discriminação racial. Suas músicas românticas tinham um toque especial junto a sua voz associada ao piano, tornando-o assim, um artista de grande sucesso e atuou também em vários filmes, como "St. Louis Blues", "Blue Gardenia" e "Cat Ballou", de 1965, ao lado de Lee Marvin e Jane Fonda.
     Cole foi o primeiro negro a ter um programa semanal na televisão americana, com grande audiência, mas que acabou sendo extinto pois os patrocinadores não queriam seus produtos associados a um homem negro. Nat King Cole sofreu na carne o ódio racial que imperou nos Estados Unidos até os anos 60: Em um show no Alabama, em 1956, membros de um grupo intitulado "Conselho dos Cidadãos Brancos" subiram ao palco e o agrediram pelo simples fato de ele ser um negro famoso. Apesar disso, Cole não militou no movimento pelos direitos civis, mas enfrentou a discriminação a seu modo. Processou hotéis que lhe negaram hospedagem e escolheu para morar em um bairro rico de Los Angeles até então, exclusivamente branco.
     No fim dos anos 50 passa a fazer apresentações também em países Latinos, acabando por incorporar as músicas desses países ao seu repertório, inclusive gravando LP's inteiramente em espanhol, fazendo bastante sucesso com músicas como “Cachito”, “María Elena” e “El Bodeguero”. Em 1959, Cole veio ao Brasil, apresentando-se na Televisão Record Canal 7 de São Paulo, recebendo verdadeira consagração de seus admiradores. Durante sua permanência em São Paulo, esteve acompanhado pelo homem de rádio, televisão e disco Roberto Corte Real que serviu de intérprete e cicerone em seus deslocamentos pela cidade. Gravou inclusive um disco cantando em português: “Não tenho lágrimas”. Se tornou admirador do Trio Yrakitan, gravando com eles o sucesso “Andorinha preta”, além de algumas gravações em espanhol de sucesso, como “Noche de ronda” e “Ansiedad”.
     Por ter um hábito de fumar diariamente três maços de cigarro, o cantor ficou com sua saúde abalada, até que descobriu ter câncer no pulmão, doença que o levou à morte prematura em Santa Monica, Califórnia em 15 de fevereiro de 1965.
     A presente coletânea foi lançada mundialmente em 1981 e reúne boa parte das gravações que Nat King Cole fez em espanhol durante a carreira. Mais um presente da CULTURA CABESOUND!!!
 
Músicas
Lado 1:
01- Ansiedad (Jose E. Sarabia Rodriguez) – Arr y Dir: Dave Cavanaugn - 1958
02- Perfidia (Alberto Dominguez) – Arr y Dir: Dave Cavanaugn - 1959
03- Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés) – Arr y Dir: Armando Romeu Jr – 1958
04- Cachito (Consuelo Velázquez) – Arr y Dir: Armando Romeu Jr – 1958
05- Noche de ronda (Maria Teresa Lara) – Arr y Dir: Armando Romeu Jr – 1958
06- Capullito de alelí (Rafael Hernández) – Arr y Dir: Dave Cavanaugn – 1959
07- El bodeguero (Richard Egues) – Arr y Dir: Armando Romeu Jr – 1958
08- Piel canela (Bobby Capó) – Arr y Dir: Ralph Carmichael – 1961
 
Lado 2:
01- Yo vendo unos ojos negros (Adapt. Nat King Cole – Bill Schluger) -
                                                     Arr y Dir: Dave Cavanaugn – 1959
02- Adelita (Adapt. Jack Harris – Kirk Patrick) – Arr y Dir: Armando Romeu Jr – 1958
03- Aquellos ojos verdes (Nilo Menéndez – Adolfo Utrera) – Arr y Dir: Dave Cavanaugn - 1959
04- María Elena (Lorenzo Barcelata) – Dir: Armando Romeu Jr – 1958
05- Solamente una vez (Agustin Lara) – Dir: Ralph Carmichael – 1961
06- Te quiero, dijiste (Maria Grever) – Dir: Armando Romeu Jr – 1958
07- Ay! Cosita linda (Pacho Galán) – Arr y Dir: Dave Cavanaugn – 1959
08- Las mañanitas (Adapt. Jack Harris – Kirk Patrick) – Dir: Armando Romeu Jr – 1958
 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Trilha Sonora Original da Novela Véu de Noiva (CBD/Phillips – 1969)



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Link atualizado em 03/04/15

     Mais uma novela marcante ganha espaço no Blog Cultura Cabesound: VÉU DE NOIVA, de autoria de Janet Clair, que foi exibida pela Rede Globo de Televisão entre 10 de novembro de 1969 e 27 de julho de 1970.
     A novela contava a história de Andréa (Regina Duarte), uma jovem humilde que desfez o noivado justamente no dia do casamento ao descobrir que seu noivo Luciano (Geraldo Del Rey) na verdade amava Flor (Myrian Pérsia), irmã de Andréa. Andréa acaba se apaixonando pelo corretor de automóveis Marcelo Montserrat (Claudio Marzo). Flor engravidou de Luciano, mas este a abandonou achando que o filho não era seu. Não podendo criar sozinha o recém-nascido, Flor decide entregá-lo à Andréa, pois esta tinha melhores condições financeiras para cria-lo. Muitos anos sem dar notícias eis que Flor reaparece, mas sem condições de engravidar novamente. Como também subiu na vida, Flor resolveu lutar para ter o filho de volta, pois reuniu condições de cria-lo. Mas, Andréa não aceitou devolver o filho adotivo à irmã. Iniciou-se então uma disputa entre as duas irmãs pela guarda da criança.
     VÉU DE NOIVA foi a primeira novela da Rede Globo a ter trilha sonora própria, antes cada novela tinha suas respectivas musicas-tema lançadas em um único LP coletânea. Não existem mais registros de cenas da novela em vídeo, pois um incêndio no depósito da Rede Globo em 1976 destruiu grande parte do acervo da emissora, o que existem hoje são capítulos originais escritos por Janet Clair que estão de posse da família da novelista. Existe também um cinejornal da época, mostrando as gravações da novela.

VÍDEO COM FOTOS E IMAGENS DOS BASTIDORES DAS GRAVAÇÕES DA NOVELA VÉU DE NOIVA, COM FUNDO MUSICAL DE AZIMUTH "MIL MILHAS - TEMA DE MARCELO", COM APOLO IV:
    
     A trilha sonora é um primor de bom gosto. “Tele tema”, interpretada por Regininha se tornou um grande sucesso nas rádios. A trilha possui talvez a primeira gravação de “Gente Humilde”, interpretada aquí por Márcia, música que se tornaria um grande sucesso no ano seguinte na interpretação de Angela Maria. Relembre!!!

Elenco: Regina Duarte, Claudio Marzo, Myrian Persia, Geraldo Del Rey, Glauce Rocha, José Algusto Branco, Claudio Cavalcanti, Djenane Machado, Betty Faria, Enio Santos, Gilberto Martinho, Neuza Amaral, Alvaro Aguiar, Ana Ariel, Oswaldo Loureiro, Ida Gomes, Suzana Moraes, Paulo Gonçalves, Suzana Faini, Carlos Eduardo Dolabela, Lourdinha Bittencourt, Jorge Cherques, Rogério Fróes, Lícia Magna, Roberto Argollo, Júlio Cesar.
Sonoplastia: Antônio Faia
Produção: João Paulo Carvalho e Clemente Netto
Novela de Janet Clair
Direção Geral de Daniel Filho

Dados do Disco:
Direção de produção: Nelson Motta
Técnicos: Ary Carvalhaes, Célio Martins e Fontenelle
Estúdio: CBD

Músicas:
Lado 1
01- Tema de Luciano – Luiz Eça (Cesar Camargo Mariano)
02- Tele tema “Tema de amor” – Regininha (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)
03- Azimuth “Mil milhas – Tema de Marcelo” – Apolo IV (Marcos Valle – Novelli)
04- Gente humilde – Márcia (Garôto – Vinícius de Moraes – Chico Buarque de Hollanda)
05- Depois da queda “Tema de Flor” – Roberto Menescal (Roberto Menescal)
06- Irene – Elis Regina (Caetano Veloso)

Lado 2
01- Andréa – Joyce (Dory Caymmi – Nélson Motta)
02- Azimuth “Mil milhas – Tema de Marcelo” – Apolo IV (Marcos Valle – Novelli)
03- Tele tema “Tema de amor” – Regininha e Laercio (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)
04- Irene – Wilson das Neves (Caetano Veloso)
05- Abertura – The Youngsters (Guilherme Dias Gomes)
06- Tele tema “Tema de amor” – Cláudio Roditi (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ronnie Von (CBD/Polydor – 1972)

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Link reativado em 28/03/2015

     Ronaldo Lindenberg von Schilgem Cintra Nogueira nasceu em 17 de Julho de 1944 em Niterói, RJ.
     Aos 15 anos prestou exame para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar de Barbacena e foi aprovado em 72º lugar, entre 4000 candidatos e 240 aprovados. Aos 17 anos fez seu primeiro vôo sozinho num Folker T-21, a partir de então se tornou aviador profissional, atividade que exerce até hoje nas horas vagas.
     Em 1963 Ronnie se torna admirador incondicional dos Beatles, seu pai, que na época trabalhava em Londres lhe trazia os últimos lançamentos dos Fab Four e Ronnie foi aprendendo a cantar todo o repertório do grupo, antes mesmo do lançamento de versões interpretadas por Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys e etc. Algum tempo depois, sendo bastante amigo de Eli Barra, um dos componentes do grupo Brazilian Beatles passa a se apresentar com o grupo em bailes. Numa dessas apresentações é observado por João Araújo, que atento ao talento vocal daquele rapaz de olhos verdes e tristes o apresenta ao produtor Glauco Pereira, que o contrata imediatamente. Em 1965 na TV Excelsior, tem sua primeira grande chance artística ao interpretar YOU'VE GOT THE HIDE YOUR LOVE AWAY, de Lennon & McCartney e desperta o interesse da CBD (Companhia Brasileira de Discos), que no fim de 1965 contrata Ronnie para a gravação de um compacto com uma versão do próprio Ronnie da música GIRL, intitulada MEU BEM e com YOU'VE GOT THE HIDE YOUR LOVE AWAY, com a letra original em inglês. O compacto é lançado no início de 1966. Ronnie se apresenta no programa CORTE RAYOL SHOW e logo é alçado ao status de ídolo da juventude, principalmente das garotas, por sua beleza e romantismo. No programa de Hebe Camargo recebe o apelido de PEQUENO PRÍNCIPE, título que carrega até hoje, apesar de não agradar muito ao próprio Ronnie.
     O sucesso do compacto abre as portas para o lançamento do primeiro LP em outubro do mesmo ano. Seguem-se várias apresentações em programas de televisão, incluindo o JOVEM GUARDA, e capas de revistas. Seu sucesso chega a “ameaçar” o reinado do grande ídolo da juventude na época: ROBERTO CARLOS. Ganha seu primeiro programa próprio na TV RECORD, intitulado O PEQUENO MUNDO DE RONNIE VON, onde tenta pela primeira vez por em prática sua vontade de juntar o Rock com a Música Herudita. Fica bastante amigo do trio Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista e Sérgio Dias Baptista, oriundos do grupo O'SEIS, que passam a se apresentar frequentemente no programa, já batizados por Ronnie com o nome de OS MUTANTES.
     Logo no começo de 1967, Ronnie grava o compacto A CATEDRAL (Winchester Cathedral), que logo se torna sucesso, mas é com o compacto seguinte A PRAÇA, de autoria de Carlos Imperial, que Ronnie alcança o alge, vendendo mais de 1 milhão de cópias, mostrando ao país um Ronnie com estilo diferente mas não menos romântico, estilo esse que desagradava o próprio Ronnie mas agradava em cheio ao público e ao mercado fonográfico em geral. Segue-se então o lançamento do segundo LP e apresentações no III FESTIVAL DE MPB da TV RECORD, interpretando UMA DÚZIA DE ROSAS, também de Imperial, e BELINHA, de Toquinho e Vítor Martins.
     Com o fim de seu programa de TV, Ronnie viaja durante 17 dias para a Disney, mas não vai apenas se divertir, vê de perto o movimento HIPPIE e conhece de perto todo o pscodelismo em voga no período, alimentando o desejo de imprimir tal mudança em suas músicas. Ao voltar ao Brasil grava e lança, com arranjos do maestro Rogerio Duprat, futuro ícone do tropicalismo e acompanhamentos musicais do grupo argentino Beat Boys e de Os Mutantes o LP RONNIE VON vol 3, que é o primeiro lançamento da Polydor em capa dupla. Tratamento luxuoso a parte, mesmo com ótimas canções e com a participação de Caetano Veloso no sucesso PRÁ CHATEAR, o disco se tornou o primeiro grande fracasso na carreira de Ronnie, que viu o público não entender a mudança radical no estilo musical, principalmente as letras de algumas canções, taxadas de “esquisitas” e alguns efeitos sonoros presentes, principalmente na canção MEU MUNDO AZUL, com arranjo de estilo barroco e com a voz de Ronnie processada em um amplificador de guitarra para fazer um efeito trêmulo. Resultado: Muitos discos foram devolvidos às lojas sob alegação de que a faixa estava com “defeito de fábrica”. Seguem-se outros programas nas TV's RECORD e logo depois EXCELSIOR e a gravação de alguns compactos que assinalavam um Ronnie Von cada vez mais psicodélico e radical. Um novo corte de cabelo denunciava também a mudança.
     Em 1968 recruta o grande maestro Damiano Cozzela para produzir e arranjar o que seria seu 4º LP. Primeiro produziu-se um compacto promocional com as músicas SÍLVIA, 20 HORAS, DOMINGO e ESPELHOS QUEBRADOS e fez-se todo um trabalho de divulgação da tal mudança de rumos da carreira de Ronnie. A princípio o público aceitou bem a música SÍLVIA, 20 HORAS, DOMINGO mas não entendeu ESPELHOS QUEBRADOS. O LP não tarda a ser lançado, a capa mostra uma foto central de Ronnie sem camisa emoldurada em uma pintura psicodélica simples, a contra-capa mostra um Ronnie vestido de cigano. O disco era uma maravilhosa viagem psicodélica, mas que na época foi rejeitada pela maior parte do público, crítica e até pela gravadora, que até sofreu mudanças na sua direção artística. Ronnie então começa a ver seu sonho de se tornar independente artisticamente ruir, já que a nova direção da gravadora solicita a Ronnie uma “desacelerada” em suas experiências psicodélicas. Em 1969 é lançado então o LP A MISTERIOSA LUTA DO REINO DE PARASSEMPRE CONTRA O IMPÉRIO DE NUNCAMAIS, com o mesmo Damiano Cozzela na produção e nos arranjos, mas com a volta de versões de sucessos estrangeiros e um pouco mais “comercial”, mas sem deixar de lado alguns momentos ótimos de psicodelia, como a ótima DE COMO MEU HERÓI FLASH GORDON IRÁ LEVAR-ME DE VOLTA À ALFA DO CENTAURO, MEU VERDADEIRO LAR e PARE DE SONHAR COM ESTRELAS DISTANTES.
     A MÁQUINA VOADORA, de 1970, fecha o ciclo experimental da obra de Ronnie Von. Com produção musical de Arnaldo Saccomani e arranjos do maestro Chiquinho de Morais, o disco abre com a psicodélica MINHA MÁQUINA VOADORA, um toque de Black music em VERÃO NOS CHAMA e trouxe Ronnie de volta às paradas musicais com SEU OLHAR NO MEU e VIVA O CHOPP ESCURO.
     No ano de 1971 não é lançado nenhum LP, apenas os compactos com MINHA GENTE AMIGA e HEI AMIGO, graças as filmagens de JANAÍNA, A VIRGEM PROIBIDA, que foi dirigido por Olivier Perroy. Nesse filme, lançado em 1972, Ronnie atuou como um roqueiro de sucesso que decide abandonar a carreira e viajar para Salvador, quando conhece Janaína, uma bela mulher, que na realidade é Yemanjá. Para esse filme é composta por Tony Ozanah a música CAVALEIRO DE ARUANDA, que faz parte do LP lançado em 1972.
     É exatamente o LP de 1972 que apresento aquí no Blog. Esse disco, na minha modesta opinião, é
ótimo do início ao fim, além do grande sucesso CAVALEIRO DE ARUANDA, contém outros sucessos como TERESA CRISTINA e TEMPO DE ACORDAR. O Disco teve produção musical de
Arnaldo Saccomani e arranjos de José Briamonte. De um certo modo nota-se um “desleixo” da CBD na produção desse disco: A capa, de Aldo Luiz e foto de Cinira Arruda deveria ser dupla, existe um desequilíbrio de canais no fade-out da música VEJA COM OS OLHOS DE VER e no rockão ROKE PROS MEUS NERVOS esse fade-out nem existe, dando um término “brusco” à música. Se a intenção da gravadora era a de boicotar o disco lançando-o “de qualquer maneira”, o golpe foi por água abaixo pois acabou se tornando um dos discos mais vendidos de 1972 e, realmente ele tem seus méritos. Me inspirou até a produzir um vídeo com a canção CÉU VERMELHO. Pela primeira vez então, ao invés de uma amostra musical do disco, coloco aquí um vídeo com uma música contida no disco, espero que gostem.




Ficha técnica:

Direção de Produção: Arnaldo Saccomani
Técnicos de Gravação: Luiz Roberto e M. Rodrigues
Estúdios: Prova e Reunidos - SP
Arranjos: José Briamonte
Capa: Aldo Luiz
Foto: Cynira Arruda

Músicas

Lado 1:
01 - Cavaleiro de Aruanda (Tony Ozanah)
02 - Tempo de acordar "I'll cry my heart out for you" (Neil Lancaster - Cliff Corbertt - Versão: Ronnie Von)
03 - Veja com olhos de ver (Eduardo Araujo - Marcos Durães)
04 - Eu era humano e não sabia (Ronnie Von - San Martin)
05 - Camping (Roberto Peçanha - Mauro Sant' Anna)
06 - Aquela mesma canção (Ronnie Von - San Martin)

Lado 2:
01 - E essa gente passa cantando (Santos Dumont)
02 - Hare Krishna (Ronnie Von - San Martin)
03 - Tereza Cristina (Arnaldo Saccomani)
04 - Roke pros meus nervos (Ronnie Von - San Martin)
05 - Céu vermelho (Peninha - Jean Pierre)
06 - Ninguém vai me segurar (Arnaldo Saccomani)